DOSSIÊ  
DO RISO À ARGUMENTAÇÃO: ANÁLISE DISCURSIVA DE  
PSEUDOPREGAÇÃO DA  
“IGREJA EVANGÉLICA PICA DAS GALÁXIAS”  
FROM LAUGHTER TO ARGUMENTATION: DISCURSIVE  
ANALYSIS OF PSEUDO-PREACHING OF THE “IGREJA  
EVANGÉLICA PICA DAS GALÁXIAS”  
1
Said Slaibi  
htps://orcid.org/0000-0002-9587-2519  
htps://lates.cnpq.br/0380952729985362  
2
Rony Petterson Gomes do Vale  
htps://orcid.org/0000-0002-0123-9828  
htps://lates.cnpq.br/5226735709539513  
Recebido em: 21 de maio de 2025.  
Revisão final: 11 de janeiro de 2026.  
Aprovado em: 16 de janeiro de 2026.  
1 Graduado no curso de Letras - Português/Francês pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).  
Mestrando em Estudos Linguísticos pela UFV. Membro do Núcleo de Estudos Discursivos (NED) do  
Departamento de Letras da UFV. Bolsista CAPES de Mestrado. E-mail: saidslaibi@gmail.com  
2 Doutor em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pós-doutorado pela  
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV).  
Líder do Núcleo de Estudos Discursivos (NED) do Departamento de Letras da UFV. E-mail: rony-  
138  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
RESUMO:Opresenteartigoéfrutodereflexõesdecorrentesdeumapesquisademestradoainda  
em desenvolvimento sobre os imbricamentos entre a religião e o humor no que diz respeito à  
área da Análise do Discurso. Analisamos uma pseudopregação do Bispo Arnaldo, falso líder  
religioso à frente do quadro humorístico “Igreja Evangélica Pica das Galáxias”. Utilizamos  
majoritariamente a Teoria Semiolinguística como referencial teórico e metodológico. Nossa  
análise apontou para o uso do humor como parte de um projeto argumentativo mais amplo.  
PALAVRAS-CHAVE: religião, humor, semiolinguística, discurso.  
ABSTRACT: This article is the result of reflections arising from a research master’s degree still  
in development on the imbrications between religion and humor in what concerns the area of  
discourse analysis. We analyse a pseudo-preaching of Bishop Arnaldo, false religious leader  
responsible for the humor sketch “Igreja Evangélica Pica das Galáxias”. We mainly use the  
Semiolinguistic Theory as a theoretical and methodological reference. Our analysis pointed to  
the use of humor as part of a wider argumentative project.  
KEYWORDS: religion, humor, semiolinguistic, discourse.  
139  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
Introdução  
A relação entre a religião e a política é frequentemente estudada. No que circunscreve a  
área dos estudos discursivos, que é o que nos interessa, não são poucos os trabalhos dedicados  
a estudar, por exemplo, a produção discursiva de políticos pertencentes à bancada evangélica  
ou de figuras de reconhecimento nacional que transitam entre os domínios da religião e da  
política3. Esses trabalhos demonstram a relevância do papel da religião na sociedade, tendo  
em vista que “a adesão a uma crença religiosa influencia naturalmente o comportamento dos  
indivíduos em sociedade: ela é de natureza a modificar-lhes a atitude, a inflectir-lhes o voto, a  
pesar sobre suas opiniões políticas ou sociais” (Rémond, 1976, p. 164). Logo, pode-se sublinhar  
as relações “entre as religiões organizadas e os poderes públicos” (Rémond, 1976, p. 165).  
Apesar da relevância desses estudos, observa-se, no entanto, em especial nas últimas  
décadas, a interface da religião com outro fenômeno: o humor. Esse estreitamento de laços  
entre duas zonas que, inicialmente, não têm uma clara aproximação pode gerar, a princípio,  
estranhamento. Issoporque:Fazergraçanãocaracterizaoespaçoreligioso. Tradicionalmente  
espera-se rir no circo, na feira livre, nas festas. Ninguém vai à igreja com a expectativa de dar  
risadas” (Souza, 2012, p. 1).  
O espaço religioso, entretanto, passou por modificações, como consequência da  
adesão à virtualidade inerente à modernidade. Com a expansão do digital, as instituições  
religiosas e as figuras a elas ligadas migraram para o ambiente virtual, em uma nova forma de  
interlocução com a sociedade (Melo, 2017). Como consequência, o discurso religioso passou  
por um processo de adaptação, “apropriando-se de características do discurso midiático e  
desenvolvendo uma nova forma de linguagem apropriada a esse campo” (Melo, 2017, p. 140).  
Ainda sobre a relação entre as mídias e o discurso religioso, Melo (2017) diz que:  
A fim de manter seu poder de influência nos vários setores da vida social, as igrejas  
têm investido no uso da mídia, através de programas de rádio, TV e das mídias  
digitais, o que vem permitindo que os indivíduos continuem recorrendo a ela para  
compreender seu lugar no mundo, para compreender a si mesmo e para balizar valores  
e comportamentos. Há, na atualidade, uma conjuntura complexa que favorece o  
uso das novas tecnologias pelas religiões. Trata-se do processo de midiatização do  
discurso religioso. (Melo, 2017, p. 139)  
Não é incomum que essa produção de conteúdo midiático de atores ligados ao religioso  
conte com recursos humorísticos no intuito de fazer com que os fiéis e demais internautas,  
que podem crer naquela vertente religiosa ou não, se engajem nas publicações. Neste sentido  
Algranti (2023), sobre a produção sistemática de conteúdos de humor na cena evangélica-  
pentecostal, comenta que há formatos/suportes diferentes a partir dos quais é possível  
organizar essa produção. Além do uso de uma fala dita humorística em situações religiosas,  
3 Ver Melo (2021); Melo e Rivelli (2022); Melo e Araujo (2024).  
140  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
comoaspregações, essaproduçãoocorrepormeiodoschamadosmemescristãose, também,  
pelos conteúdos feitos para sites e redes sociais (Algranti, 2023). Para o autor, a produção de  
conteúdos humorísticos associados ao evangelismo pentecostal está igualmente associada  
ao papel de “influenciadores cristãos”. Esse humor usualmente tem um caráter mais reflexivo  
no qual se coloca em questão, por meio de paródias, o posicionamento de líderes religiosos,  
como pastores, sobre a vida cristã.  
Por outro lado, é preciso considerar que do mesmo modo que sujeitos ligados à religião  
se apropriam do ambiente digital para produzir conteúdos religiosos, humoristas, ligados ou  
não a uma determinada religião, utilizam as mídias digitais como plataforma para divulgação de  
seus trabalhos. Esses trabalhos, por sua vez, podem ter como base a subversão de elementos  
do campo religioso para gerar humor. No caso do pentecostalismo, por exemplo, acredita-se  
que uma das explicações para o surgimento de conteúdos humorísticos sobre essa vertente  
religiosa seja, justamente, o crescimento do setor e o aumento da circulação de discursos  
sobre a cena evangélica pentecostal, já que “a humanidade só faz piadas (chistes, anedotas,  
caricaturas, humor em geral) sobre temas controversos, ou seja, temas sobre os quais há uma  
razoável pletora de discursos” (Possenti, 2010, p. 12). Possenti (2010) adiciona:  
não há piadas sobre temas que não interessem a ninguém, ou que só interessem  
a poucos, e sobre temas sobre os quais há um único discurso, um único ponto de  
vista corrente. Sirvam como exemplos óbvios as piadas sobre sexo, poder, raças ou  
etnias, instituições etc,. que sempre põem em circulação e em oposição pelo menos  
dois discursos: um “correto” e um outro que é de alguma forma reprimido ou proibido,  
“incorreto.” (Possenti, 2010, p. 12)  
As ponderações realizadas até aqui nos levaram a eleger, para nortear nossas  
discussões, a pseudopregação “O Plano de Poder da igreja evangélica - Bispo Arnaldo”4, do  
personagem Bispo Arnaldo, associado ao quadro humorístico “Igreja Evangélica Pica das  
Galáxias”, de autoria do humorista Arnaldo Taveira. Neste corpus o humor, como veremos em  
nossa análise, é o fio condutor utilizado para conduzir um projeto argumentativo mais amplo.  
Como o pseudolíder Bispo Arnaldo assume o púlpito de uma igreja (ainda que fictícia) que se  
denomina “evangélica” vemos a necessidade de tecermos comentários sobre os evangélicos  
no Brasil, mais especificamente, sobre os pentecostais, visto que o pseudolíder se considera  
como pentecostal e características desse setor religioso se mostram implicadas em seu  
discurso.  
Desse modo, este trabalho seguirá da seguinte maneira: num primeiro momento,  
apresentamos um panorama breve dos evangélicos e dos pentecostais no Brasil; em seguida,  
levantamos alguns pontos de discussão sobre o humor no que diz respeito aos estudos  
discursivos; após isso, analisamos o quadro humorístico da Igreja Evangélica Pica das  
Galáxias; por fim, tecemos considerações sobre os efeitos de sentido oriundos dessa produção  
discursiva, evidenciando a interdiscursividade nela presente.  
141  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
Os evangélicos no Brasil: breve panorama  
De acordo com Lima (2019, p. 226), “o brasileiro é de fato religioso e isso reflete em sua  
vida cotidiana”. Segundo os dados censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística  
(Censo IBGE) do ano de 20105, os evangélicos6 são o segundo segmento religioso em termos  
numéricos no país, atrás apenas dos católicos. Isso representa uma porcentagem de 22,2% da  
população brasileira ou, em números de indivíduos, cerca de 42,3 milhões. Conforme o Censo  
IBGE de 2000, a porcentagem evangélica era de aproximadamente 15,4% (ou cerca de 26,2  
milhões de cidadãos), o que, comparativamente, representa um aumento significativo neste  
espaço de tempo.  
Há previsões indicando que essa tendência continuará nos anos seguintes, o que  
quer dizer que a parcela dos brasileiros que se entendem como evangélicos deve continuar a  
crescer. Conforme apresentado por Spyer (2020), na década de 2030 o número de evangélicos  
poderá superar o de católicos no Brasil, o que simboliza uma transformação considerável do  
cenário nacional. Para Spyer (2020):  
O cristianismo evangélico está deixando de ser apenas uma categoria religiosa. Ele  
se tornou um meio para constituir uma nova classe média brasileira - no sentido  
sociológico do termo, que resulta de investimentos na educação, e não apenas em  
termos de aumento de renda. Por esses motivos, 2020 será a década dos evangélicos,  
e quem não entender o cristianismo evangélico não terá condições de pensar o Brasil  
atual. (Spyer, 2020, p. 22)  
O crescimento do cristianismo evangélico ocorre conjuntamente à redução do número  
de brasileiros que se filiam ao catolicismo. Conforme o Censo IBGE 2010, a porcentagem  
de adeptos ao catolicismo marcou 64,6%, quando, no Censo IBGE 2000, essa porcentagem  
chegava a 73,6%. Uma das justificativas frequentemente apontadas para essa mudança de  
cenário é o crescimento de um grupo específico pertencente ao movimento evangélico: os  
pentecostais, de modo que “hoje, e em grande medida devido ao pentecostalismo, larga  
parcela da sociedade se diz cristã sem ser católica” (Oro, 2011, p. 386). Essa transição de  
pertença religiosa é, como indica Mafra (2014), uma tendência em curso no país desde o final  
do século XX.  
O Pentecostalismo no Brasil: passado, presente e futuro  
O pentecostalismo é, hoje, uma das vertentes religiosas de maior expressividade  
no cenário nacional, levando em consideração a adesão populacional ao movimento e às  
suas manifestações nos âmbitos midiático, político, cultural, para citar apenas alguns. O  
pentecostalismo “é uma crença na ação da terceira pessoa da Trindade por meio de visões,  
5 Os dados do Censo IBGE 2022 ainda não estão disponíveis.  
6 Neste trabalho, vamos utilizar sem distinção o termo “evangélico” já que, no Brasil, “protestante”  
e “evangélico” se tornaram sinônimos (Pierucci, 2000).  
142  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
revelações, curas e glossolalia (manifestação de línguas estranhas)” (Alencar, 2023, p. 131).  
Seu nome remonta a passagem bíblica de Pentecostes (Freston, 1993) e sua origem histórica  
tem ligação com o “reavivamento dentro das igrejas metodistas e batistas” (Gaarder; Hellern;  
Notaker, 2000, p. 203) nos Estados Unidos do século XIX. O movimento se consolidou nos EUA  
no início do século XX, chegando ao Brasil pouco depois e conquistando rapidamente fiéis.  
Para Oro (2011, p. 385), o pentecostalismo tem a “capacidade de se adaptar às realidades  
religiosas, sociais e culturais brasileiras e latino-americanas”, de modo que “o pentecostalismo  
constitui hoje um ator social que não dá mais para não ser levado em conta no quotidiano  
da sociedade brasileira” (Oro, 2011, p. 385). Além disso, o pentecostalismo é marcado pela  
pluralidade de denominações religiosas conectadas a ele. Segundo Mariano (2008):  
Dada a diversidade institucional e a pluralidade interna desse movimento religioso,  
não é despropositado falar em pentecostalismos, no plural. Pois, além da presença de  
elevado número de igrejas existentes e concorrentes, há grande variação doutrinária,  
ritual, litúrgica, organizacional (governo eclesiástico), comportamental e estética […]  
Variam igualmente suas estratégias proselitistas, seus públicos-alvo, sua relação com  
os poderes públicos, com a política partidária e com os meios de comunicação de  
massa (Mariano, 2008, p. 69-70)  
No Brasil, há tentativas de explicar o pentecostalismo a partir de fases cujas  
características podem ser agrupadas em torno de certos períodos. Uma das divisões é a de  
Freston (1993), que propôs o entendimento do pentecostalismo no Brasil em três ondas. A  
primeira onda, também chamada de pentecostalismo clássico, se inicia na década de 1910, com  
a chegada da Congregação Cristã do Brasil, em 1910, e com a Assembleia de Deus, em 1911. Esse  
primeiro momento se estende até meados de 1950. A segunda onda tem sua duração estimada  
entre meados de 1950 a meados de 1960. Essa fase teve como expoente as igrejas: i) Igreja do  
Evangelho Quadrangular, no ano de 1951, ii) a Brasil para Cristo, em 1955; iii) a igreja Deus é Amor,  
em 1962. A terceira onda, por fim, tem seu início na década de 1970 e se impulsiona no cenário  
nacional durante a década de 1980. Uma das representantes dessa onda é a Igreja Universal do  
Reino de Deus (IURD), fundada em 1977 pelos líderes religiosos Edir Macedo e Romildo Ribeiro  
Soares, este que seria responsável por fundar, mais tarde, a Igreja Internacional da Graça de  
Deus.  
A terceira onda é usualmente nomeada como a fase neopentecostal. Esse momento  
é marcado por um culto com características que o aproxima de um “espetáculo religioso”  
(Campos, 1997, p. 66). As igrejas neopentecostais:  
oferecem uma forma de religiosidade muito eficiente em termos práticos, pouco  
exigente em termos éticos e doutrinariamente descomplicada. Os neopentecostais  
conservam do pentecostalismo clássico o estilo de culto fortemente emocional,  
voltado para o êxtase, com papel de destaque para a glossolalia, o exorcismo e o  
milagre, visados sempre como resultados palpáveis a ser experimentados de imediato  
(Pierucci, 2000, p. 288)  
143  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
Sobre o elo entre a religião e a cultura contemporânea, Cardozo (2010) diz que “a cultura  
contemporânea mundializada impõe sua lógica sobre as religiões ao tornar disponível, no  
mercado simbólico, enorme variedade de ideologias e crenças e, assim, abrir caminho para  
a sua relativização” (Cardozo, 2010, p. 83). Para o autor, essa visão sobre a religiosidade no  
contemporâneo acarreta em “bricolagens, reinvenções” e em uma “neorreligião marcada pelo  
estilo emocional e espetacular” (Cardozo, 2010, p. 83) da qual o neopentecostalismo é um  
exemplo.  
Como visto, os evangélicos representam, hoje, uma grande fração da religiosidade  
em território nacional. Como religião e sociedade estão intimamente conectadas, torna-se  
impossível ignorar o papel dos evangélicos no contemporâneo, sobretudo pela tendência de  
crescimento que se aponta para os próximos anos. Se, antes, “os fiéis do passado queriam  
distância do que viam como vicissitudes de um entorno impuro” e “evitavam interações mais  
diretas com a sociedade secular, para não se deixarem contaminar por ela” (Balloussier, 2024,  
p. 173), hoje os evangélicos estão na política, na mídia, na cultura, na indústria da música e do  
cinema e, também, na produção humorística.  
Considerações sobre o humor  
Devemos considerar que humoristas podem se aproveitar dessa massificação do perfil  
evangélico para produzirem piadas já que “as piadas (mas também outros tipos de textos  
humorísticos) constroem-se sobre lugares comuns e estereótipos. Ou seja, não são piadas  
(ou o discurso humorístico) que os constroem. Elas só os exploram de novo e a seu modo”  
(Possenti, 2010, p. 81).  
O humor é definido e estudado a partir de diferentes olhares. Aqui, vamos nos limitar a  
discutir o humor no âmbito dos estudos discursivos, sobretudo como o humor é entendido pela  
Teoria Semiolinguística do Discurso, vertente ligada à Análise do Discurso. Charaudeau (2006)  
defende que o humor é uma estratégia de discurso que pode aparecer, por isso, em diversas  
situações comunicativas. Ainda assim, sob certas circunstâncias, Charaudeau (2006) diz que  
existe a possibilidade de considerar o humor como um gênero, como no caso das esquetes  
humorísticas.  
Para Charaudeau (2011), o dispositivo comunicacional e enunciativo do ato humorístico  
é entendido da seguinte forma: na instância de produção há um locutor, com atributos  
psicológicos e sociais, responsável pela produção do ato humorístico e o enunciador, que está  
submetido ao mundo de palavra, existindo no discurso. Na instância de recepção, por outro  
lado, temos o receptor, ou seja, o ser também dotado de atributos psicológicos e sociais, que  
receberá o ato humorístico e o interpretará, e o destinatário, imagem de um ser idealizado pelo  
locutor do ato humorístico para ser o receptor (Charaudeau, 2011). Portanto, é possível que o  
receptor e o destinatário não correspondam à mesma imagem, já que um efetivamente existe  
no mundo e o outro é apenas um potencial almejado. Sendo assim, o locutor pode imaginar um  
destinatário ideal para o seu ato humorístico mas, na realidade, o receptor, ser de carne e osso,  
144  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
pode ser diferente dessa previsão inicial (Charaudeau, 2011).  
Além disso, ao destinatário é atribuída a possibilidade de preencher diferentes papéis:  
ele pode ser um cúmplice do ato humorístico proposto pelo locutor, ou pode ser uma vítima  
(Charaudeau, 2011). Caso seja cúmplice, o seu papel previsto é o de compartilhar a visão de  
mundo proposta pelo locutor. Agora, caso seja a vítima, o destinatário cumpre o papel de alvo  
de um julgamento negativo (Charaudeau, 2011).  
Vimos, até agora, dois elementos, dos três, que compõem o dispositivo comunicacional  
e enunciativo do ato humorístico para Charaudeau (2011): o locutor/enunciador e o receptor/  
destinatário. O terceiro elemento é o alvo, ou seja, sobre quem ou o quê recai o ato humorístico.  
Conforme Charaudeau (2011), esse alvo pode ser formado por somente um indivíduo ou por  
um grupo social, bem como pode ser formado por uma abstração, como as ideias, crenças e  
opiniões. De toda forma, há sempre um direcionamento para o ato humorístico: há uma crítica,  
um julgamento, uma piada sobre alguém ou alguma coisa.  
De toda forma, o ato humorístico é uma aposta lançada pelo humorista, o qual faz uma  
certa proposição ao destinatário com relação à visão criada pelo ato humorístico (Charaudeau,  
2006). Isto é, o humorista deseja que o seu destinatário “compre” o seu ato humorístico e tenha  
aderência à proposta, ação responsável por gerar os efeitos possíveis do ato humorístico  
(Charaudeau, 2006).  
Charaudeau (2006) nos aponta quatro possíveis efeitos, sendo eles: i) a conivência  
lúdica, na qual o efeito do ato humorístico é mais livre de espírito crítico e ocorre simplesmente  
pelo prazer de ser; ii) a conivência crítica, na qual acontece a crítica a uma ordem do mundo  
estabelecida, como uma denúncia de falsos valores escondidos sob um manto de falsa  
virtude; iii) a conivência cínica, detentora de um efeito de destruição e desvalorização de  
valores da vida social, como a vida e a morte, por exemplo; iv) a conivência de derrisão, relativa  
a “desqualificação do alvo ao rebaixá-lo, isto é, ao fazer descê-lo do pedestal no qual ele estava”  
(Charaudeau, 2006, p. 37 - tradução nossa).7 Para Charaudeau (2015):  
o humor é transgressivo. É a sua razão de ser. O ato humorístico quebra o espelho das  
convenções sociais, quebra os julgamentos de bom senso, estilhaça os estereótipos  
identitários, derruba visões de mundo, fazendo descobrir o inverso daquilo que se dava  
como evidência incontestável (Charaudeau, 2015, p. 137 - tradução nossa)8  
Segundo Charaudeau (2015), o ato humorístico teria a capacidade de se suplantar a  
uma aparente ordem do mundo, ao colocar em evidência a desordem. Além disso, Charaudeau  
(2015) adiciona outra capacidade para o ato humorístico: a de triunfar sobre as convenções  
estabelecidas e a moral social. Disso decorre que “Toda fala humorística é dotada de um  
7 Do original: “La dérision vise à disqualifier la cible en la rabaissant, c’est-à-dire en la faisant des-  
cendre du piédestal sur lequel elle était” (Charaudeau, 2006, p. 37).  
8 Do original: “l’humour est transgressif. C’est sa raison d’être. L’acte humoristique brise le miroir  
des conventions sociales, casse les jugements bien-pensants, fait voler en éclats les stéréotypes identi-  
taires, renverse les visions du monde faisant découvrir l’envers de ce qui se donnait comme évidence  
inattaquable” (Charaudeau, 2015, p. 137).  
145  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
julgamento mais ou menos iconoclasta sobre o mundo, mas de um julgamento que só vale no  
momento de sua enunciação” (Charaudeau, 2015, p. 138 - tradução nossa).9  
Vale (2013) aponta que o discurso humorístico pode suscitar alguns problemas, em  
especial no que diz respeito ao vínculo que o discurso humorístico tem com outros tipos de  
discurso. Para o autor, o discurso humorístico:  
mantém com outros discursos certas relações interdiscursivas que também podem ser  
caracterizadas por metáforas de cunho biológico: a primeira ligada à necessidade do  
DH de “conviver” e de se “alimentar” de outros discursos numa espécie de mutualismo;  
a segunda, consequência da primeira, referente não só a capacidade do DH para imitar  
gêneros e textos, mas, também à sua capacidade em replicar cenas enunciativas dos  
outros tipos de discurso (Vale, 2013, p. 135 - grifos do autor)  
Em outras palavras, o discurso humorístico pode se apoiar no formato de outros  
discursos e colher para si elementos de outros discursos, tornando possível o surgimento de  
estruturas de outros tipos de discurso no discurso humorístico, já que este, supostamente,  
seria ausente de estrutura prototípica (Vale, 2013). Isso, por sua vez, faz com que “o leitor/  
ouvinte acione, para uma maior compreensão dos efeitos de sentido, não somente planos  
isotópicos diferentes, mas também cenas englobantes diferentes” (Vale, 2013, p. 143). No caso  
aqui estudado, isso ocorre entre o discurso humorístico e o discurso religioso, especificamente  
dizendo, da pregação evangélica pentecostal sendo necessário, dessa forma, acionar  
conhecimentos sobre o plano isotópico da religião evangélica, ou melhor dizendo, da pregação  
evangélica, para compreender o jogo contratual humorístico firmado.  
O pseudopúlpito da Igreja Evangélica Pica das Galáxias  
A “Igreja Evangélica Pica das Galáxias” é um quadro humorístico cujo responsável por  
sua produção é o humorista e narrador Arnaldo Taveira. Arnaldo, humorista, criou uma igreja  
evangélicafictícia, bemcomoumlíderfictício, estequedivulgapormeiodasmídiasdigitaisuma  
série de “pregações” para os seus seguidores e demais internautas. Os conteúdos temáticos  
dos vídeos variam e abrangem desde comentários acerca da própria religião evangélica e  
das maneiras de viver essa religiosidade como assuntos cotidianos, políticos, sociais, de  
celebridades etc. Além dos conteúdos voltados para o meio digital, o humorista também se  
apresenta em teatros e casas de show com o seu personagem. Em 2025, o humorista roda o  
Brasil com a turnê intitulada “Na Minha Época”10.  
Embora o humorista utilize sites e outras redes sociais para divulgação de seu  
9 Do original: “Toute parole humoristique est porteuse d’un jugement plus ou moins iconoclaste sur  
le monde, mais d’un jugement qui ne vaut qu’à l’instant de son énonciation” (Charaudeau, 2015, p.  
138).  
146  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
personagem, nosso enfoque, aqui, será o personagem e a constituição do quadro humorístico  
a partir das publicações feitas na plataforma de vídeos Youtube11. Os vídeos são publicados no  
canal que leva o nome do humorista, “Arnaldo Taveira”, em conjunto com vídeos que carregam  
outros conteúdos, como entrevistas, narrações, entre outros.  
A publicação de vídeos da “Igreja Evangélica Pica das Galáxias” se dá no Youtube desde  
meados de 2012 até hoje. O personagem, aliás, não foi sempre conhecido sobre a nomeação  
“Bispo Arnaldo”. Na verdade, o canal se estrutura em três fases distintas e significativas12: i)  
Pastor Arnaldo, primeira fase, com duração até começo de 2015; ii) Bispo Arnaldo, do começo  
de 2015 até meados de 2018; iii) Apóstolo Arnaldo, de meados de 2018 até o período atual.  
O personagem “sobe de nível” nessa hierarquia eclesiástica fictícia com base no número  
de inscritos no seu canal do Youtube. A indicação dessas fases, bem como as transmutações  
entre uma fase para outra, se dão usualmente por meio dos títulos dos vídeos que levam, no  
começo, a temática geral e, ao final, um traço seguido da indicação do personagem como, por  
exemplo, do vídeo que escolhemos para a análise: “O Plano de Poder da igreja evangélica - Bispo  
Arnaldo”.  
Em todo o tempo do canal, no que tange ao quadro humorístico da Igreja Evangélica  
Pica das Galáxias, o humorista produziu sistematicamente vídeos ligados ao seu personagem.  
Até a data de 13 de março de 2025 haviam sido publicados mais de 770 vídeos, e os vídeos  
acumulavam cerca de 128 milhões de visualizações13. Com relação à fase do Bispo Arnaldo, já  
que é deste momento o vídeo por nós selecionado, ela é constituída de quase 200 vídeos que,  
em conjunto, arrematam aproximadamente 40 milhões de visualizações.  
Esse levantamento foi realizado considerando o uso dos sintagmas nominais “Pastor  
Arnaldo”, “Bispo Arnaldo” ou “Apóstolo Arnaldo” ao final dos vídeos, e desconsideramos aqueles  
vídeos que estavam com seu alcance público limitado pela ferramenta “Só para membros” do  
Youtube, uma vez que essa ferramenta limita a visualização dos vídeos aos membros do canal  
do humorista.  
O que nos chama atenção nos discursos do pseudolíder é a linha tênue entre o  
discurso religioso e o humorístico. Isso pode levar, cremos, a dificuldades de compreensão  
do personagem, já que o contrato pressupõe entender que há a sobreposição de dois planos:  
o plano real, em que o humorista é o ser pensante por trás do quadro humorístico, e o plano  
ficcional, em que há o personagem e os seus seguidores, membros da Igreja Evangélica Pica  
das Galáxias.  
12 Poderíamos dizer que o personagem se estrutura em quatro fases, sendo a mais recente a de “Vi-  
ce-Deus Arnaldo”. Todavia, apesar de ter obtido o número de inscritos necessários para chegar a esse  
“cargo” na “hierarquia eclesiástica”, no final de 2021, não foram produzidos vídeos de forma siste-  
mática que tenham levado essa nomenclatura, o que justifica a não-inclusão dessa nomeação nas fases  
do personagem, já que a produção de conteúdo não foi significativa.  
13 Dados relativos somente aos vídeos da IEPG, pois no canal do Youtube o humorista também pu-  
blica vídeos com outros conteúdos.  
147  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
O próprio humorista chegou a gravar vídeos no intuito de explicar o seu personagem14,  
confessando que há quem não tenha entendido se tratar de ficção e que chegou a sofrer  
ameaças de morte em razão do personagem. Isso também nos coloca uma interrogação:  
afinal, seria o quadro humorístico e seu líder uma transposição dos limites do humor, se é que  
esses limites existem e são bem reconhecidos? Essa é uma questão extensa, que demanda  
fortemente uma reflexão mais ampla, o que não é o objetivo aqui, embora acreditemos que  
essa pergunta forneceria uma força motriz para uma série de pesquisas, sobretudo na área  
dos estudos discursivos.  
De toda forma, essa linha tênue observada é o que nos leva a tratar o discurso analisado  
como pseudopregação: apesar de haver elementos associados ao discurso religioso, do gênero  
pregação, se trata de uma ficção, logo, uma falsa pregação. Isso é possível devido ao caráter  
mimotópico do discurso humorístico (Vale, 2013) que absorve elementos de outros tipos de  
discursos. A consideração de que o discurso humorístico pode trazer para si traços de outros  
discursos é o que nos leva a falar no mecanismo da paródia.  
Conforme Charaudeau (2006), a paródia se baseia na produção de um texto com base  
em um texto já existente. No novo texto mobilizam-se características de um texto mais antigo,  
sem reproduzi-las integralmente: a mobilização existe, mas com um certo deslocamento,  
deixando-se perceber que não se trata de mera repetição e tentativa de se passar pelo original.  
No caso do Bispo Arnaldo, sua pseudopregação revela marcas do campo religioso pentecostal  
passíveis de serem reconhecidas como, por exemplo, uma suposta glossolalia, ou “falar em  
línguas”, quando o Bispo cria palavras como “xerebecanto”; o uso de “irmãos” para se referir aos  
seusfiéis;ousodeamémasumadeclaraçãoforte, alémdoselementosplásticoseestéticos  
do vídeo. Mas não há intenção, por parte do Bispo Arnaldo, de fazer com que sua produção se  
passe verdadeiramente por uma pregação, deixando-se entrever caminhos possíveis para a  
interpretação de que se trata de conteúdo humorístico. Portanto, o mecanismo da paródia é  
um dos pilares responsáveis pela sustentação do projeto argumentativo.  
Análise discursiva da pseudopregação “O Plano de Poder da igreja evangélica - Bispo Arnaldo”  
O vídeo “O Plano de Poder da igreja evangélica - Bispo Arnaldo15 foi publicado em 23  
de agosto de 2016 no canal Arnaldo Taveira, no Youtube. Ele acumula atualmente 114.918  
visualizações e conta com 453 comentários e cerca de 10 mil likes dos internautas. Com  
relação à troca comunicativa, do lado do eu-humorista, produtor do ato humorístico, temos  
o verdadeiro humorista Arnaldo Taveira, que acumula seus traços psicossociais e faz parte  
de uma dada sociedade no mundo real. Na identidade discursiva, como protagonista do ato  
humorístico, encontramos o Bispo Arnaldo, líder da Igreja Evangélica Pica das Galáxias.  
Esse líder inicia o seu ato comunicativo dirigindo a sua fala aos ouvintes, os seus  
148  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
irmãos”, termo comumente utilizado nos meios evangélicos para se referir a outros fiéis.  
Inicialmente, ao contar para os seus “irmãos” que falará “do plano de poder dos evangélicos”  
poderia se pensar que o Bispo não coaduna com a inserção de si nesse meio religioso, como  
se ele fosse um terceiro que passará para frente uma notícia, um rumor, uma fofoca que ouviu  
sobre esse plano de poder.  
Essa expectativa, todavia, é quebrada no momento em que ele diz “vocês tão achando  
que nós tamo de bobeira, hein?” visto que, assim, ele se insere na coletividade evangélica por  
meio do uso do pronome de primeira pessoa do plural “nós”, deixando claro para quem o ouve  
que ele se compreende enquanto parte integrante deste grupo (ainda que, reforçamos, se  
trate de um plano ficcional):  
i. Bispo Arnaldo: Irmãos, hoje eu vou falar pra vocês do plano de poder dos evangélicos.  
É, irmão, vocês tão achando que nós tamo de bobeira, hein? Xerebecanto!  
Em seguida, o Bispo diz que nenhum evangélico vai preso e questiona aos seus ouvintes,  
ou seja, aos seus “irmãos”, se eles sabem o porquê de isso ocorrer: “Por que que nenhum  
evangélico vai preso, irmãos? Vou falar pra vocês sobre três segredos que explicam isso daí”.  
Se acatamos o plano ficcional e nos incluímos no jogo estabelecido como um dos “irmãos”,  
aceitamos, assim, se tratar de um Bispo, o qual teria, por isso, a credibilidade e a fiabilidade  
necessárias para nos contar “sobre três segredos que explicam” a situação, já que ele seria  
detentor dos conhecimentos primordiais para isso:  
ii. Bispo Arnaldo: O primeiro deles: nos envolvemos com política, amém? Xerebecanto!  
Elegemos um monte de deputados evangélicos, fizemos uma bancada evangélica,  
e vocês não elegeram ninguém que tenha cu pra combater a gente, amém?  
Dacantaralabassúbia! [...] Até na inauguração daquele Templo de Salomão os políticos  
tavam tudo lá, inclusive a presidente Dilma Rousseff [...] é muito poder político que  
nós temos, irmãos. Mas não vamos parar por aí não. Quando cês menos perceberem  
nós teremos tomado conta de 100% da política nacional, e aí vocês vão ter que viver de  
acordo com as nossas regras, seus otários!  
No trecho acima, o Bispo faz menção à existência da bancada evangélica, cujo  
nome oficial é Frente Parlamentar Evangélica. Essa bancada é entendida como “um grupo  
suprapartidário, composto por congressistas ligados a diferentes igrejas evangélicas, tanto do  
ramo histórico ou de missão como do pentecostal e neopentecostal, que atuariam em conjunto  
para aprovar ou rejeitar a legislação de interesse religioso” (Prandi; Santos, 2017, p. 187). Sua  
origem está ligada à eleição de protagonistas políticos para atuar na Assembleia Constituinte,  
de 1986, (Prandi; Santos, 2017) e atualmente essa bancada demonstra uma grande força, com  
217 deputados signatários associados a ela no Congresso Nacional16.  
so em: 16 abr. 2025.  
149  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
O Bispo, então, demonstra ter ciência da expressividade da bancada evangélica na cena  
política atual e se insere nessa coletividade novamente por meio de pronomes e verbos em  
primeira pessoa. Ao dizer “nos envolvemos com política” e “elegemos um monte de deputados  
evangélicos, fizemos uma bancada evangélica” ele demonstra concordar com a articulação  
religião-política em curso no país e demonstra fazer parte desse movimento e apoiá-lo.  
O Bispo Arnaldo não só reconhece o tamanho do poder que o segmento evangélico  
tem ao se enquadrar como uma das figuras que compartilham desse poder (“é muito poder  
político que nós temos, irmãos”), como também menciona um fato histórico ocorrido no Brasil  
dois anos antes da data de publicação do vídeo: a inauguração do Templo de Salomão17, prédio  
ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo. Durante a inauguração, realizada no  
dia 31 de julho de 2014, a presidente Dilma Rousseff esteve presente ao lado de outras figuras  
conhecidas da política nacional.  
Além de aparentemente apoiar esse movimento, o personagem também alfineta os  
que seriam contrários à união entre a política e a religião, reforçando, mais uma vez, o lado  
(hipoteticamente) em que está: “vocês não elegeram ninguém [...] pra combater a gente”. Essa  
fala estabelece uma dicotomia entre o “nós”, a partir da forma linguística “a gente”, e o “eles”, a  
partir da forma linguística “vocês”. Essa dicotomia é vista em trecho posterior, quando o Bispo  
Arnaldo revela aos ouvintes o que o futuro reservaria para os brasileiros: o crescimento dos  
evangélicos na política nacional, dessa vez, chamando o grupo compreendido por “vocês” de  
seus otários” .  
O Bispo Arnaldo declara como será o modo de vida desse grupo, teoricamente composto  
pelos não-evangélicos, sob o poderio evangélico, quando a dominação no âmbito político  
ocorrer: “Mas não vamos parar por aí não. Quando cês menos perceberem nós teremos tomado  
conta de 100% da política nacional, e aí vocês vão ter que viver de acordo com as nossas regras,  
seus otários!”. Essa dicotomia, da qual decorre bons ânimos para os iguais e maus ânimos para  
os diferentes, é um traço característico do discurso intolerante (Bueno, 2020). Por se tratar de  
humor, no entanto, devemos pressupor a não-seriedade (Possenti, 2010).  
Assim, essa passagem, de certa maneira, poderia ser um indício de intolerâncias que se  
passam no plano real e, se tomamos isso como verdade, então observamos aqui o uso da ironia  
como estratégia para gerar o humor. Isso já que o dito é positivo, mas, ao entrarmos no jogo  
humorístico, somos convidados a compreender que há um julgamento negativo por trás do que  
é dito (Charaudeau, 2006). Como resultado, um efeito de sentido passível de depreendemos é  
o de que, apesar de o personagem estar nos apresentando esse “plano de dominação” como  
algo positivo, na verdade, se trata de uma crítica ao crescente entrelaçamento da política com  
a religião que acontece no Brasil nos dias de hoje.  
Depois, o Bispo Arnaldo passa a desenvolver o segundo ponto de sua argumentação.  
Dessa vez, ele tece comentários acerca do vínculo entre os evangélicos e a mídia. Ele fala sobre  
a televisão, mencionando de forma genérica e, depois, citando a TV Record como um exemplo  
do-em-sao-paulo.html. Acesso em: 16 abr. 2025.  
150  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
mais específico e fala também sobre o uso da rádio por esse grupo religioso. Novamente, o  
Bispo se insere no grupo religioso dos evangélicos ao dizer “nós estamos dominando a grande  
mídia [...] nós fazemos pressão, nós ditamos as regras”. Em conjunto a isso, o personagem  
acrescenta um comentário aparentemente incoerente, ao dizer que “aqui tem rádio evangélica  
que pega até sem rádio, irmão, é incrível!”. Essas duas passagens podem ser interpretadas a  
partir do conceito de ironia já apresentado acima. Ao fazer um comentário supostamente  
positivo referente à pressão e às regras, ao “rádio que pega até sem rádio”, esconde-se um  
efeito de sentido negativo: uma crítica à expansão deste segmento religioso nos instrumentos  
midiáticos brasileiros:  
iii. Bispo Arnaldo: O segundo ponto é que nós estamos dominando a grande mídia.  
Todas as televisões estão ao nosso dispor, amém? Inclusive, de madrugada, se você  
ligar a sua televisão, só vai ter pregação de evangélico, amém? Não tô falando só da  
TV Record, não, irmãos, nós fazemos pressão, nós ditamos as regras em todas as TV’s  
nacionais, inclusive as rádios [...] aqui tem rádio evangélica que pega até sem rádio,  
irmão, é incrível!  
Por fim, o dito “terceiro segredo” pelo Bispo Arnaldo é relativo ao crescimento das  
igrejas ditas pentecostais. Aqui, o comentário assume um tom consciente sobre o panorama  
religioso do Brasil, que reflete o trânsito religioso entre diferentes denominações e formas de  
viver a religiosidade.  
O Bispo Arnaldo se entende como um líder neopentecostal, ou pentecostal de terceira  
onda: “evangélicos somos nós, os neopentecostais, irmãos”. Poderíamos entender que com essa  
construção ele atribui a si e aos outros indivíduos que se entendem como “neopentecostais”  
as características de genuinidade e legitimidade referente à expressão de fé (“evangélicos  
somos nós, os neopentecostais”), em oposição aos demais evangélicos, não-neopentecostais,  
considerados como intrusos nesse organismo. Contudo, essa lógica não é exatamente  
defendida pelo personagem, já que este raciocínio de oposição é endereçado ao destinatário:  
Passamos a frente das igrejas evangélicas tradicionais a ponto de você achar que evangélicos  
somos nós, os neopentecostais, irmãos”.  
Ao dizer “a ponto de você achar”, direcionando-se ao destinatário, implicando-o  
diretamente na troca comunicativa, no que Charaudeau (2016) chama de modo alocutivo, o  
personagem coloca, nas costas de seu interlocutor, a responsabilidade por esse julgamento.  
Essa interpretação é apoiada pela passagem seguinte, na qual o Bispo Arnaldo questiona o seu  
destinatário se este tem conhecimento das igrejas frutos do protestantismo histórico: “Aonde  
é que tá a Batista? Aonde é que tá a Presbiteriana? Onde é que tá a Luterana? Você não sabe nem  
o que que é isso, irmão”.  
Hoje, as igrejas pentecostais e neopentecostais abocanham a maior parte do público  
consideradoevangélico, despontandocomoimportantescentrosreligiososnocontemporâneo  
no que tange à expressão de adesão de fiéis, e o personagem parece ser detentor dessa  
informação. Ao supor que o seu destinatário possa compartilhar a visão dicotômica sobre as  
igrejas evangélicas tradicionais” e neopentecostais, o próprio personagem percorre o caminho  
151  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
necessário para desconstruir esse raciocínio. Ou seja, o dito do Bispo Arnaldo tem o potencial  
para fazer o seu destinatário colocar em xeque esse modo de observar as teias relacionais do  
meio evangélico, no caso de o seu destinatário ter essa visão dicotômica:  
iv. Bispo Arnaldo: O terceiro segredo é que nós engolimos a concorrência. Passamos  
a frente das igrejas evangélicas tradicionais a ponto de você achar que evangélicos  
somos nós, os neopentecostais, irmãos. Aonde (sic) é que tá a Batista? Aonde (sic) é  
que tá a Presbiteriana? Onde é que tá a Luterana? Você não sabe nem o que que é isso,  
irmão. Aquele evangélico tradicional, aquele evangélico raíz, quase não existe mais,  
irmãos. Só nossas igrejas tomaram conta.  
Na continuidade, o Bispo Arnaldo cita uma série de atributos usualmente associados às  
formas de expressão do viver religioso das igrejas neopentecostais, como, por exemplo, seu  
caráter mais despojado e dinâmico, frente a outros tipos de igrejas, que aproxima o culto de  
um espetáculo, como mencionado anteriormente por Campos (1997) e Cardozo (2010). Ao final,  
a passagem “aonde (sic) puder meter uma igreja nós tamo (sic) metendo, irmão” é relacionada,  
justamente, com o crescimento das igrejas desta terceira onda religiosa:  
v. Bispo Arnaldo: O público quer ver o que? É espetáculo! O público quer som e luz. O  
público quer fumaça. O público quer falar de dinheiro! [...] e nós damo (sic) tudo isso pra  
eles! Tamo (sic) comprando boate, tamo comprando cinema, tamo comprando teatro,  
ginásio, aonde (sic) puder meter uma igreja evangélica nós tamo (sic) metendo, irmão.  
No final do vídeo, há um maior tremor entre os planos ficcional e real. O Bispo Arnaldo,  
ainda no personagem, solicita aos ouvintes, os “irmãos”, que estes engajem não somente o  
vídeo, mas o canal como um todo. O personagem pede para que os ouvintes divulguem o canal,  
se inscrevam, peçam para que outros se inscrevam, e autorizem notificações para receberem  
os vídeos.  
Ainda no personagem, é dada uma justificativa para que o canal receba esse  
engajamento: a suposta relevância da denúncia feita no vídeo acerca do comportamento  
de uma parcela dos evangélicos, grupo sintetizado pela forma linguística “eles”: “Se ninguém  
combater, irmão, daqui a pouco eles tão dominando o mundo [...] não vai ter carnaval, não vai ter  
baile, não vai ter piranhada, não vai ter nada”. Realiza-se uma crítica a um certo modo pudico de  
agir do grupo que, acabasse “dominando o mundo”, supostamente instauraria uma orientação  
de conduta pública mais alinhada aos ideais e às práticas da religiosidade que professam.  
Esse término é, inclusive, um grande indício do tom geral do discurso do Bispo Arnaldo,  
pautado pelo uso das ironias para se sustentar: apesar de constantemente se inserir no seio  
evangélico atribuindo a si mesmo a nomenclatura de líder pentecostal/neopentecostal e de  
acenar positivamente para as relações desenvoltas entre este grupo e a política, a mídia e  
a própria religião, o final do vídeo revela para o ouvinte o sentido verdadeiro por detrás das  
afirmações positivas: o julgamento negativo referente a determinadas tomadas de ação por  
uma fatia do segmento evangélico, sendo essa fatia, portanto, o alvo do ato humorístico.  
152  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
Considerações finais  
A partir da descrição do corpus e dos dados obtidos com a nossa análise, consideramos  
que o Bispo Arnaldo é a identidade discursiva, e o ato humorístico é dirigido para uma  
coletividade denominada “irmãos”, possivelmente compreendida pelos seguidores ou pessoas  
que acompanham o quadro humorístico da Igreja Evangélica Pica das Galáxias. Neste caso,  
no plano ficcional, o Bispo seria o líder e os “irmãos” os fiéis que, ficcionalmente, veem o  
pseudolíder como guia religioso a ser seguido.  
O discurso é marcado pela recorrência, no jogo enunciativo, do procedimento da ironia,  
por meio do qual o enunciador diz algo positivo, ao se inserir ficcionalmente na coletividade  
evangélica neopentecostal, mas esse comportamento enunciativo esconde um julgamento  
negativo (Charaudeau, 2006). São deixadas, entretanto, pistas que indicam este sentido outro  
por trás do dito, sendo papel do receptor conectar os pontos para chegar a essa compreensão.  
O humorista, com seu ato humorístico, busca, no destinatário, uma conivência crítica, já  
que é feita “uma denúncia do falso semblante de virtude que esconde valores negativos. Essa  
conivência é, então, polêmica [...] como se houvesse uma contra-argumentação implícita,  
porque ela busca compartilhar o ataque a uma ordem estabelecida” (Charaudeau, 2006, p. 36  
- tradução nossa)18. Contudo, o verdadeiro receptor, aquele que interpretará o discurso, pode  
coincidir com o destinatário idealizado ou não. Sendo assim, existe a possibilidade de que uma  
parcela dos internautas que verdadeiramente entrarão em contato com o discurso por meio  
do ambiente virtual não compartilhem dessa conivência, sobretudo porque “a crítica tem um  
alcance particularizante, podendo se tornar agressiva para o alvo” (Charaudeau, 2006, p. 36 -  
tradução nossa)19.  
Por fim, o humor aparece como um modo de construir discursivamente a argumentação  
do pseudolíder. A partir dos comportamentos enunciativos por meio dos quais o locutor se  
insere e insere o outro no discurso, observamos que o que está por trás da aparente anuência  
a algumas tomadas de ação por parte de uma parcela religiosa é a crítica a essas mesmas  
tomadas de ação.  
Agradecimentos  
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de  
Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.  
18 Do original: “La connivence critique propose au destinataire une dénonciation du faux-semblant  
de vertu qui cache des valeurs négatives. Elle est donc polémique (ce que n’est pas la connivence  
ludique), comme s’il y avait une contre-argumentation implicite, car elle cherche à faire partager l’at-  
taque d’un ordre établi en dénonçant des fausses valeurs” (Charaudeau, 2006, p. 36).  
19 Do original: “Contrairement à la connivence ludique, la critique a une portée particularisante pou-  
vant devenir agressive à l’endroit de la cible” (Charaudeau, 2006, p. 36).  
153  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
Referências  
ALGRANTI, Joaquín. Parodias evangélicas: sobre las reclasificaciones morales del humor en el  
pentecostalismo. Religião e Sociedade, v. 43, n.2, p. 87-111, 2023. Disponível em: https://www.  
scielo.br/j/rs/a/PvTpRp8FrP9xjztpFTJQVrJ/?lang=es. Acesso em: 13 abr. 2025.  
BALLOUSSIER, Anna Virgínia. O púlpito: fé, poder e o Brasil dos evangélicos. São Paulo:  
Todavia, 2024.  
BRASIL. Agência IBGE Notícias. Censo 2010: número de católicos cai e aumenta o de  
evangélicos, espíritas e sem religião. [Brasília]: IBGE. 29 jun. 2012. Disponível em: https://  
agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/  
releases/14244-asi-censo-2010-numero-de-catolicos-cai-e-aumenta-o-de-evangelicos-  
espiritas-e-sem-religiao. Acesso em: 15 abr. 2025.  
BUENO, Alexandre Marcelo. Sobre a intolerância: percursos semióticos. Entrepalavras,  
Fortaleza, v. 10, n. esp., fev., 2020. Disponível em:  
Acesso  
em: 16 abr. 2025.  
CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, templo e mercado: organização e marketing de um  
empreendimento neopentecostal. Petrópolis, RJ: Editora Vozes. São Paulo: Simpósio Editora  
e Universidade Metodista de São Paulo. 1997.  
CARDOZO,CarlosEduardo.FéemDeus,pénatábua-pertençareligiosaeparticipaçãosocialdas  
juventudes contemporâneas. In: OLIVEIRA, Teresinha Rodrigues de; GONTIJO, Cynthia Rúbia  
Braga; CASTRO, Carmem Lúcia Freitas de. (org.) Políticas Públicas de Juventudes: Contextos,  
percepções e desafios da prática. Barbacena: EdUEMG; Belo Horizonte: Universidade do  
Estado de Minas Gerais/Faculdade de Políticas Públicas “Tancredo Neves”. 2010. cap. 3, p. 75-  
96.  
CHARAUDEAU, Patrick. Des catégories pour l’humour? Revue questions de communication,  
nº 10. Presses Universitaires de Nancy. Nancy, p. 19-41, 2006. Disponível em: https://www.  
patrick-charaudeau.com/Des-categories-pour-l-humour. Acesso em: 16 abr. 2025.  
CHARAUDEAU, Patrick. Descatégoriespourl’humour. Précisions, rectifications, compléments.  
In: VIVERO-GARCÍA, Maria Dolores. (org.) Humour et Crises Sociales: regards croisés France-  
Espagne. L’Harmattan: Paris, 2011. p.10-43.  
CHARAUDEAU, Patrick. L’humour de Dieudonné: le trouble d’un engagement. In: CHARAUDEAU,  
Patrick. Humour et engagement. Limoges LambertLucas, 2015, p. 135-182. Disponível  
em:  
engagement.html. Acesso em: 16 abr. 2025.  
CHARAUDEAU, Patrick. Linguagem e discurso: modos de organização. São  
Paulo: Contexto, 2016.  
FRESTON, Paul. Protestantismo e política no Brasil: da constituinte ao impeachment. 1993.  
Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de  
154  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, 1993. Disponível em: https://repositorio.unicamp.  
br/Acervo/Detalhe/69813. Acesso em: 15 fev. 2025.  
GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O livro das religiões. São Paulo:  
Companhia das Letras, 2000.  
LIMA, Adriano Sousa. Pluralidade cultural e religiosa no Brasil: um olhar pentecostal. Reflexus,  
Vitória, v.13, n. 21, p. 221-254, 2019. Disponível em: https://revista.fuv.edu.br/index.php/  
reflexus/article/view/749. Acesso em: 08 jan. 2025.  
MAFRA, Clara. Números e narrativas. In: BINGEMER, Maria Clara Lucchetti; ANDRADE, Paulo  
Fernando Carneiro de. (org.) O censo e as religiões no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio e  
Reflexão, 2014.  
MARIANO, Ricardo. Crescimento Pentecostal no Brasil: fatores internos. REVER, Revista  
de Estudos da Religião, p. 68-95, dez. 2008, Disponível em: https://www.pucsp.br/rever/  
rv4_2008/t_mariano.pdf. Acesso em: 20 fev. 2025.  
MELO, Mônica Santos de Souza. Considerações sobre o domínio de prática discursiva religioso.  
In: MELO, Mônica Santos de Souza. (org.) Reflexões sobre o discurso religioso. Belo Horizonte:  
Núcleo de Análise do Discurso, Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos,  
Faculdade de Letras da UFMG, 2017. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/nucleos/nad/.  
Acesso em: 04 mar. 2025.  
MELO, Mônica Santos de Souza. A organização argumentativa no aconselhamento do pastor  
Silas Malafaia sobre o candidato à presidência Fernando Haddad. Matraga - Revista do  
Programa de Pós Graduação em Letras da UERJ, v. 28, n. 52, p. 66-81, 2021. Disponível em:  
MELO, Mônica Santos de Souza; RIVELLI, João Vitor Ferreira. A polêmica sobre o fechamento  
de estabelecimentos comerciais e de templos na pandemia de Covid-19: estratégias  
argumentativas em tweets de um pastor evangélico. Primeira Escrita, v. 9, n. 1, p. 69-83, 2022.  
06 mai. 2025.  
MELO, Mônica Santos de Souza; ARAUJO, Said Slaibi. Político pastor ou pastor político?  
Estratégias discursivas a favor do populismo nas redes sociais. Interletras: Revista  
Transdisciplinar de Letras, Educação e Cultura da UNIGRAN, v. 11, n. 38, p. 1-19, fev.-ago 2024.  
Disponível em: https://www.unigran.br/revistas/interletras/trabalho/84. Acesso em: 05 jan.  
2026.  
ORO, Ari Pedro. Algumas interpelações do Pentecostalismo no Brasil. HORIZONTE - Revista  
de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 9, n. 22, p. 383-395, 2011. Disponível em:  
em: 31 mar. 2025.  
Acesso  
PIERUCCI, Antônio Flávio. Apêndice: as religiões no Brasil. In: GAARDER, Jostein; HELLERN,  
Victor; NOTAKER, Henry. O livro das religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.  
POSSENTI, Sírio. Humor, língua e discurso. São Paulo: Contexto. 2010.  
155  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
DOSSIÊ  
PRANDI, Reginaldo; SANTOS, Renan William dos. Quem tem medo da bancada evangélica?  
Posições sobre moralidade e política no eleitorado brasileiro, no Congresso Nacional e na  
Frente Parlamentar Evangélica. Tempo Social, v. 29, n. 2, p. 187-214, ago. 2017. Disponível em:  
2025.  
RÉMOND, René. Introdução à história de nosso tempo. São Paulo: Cultrix, 1976.  
SOUZA, Catiane Rocha Passos de. O funcionamento do humor no discurso religioso midiático.  
In: Jornada Nacional do Grupo de Estudos Linguísticos do Nordeste, 24, 2012. Anais  
eletrônicos do GELNE. Natal: EDUFRN, 2012. Disponível em: https://gelne.com.br/arquivos/  
anais/gelne-2012/Arquivos/An%C3%A1lise%20do%20discurso.html. Acesso em: 13 abr. 2025.  
SPYER, Juliano. Povo de Deus: Quem são os evangélicos e por que eles importam. São Paulo:  
Geração Editorial, 2020.  
VALE, Rony Petterson Gomes do. O discurso humorístico: um percurso de análise pela  
linguagem do riso. Tese (Doutorado em Letras) - Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG,  
Belo Horizonte. 2013. 279f. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/LETR-  
9ARN7W/1/1373d.pdf. Acesso em: 05. jan. 2025.  
156  
Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280