DOSSIÊ  
O PARADOXO DO HUMORISTA FORA DO LUGAR1  
THE MISPLACED HUMORIST PARADOX  
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Mario Tommaso  
https://orcid.org/0000-0002-2512-016X  
Recebido em: 26 de maio de 2025.  
Revisão final: 09 de dezembro de 2025.  
Aprovado em: 16 de dezembro de 2025.  
1 Este ensaio é um desenvolvimento de uma seção de minha tese de doutorado intitulada “O nonsense  
na literatura brasileira: três estudos de caso, defendida na área de Literatura Brasileira” do Depar-  
tamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da  
Universidade de São Paulo, em janeiro de 2024, com acréscimos feitos a partir de uma comunicação  
no XXI Congresso da Sociedade Internacional para o Estudo do Humor Luso-Hispânico (Lille, 2024).  
2 Professor de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo (USP). E-mail: mariotommaso@  
usp.br  
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Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280  
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RESUMO: Este ensaio pretende discutir o modo como a relação entre humor e o assim  
chamado “caráter nacional brasileiro” é proposta em algumas formulações de humoristas e  
intelectuais, em que categorias artísticas e literárias são empregadas na autorrepresentação  
da sociedade brasileira como “disfuncional”. A partir desses padrões, é possível identificar uma  
mesma predisposição na hierarquização de formas culturais classificadas como “brasileiras”  
ou “estrangeiras” em outras formações discursivas, como a crítica literária.  
PALAVRAS-CHAVE: Humor, nacionalidade, modernismo brasileiro, história das mentalidades.  
ABSTRACT : This essay aims to examine how the relationship between humor and the so-  
called Brazilian national character is articulated in certain formulations by humorists and  
intellectuals, in which artistic and literary categories are employed in the self-representation  
of Brazilian society as dysfunctional. Based on these patterns, it is possible to identify a similar  
tendency in the hierarchical classification of cultural forms labeled as «Brazilian» or «foreign»  
within other discursive formations, such as literary critics.  
KEYWORDS: Humor, nationality, brazilian modernism, history of mentalities.  
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Em 1935, o médico capixaba radicado no Rio de Janeiro Dr. José Madeira de Freitas,  
especialista em diabetes e puericultura, mas também caricaturista e cronista de humor, que  
respondia pelo pseudônimo Mendes Fradique3, autor da História do Brasil pelo método confuso,  
prefacia uma obra de seu conterrâneo e também médico, não humorista, mas político, Dr.  
Graciano Neves, A doutrina do engrossamento4. O livro do amigo versava sobre aspectos do  
“caráter nacional brasileiro” como o favor, o compadrio, o arrivismo (“cavação”), a celebração  
corporativista de personalidades medíocres (“engrossamento”), a promiscuidade entre público  
e privado ou a irrelevância da demanda antecipatória da pós-graduação no Brasil na política  
educacional sob o recente regime republicano. A um ponto, Mendes Fradique observa:  
O humorismo tem objeto no contraste direto entre o que é e o que deverá ser. Ora, no  
Brasil, como em todas as nações de sua idade mental, tudo é precisamente como não  
deverá ser, de modo que se torna impossível esse contraste e, portanto, igualmente  
impossível o humorismo. (FRADIQUE, 2005 [1935], s.p.)  
Excluída a possibilidade do chiste, pois se trata de um prefácio sério e ocupado do elogio  
do amigo e do endosso às reflexões morais de cariz conservador sobre a vida pública nacional,  
o excerto é particularmente espantoso, pois saído das considerações de um humorista – que  
assim realiza, evidenciando aquilo que acusa, o “contraste direto entre o que é e o que deverá  
ser”, ao reduzir toda a sua atividade intelectual e artística, de modo algum diletante e bissexta,  
mas profissional, profusa e de muita notoriedade à época na imprensa carioca, a um paradoxo  
antropológico e à impossibilidade da própria existência.  
A frase-choque é típica do enfrentamento polêmico (talvez o hábito do sátiro conserve  
a tinta moralista enquanto dissimula a tendência hiperbólica e demolidora da caricatura  
sob o prefácio filosofante). De todo modo, o enunciado é lapidar e emblemático de certa  
posição crítica, e ainda bastante vulgarizada, que produz a ideia de uma impossibilidade, no  
caso a do humorismo, no Brasil: separa artefato literário, plástico ou performático (sátira,  
vaudeville, caricatura, grotesco, burlesco, chiste, piada, novela picaresca, sátira menipeia,  
farsa, sketch, opereta, ópera bufa, besteirol, nonsense, fábula, entrada clownesca, commedia  
dell’arte, poema-piada etc.) e representação da experiência concreta do social para, exigindo  
a equivalência, elogiar afinal o peso insubstituível da realidade ou, no caso em que o termo de  
comparação é a comédia, um gênero baixo, celebrar a mesquinhez, a miséria, a deformidade,  
a irracionalidade e o azar que representam o sentimento daquilo que uma sociedade já é, e, o  
que é importante, sua distância com relação a ela.  
3 O pseudônimo é a inversão do nome da personagem Fradique Mendes, poeta fictício, cosmopolita  
e excêntrico, altamente irônico e provocador, inventado coletivamente pelo grupo de Eça de Queirós,  
Antero de Quental e Jaime Batalha Reis desde a década de 1870.  
4 O prefácio foi recolhido por Elias Thomé Saliba e recebeu comentários do historiador em estudos  
como Raízes do riso: a representação humorística na história brasileira da Belle Époque aos primei-  
ros tempos do rádio e “Brasil: uma país de humoristas involuntários?” (SALIBA, 2002; 2018). A obra  
de Madeira de Freitas foi largamente estudada por Isabel Lustosa em Brasil pelo método confuso:  
humor e boemia em Mendes Fradique (1993).  
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Para Madeira de Freitas, o humorismo deve funcionar com um corretivo que venha punir  
os casos desviantes (“o que é”) segundo um quadro instituído (“o que deverá ser”). O choque  
entre o desvio e a norma faria estalar o riso. Ocorre que a norma, para sua brevíssima teoria, ou  
talvez simples “intuição”, não é mera formulação de um ideal platônico, um arquétipo bom, uma  
figura mental que os processos cômicos fazem deteriorar em grotesco, mas aquilo que ocorre  
de fato verificável em nações de “idade mental”, como diz ele, em chave positivista, “madura”.  
O Brasil seria uma nação retardatária e retardada e não efetuaria em lugar nenhum de sua  
realidade a desejada norma, portanto não haveria parâmetro para o contraste entre a figura  
que se quereria atacar por sua forma ou ato desviante. Onde “tudo é precisamente como não  
deverá ser”, ou seja, tudo é desviante, não há desvio e, portanto, não haveria humor possível.  
Qual, porém, é o parâmetro oculto de onde se extrai que tudo é desviante, qual a fonte do  
desejo da norma? Trata-se da realidade das nações de mais avançada “idade mental” (posição  
que legitimaria o humor autodepreciativo da cultura brasileira, sendo preciso observar que  
esta não é a única cultura em que se produz esse tipo de humor). A Mendes Fradique não  
interessa, no entanto, a ironia, e sim o aspecto imediatamente corretivo da sátira (ridendo  
mores castigat). O satirista faz que se ria do desviante como modo de castigá-lo pelo desvio e  
manter o risonho alegremente preso à norma. Há, portanto, um sujeito oculto na argumentação  
do médico-humorista: o leitor. Para que o satírico possa castigar o comportamento desviante  
segundo a norma, é preciso que o seu leitor compartilhe, entre outros elementos, da mesma  
ideia de norma, e só assim rirá, castigando também o desviante. Onde não há norma, não há  
sátira. Na queixa de Mendes Fradique, pressupõe-se que seu leitor devesse compartilhar com  
ele de uma suposta norma europeia. É justamente a tipos europeus que sua argumentação  
apela para buscar fundamentos:  
Se nós segredarmos ao ouvido alemão de Von Papen que na América do Sul  
há um país em que se construiu uma grande avenida e que, durante essa  
construção, o único prédio que ruiu por erro de técnica foi o do Clube de  
Engenharia, é claro que o fidalgo do Sarre sorrirá à ficção da anedota; mas aqui  
o caso não é para rir, nem é ficção, mas é verdade, foi o que de fato aconteceu,  
e contra o que a anedota não pode dar contraste e, portanto, não engendra o  
sorriso do sense of humour. (FRADIQUE, 2005 [1935], s.p.)  
Aqui, para além do já mencionado bovarismo do humorista, aparece uma segunda noção:  
descrever ou relatar acontecimentos não ficcionais (históricos, biográficos, documentais, de  
crônica política, social ou cultural), procurando e enfatizando neles o caráter ridículo, constitui  
um trabalho humorístico cujo resultado é melhor ou mais eficaz do que podem alcançar os  
gêneros, estilos e procedimentos ficcionalmente cômicos. Formulada em diversas situações  
e diferentes modos, ela não é estranha a um número disperso de escritores, artistas e críticos  
brasileiros, e não apenas referindo-se aos gêneros cômicos.  
Por outro lado, é possível abordar o paradoxo do “humorista fora do lugar” propondo  
uma ponderação, a partir de reflexões como a de Luigi Pirandello, aliás, contemporâneo de  
Fradique, de que há uma diferença entre o cômico e o humorístico. Para Pirandello, o cômico  
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seria a demonstração do contrário, e o humor, o sentimento do contrário (1992 [1908], passim.),  
sua incorporação subjetiva, algo que também podemos entender como a ironia romântica,  
desde Jean-Paul ou Schlegel. Essa diferença permanece como ambiguidade em vários estudos  
sobre o riso, como por exemplo, o de Bergson, também mais ou menos contemporâneo. Em  
sua obra, o riso é visto como a “irrupção do vivo sobre o mecânico” (2000 [1900], passim.). Mas  
isso apresenta um problema ao crítico, pois a argumentação oscila entre duas possibilidades:  
ou nós rimos do vivo que interrompe, ou do mecânico que é interrompido. Se rimos do  
mecânico, ou seja, consideramos o rígido e o mecânico ridículos e, portanto, inferior, é porque  
as instituições (ou a linguagem, os hábitos) nos reprimem demais com seu automatismo, e a  
visão do vivo que está escondido abaixo dele e se revela nos relaxa. Mas há outra possibilidade,  
que é rirmos do vivo: se consideramos a irrupção de vida algo engraçado e digno de zombaria,  
é porque concordamos que o mecânico é superior, queremos eliminar a distração que nos  
impede de mantê-lo. Essa ambiguidade ocorre em Bergson justamente porque o elemento da  
irrupção não é exclusivo do cômico. Ele está presente, por exemplo, na tragédia ou no terror.  
O que é exclusivo do cômico, possivelmente, é a combinação de dois fatores na irrupção:  
a velocidade e o rebaixamento por consequência – a transformação em nada, como propõe  
Kant em sua teoria do cômico, como “afecção proveniente da transformação súbita de uma  
expectativa tensionada em nada” (2016 [1790], §54). No caso do humor ou da ironia romântica,  
o rebaixamento generalizado é transportado para o próprio sujeito da enunciação e, por  
conseguinte, para o próprio espectador que nele se projeta, e ambos riem compreensivamente  
de tudo, pois riem de si mesmos. De algum modo, fazer humor já pressupõe sentir-se fora de  
lugar, assim como fazer comédia pressupõe acusar o outro de estar deslocado.  
Quando Mendes Fradique diz que o humorismo seria impossível no Brasil, é preciso  
compreendermos que ele talvez estivesse falando da comicidade – ou seja, do uso do riso  
para rebaixar e reprovar um comportamento socialmente indesejado, como por exemplo na  
sátira, que castiga os maus hábitos. Fradique propõe que a comicidade deve funcionar apenas  
em sociedades ideais em que as regras são rigidamente seguidas. Nelas, a obra cômica  
representaria as exceções às normas, que são alvo de ridicularização. Segundo o raciocínio de  
Fradique, como uma das características típicas do Brasil é um afrouxamento ou relativização  
das regras, não pode existir comédia. Como tudo é desviante, não há desvio e, portanto, não há  
comicidade possível. Logicamente, continua não fazendo sentido levar sua proposição a sério.  
Ela se torna um paradoxo antropológico, pois temos aqui vários exemplos de obras cômicas –  
desde poemas herói-cômicos e satíricos do período colonial, até a obra do próprio fundador  
do teatro nacional, Martins Pena, totalmente dedicado à comédia musicada – além da própria  
experiência cotidiana.  
Em um sentido próximo, outros autores disseram coisas parecidas em referência a  
outros gêneros ou estilos artísticos. Por exemplo, o poeta concretista Décio Pignatari dizia  
que era impossível haver surrealismo no Brasil, pois o Brasil já é surrealista em si mesmo: “O  
surrealismo não ‘pegou’ por aqui porque o país é surrealista” (1997, p. 99). Recupera, assim, a  
proposição de Oswald de Andrade no “Manifesto Antropófago”: “Já tínhamos o comunismo.  
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Já tínhamos a língua surrealista. A idade do ouro” (p. 356) – mas em chave menos otimista  
e revolucionária, na qual o surrealismo avant la lettre como linguagem de vanguarda se  
transforma em atributo de uma realidade percebida segundo parâmetros que datam do século  
XVII: o Brasil seria “surrealista” não no sentido de uma sociedade em que o inesperado ocorre  
com frequência, mas no de que a cultura do Barroco, “o sinal nascimental de toda a cultura  
colonial espanhola e portuguesa” (p. 97), assim como o Surrealismo, com o qual guarda “notáveis  
conjunções” (p. 97), é a “supergramática” determinada pela “Igreja, a Contra-Reforma, a Igreja, a  
Inquisição, o Partido Comunista e todos os sistemas iníquos de poder” (p. 99).  
Há uma espécie de lugar-comum em se rebaixar ou elevar a experiência brasileira  
utilizando-se de algum gênero literário ou artístico que, aplicado à realidade concreta,  
explicita seu caráter diferencial, exclusivo, com uma espécie de falso distanciamento, que  
adere ao conceito. A alternância de valor positivo ou negativo não se libera de uma mesma  
dicotomia, instala-se num mesmo dilema, para que o “complexo de vira-latas” se converta  
em “superioridade” ou precedência. Esse hábito intelectual, que por vezes aparece como  
autodepreciativo, também tem um componente por assim dizer presunçoso, pois reivindica,  
pela inferiorização ou deslocamento, um status especial, único, que nenhum outro ponto  
de vista pode compreender, como uma espécie de constituição da identidade nacional pela  
autodepreciação narcísica.  
Outros humoristas, que não Freitas, fizeram a hipótese de que situações incongruentes  
e corriqueiras são justamente a fonte de ricas possibilidades de humor. José Simão, que  
ainda hoje atua como humorista na imprensa, cunhou a expressão “o país da piada pronta” para  
significar que, no Brasil, o noticiário cotidiano já é pródigo em elementos ridículos, do cacófato à ironia.  
Aqui falamos propriamente de humorismo, pois o sujeito inclui a si mesmo no “sentimento do  
contrário” pirandelliano. Por exemplo, um dos slogans do governo Michel Temer (2016-2018):  
“O Brasil voltou: 20 anos em 2”, em que o que se pretendia tacitamente “progresso” acelerado,  
retomando o slogan de Kubitschek, torna-se objeto direto do verbo “voltar”. Ou ainda: “‘Alckmin  
atribui números da violência ao tamanho da população’. Então na China seria um genocídio por  
dia! É isso?” (SIMÃO, 2012, s.p.), em que o humorista flagra o mau uso político da estatística.  
Ou então: “Piada pronta direto de Jequié, Bahia: ‘Cafetina se converte e transforma prostíbulo  
em igreja evangélica’. Dá mais dinheiro! E vão gritar muito mais! Rarará!” (SIMÃO, 2014, s.p.),  
em que a motivação para a saída da prostituição é desmascarada como pecuniária e a religião  
reconfigurada como outra forma de prostituição. Além disso, a ideia e o procedimento da  
“piada pronta” em Zé Simão não pressupõem que seja o território brasileiro a única fonte de  
relatos a prestar serviço à arte da zombaria, como em: “Príncipe Charles pede divórcio por  
traição de Camila Parker Bowles, Duquesa da CORNUALHA!” (SIMÃO, 2015, s.p.), tirando partido,  
evidentemente, de um trocadilho em português para referir a vida íntima desidealizada dos  
monarcas ingleses. Ou: “‘Após milhares de testes, laboratório suíço conclui que bola da Copa é  
redonda’. UFA! A bola da Copa é redonda. Mas a Terra é plana! Rarará!” (SIMÃO, 2018, s.p.), em  
que as minúcias da pesquisa científica são confrontadas ao senso comum; mas a autoridade da  
ciência logo retorna, como comentário adicional, em tempos de negacionismo. Nesses casos,  
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à diferença da reflexão de Mendes Fradique, o trabalho do humorista é positivo, e não interdito:  
ler as notícias para atacar o desvio (formal, situacional, moral) ali já contido, evidenciando um  
humor “espontâneo” das coisas e pessoas públicas por meio do riso direto, mais ou menos  
ingênuo ou ferino, do qual o humorista é “veículo”. Aqui, não importa a autoria da piada, mas  
é essencial a construção da figura do bufão, que seleciona e conduz o olhar do espectador ao  
acontecimento merecedor de zombaria. A carnavalização ocorre no seu pleno sentido, em que  
o cômico se dá de baixo para cima, como desrecalque e não punição.  
Na equação de Fradique, a sociedade é lida como piada e, portanto, objeto estético,  
reificada, e o humorista, como um indivíduo que não se mistura com a cena, não se vê atuante,  
é um espectador que crê não compor uma plateia, para rir em coro, mas que pensa rir isolado,  
por si mesmo, guardando para si o segredo de um humor que ninguém no entorno poderia  
compreender, pois o objeto da mofa coincide com o espírito do leitor empírico, e ambos são  
tidos por ridículos. Sua solidão de sátiro poderia servir de mote a um melodrama intelectual.  
Como, de fato, Madeira de Freitas pode aparecer como uma personagem secundária daquele  
grupo de intelectuais desencantados com as crises da república, como analisado por Nicolau  
Sevcenko em Literatura como missão (1995 [1983]). O narrador-protagonista de tal melodrama  
cômico seria o médico humorista positivista spencerista, que publicava contendas contra os  
modernistas e já estava prestes a aderir ao Integralismo:  
Humorismo é flor delicada da estufa das supercivilizações, flor de penumbra, que não  
pode vicejar no húmus quente e selvagem do trópico, de cuja exuberância se ergue,  
numa erupção ciclópica de instintos vegetais, toda a pré-antrópica e pujante brenha  
da Amazônia.  
O que por aí há com o rótulo de humorismo é o espoucar subalterno de veia  
cômica, escancarando essa coisa ao mesmo tempo hedionda, inefável e trágica  
que é a gargalhada de um burguês em convulsões da mais viçosa e fecunda  
boçalidade. (FRADIQUE, 2005 [1935], s.p.)  
Um panorama assim não prevê algumas outras possíveis e mais ativas operações de um  
textodehumorcomrelaçãoaomundosocial:afunçãomoralistae,emumsentidomaismoderno,  
de crítica social da obra de cunho satírico; o modo atenuador com que o humor permite tratar  
de temas graves e introduzi-los em debates públicos; a produção de um repertório de símbolos  
em torno dos quais se identificam e diferenciam grupos, referindo-se a eles para valorar – em  
geral negativamente, no caso do cômico – certas atitudes políticas; a polêmica, mas possível,  
função sublimatória da agressão ou do ressentimento entre grupos sociais, cordializando sua  
sociabilidade5 etc. Além disso, diga-se que o diagnóstico manifesta ignorar processos sociais  
das culturas de comunidades imaginadas (por si mesmas e por outras) às quais o médico atribui  
o mérito de serem “supercivilizações”.  
Embora colhida no prefácio de um comediante atualmente ignorado pelo cânone, a  
questão remete e pode ser contrastada com outras visões sobre a produção literária e artística  
brasileira, apreendida em conjunto e similarmente concebida como o espelho insuficiente  
5 Posição, por exemplo, de Žižek (2017).  
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de uma realidade problemática. Prolongar, além disso, a autoironia de fundo romântico à  
identidade de um povo não seria menos problemático, dado o abismo entre intelectual e a  
noção abstrata de povo, não apenas, mas flagrante e indisfarçavelmente no Brasil.  
O problema do “bovarismo” crítico e da procura dos modelos estrangeiros ganhou análise  
nacríticaliteráriabrasileira,porRobertoSchwarz,nojáclássicoensaioNacionalporsubtração”,  
de 1986, fruto de um seminário organizado por Adauto Novais para a Fundação Nacional das  
Artes (Funarte) e em seguida publicado no jornal Folha de S. Paulo, em que busca reinterpretar  
esse mal-estar na cultura da periferia subdesenvolvida do capitalismo: “brasileiros e latino-  
americanos fazemos constantemente a experiência do caráter postiço, inautêntico, imitado  
da vida que levamos” (SCHWARZ, 1987, p. 29, grifo nosso), cujos exemplos podem ser extraídos  
de variados e mesmo incompatíveis setores intelectuais, artísticos, de classe e de espectro  
político – da marcha contra a guitarra elétrica na MPB em 1967 aos protestos de classe média  
contra os direitos humanos nas prisões no governo de Franco Montoro, do projeto nacional  
de Mário de Andrade ao ufanismo do regime militar. Familiarizados à situação descrita,  
podemos nos perguntar: todos os grupos concordariam, apesar das divergências políticas,  
que a experiência de ser brasileiro é a da mimese cultural? Todas as manifestações culturais  
da dependência econômica seriam equivalentes e codependentes? Quando um Drummond  
escreve que “nenhum Brasil existe”, dissolvendo os hábitos culturais na transitoriedade, ou  
Tom Jobim declara que “o Brasil não é para amadores”, em uma inversão da relação de primazia  
intelectual que inclui tanto a desordem política quanto a complexidade cultural como produtos  
da colonização, situam a divergência política no seio de uma reivindicação de um projeto  
de Brasil, em que o plano cultural tem vantagem sobre o político pois pode, com sua ironia,  
declarar estrategicamente o “vazio” do nacional como invenção.  
A inautenticidade local manifesta, para Schwarz, o seguinte sintoma, no qual muitos de  
nós, praticantes da crítica, podemos nos reconhecer:  
Nos vinte anos em que tenho dado aula assisti ao trânsito da crítica por  
impressionismo, historiografia positivista, new criticism americano, estilística,  
marxismo, fenomenologia, estruturalismo, pós-estruturalismo e agora teorias da  
recepção. A lista é impressionante e atesta o esforço de desprovincianização em  
nossa universidade. Mas é fácil observar que só raramente a passagem de uma escola  
a outra corresponde, como seria de se esperar, ao esgotamento de um projeto; no  
geral ela se deve ao prestígio americano ou europeu da doutrina seguinte. Resulta a  
impressão – decepcionante – da mudança sem necessidade interna, e por isso mesmo  
sem proveito. O gosto pela novidade terminológica e doutrinária prevalece sobre o  
trabalho de conhecimento [...] (SCHWARZ, 1987, p. 30)  
Adiante, a dependência da crítica literária brasileira irá se revelar necessária e  
dialeticamente relativa, não porque a “impressão decepcionante” de mudança fortuita seja  
inválida; é esta impressão que motiva a crítica ao texto de Sílvio Romero a seguir, com o qual  
partilha um diagnóstico similar, mas com diferentes consequências:  
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Macaqueamos a carta de 1814, transplantamos para cá as fantasias de Benjamin  
Constant, arremedamos o parlamentarismo e a política constitucional do autor de  
Adolphe, de mistura com a poesia e os sonhos do autor de René e Atala.  
O povo, este continua a ser analfabeto.  
O segundo reinado, com sua política vacilante, incerta, incapaz, durante cinquenta  
anos, escancarou todas as portas, e fê-lo tumultuariamente, sem discrímen, sem  
critério. A imitação, a macaqueação de tudo, modas, costumes, leis, códigos, versos,  
dramas, romances, foi a regra geral. (Apud SCHWARZ, 1987, p. 40)  
Schwarz argumenta que é preciso melhor interpretar a crítica de Romero. Essa profusão  
de imitações resulta, em si mesma em um modo de operação que pede o seu próprio modelo  
analítico:  
A discrepância entre os “dois Brasis” não é produzida pela veia imitativa [...] Ela foi  
o resultado duradouro da criação do Estado nacional sobre base de trabalho escravo  
[...] Assim, a má-formação brasileira, dita atrasada, manifesta a ordem da atualidade a  
mesmo título que o progresso dos países adiantados. [...]  
O sentimento aflitivo da civilização imitada não é produzido pela imitação,  
presente em qualquer caso, mas pela estrutura social do país, que confere à  
cultura uma posição insustentável, contraditória com o seu autoconceito [...]  
A historiografia da cultura ficou devendo o passo globalizante dado pela  
economia e sociologia de esquerda, que estudam o nosso “atraso” como parte  
da história social contemporânea e de seus avanços. Visto do ângulo da cópia,  
o anacronismo formado pela justaposição de formas da civilização moderna e  
realidades originadas na Colônia é um modo de não-ser, ou ainda, a realização  
vexatoriamente imperfeita de um modelo que está alhures. Já o crítico dialético  
busca no mesmo anacronismo uma figura da atualidade e de seu andamento  
promissor, grotesco ou catastrófico. (SCHWARZ, 1987, p. 46-8)  
Assim, é preciso desconsiderar a tese de uma primeira e forte impressão etapista no  
campo da crítica cultural e estabelecer um método como que “em negativo” para a abordagem  
dos problemas críticos, que se delineava desde o título “Nacional por subtração”: a imitação não  
é evitável; o mal-estar de classe dominante não é feição nacional; as elites não se poderiam  
conduzir de outro modo; a solução não é a autorreforma da classe dominante; não faz sentido  
desconhecer o problema da originalidade, que, no entanto, não está para a imitação como  
os países adiantados para o atrasados; a historiografia da cultura não se globalizou como a  
sociologiadeesquerda;aoposiçãoentreoriginaleimitadonãoéreal;oesquemaquepressupõe  
um sujeito brasileiro, a realidade do país e a civilização das nações adiantadas não é real; “sem  
prejuízo de seus aspectos inaceitáveis – para quem? – a vida cultural tem dinamismos próprios,  
de que a eventual originalidade, bem como a falta dela, são elementos entre outros” (SCHWARZ,  
1987, p. 48); novamente a questão da cópia não é falsa, desde que liberta da mitológica exigência  
da criação a partir do nada, argumento com que conclui as teses finais.  
A contradição se estabelece quando notamos que Sílvio Romero, mesmo adepto do  
naturalismo, em seu libelo contra Machado de Assis teve por antítese o curioso mérito de  
acusar toda a elite branca de macaquear os europeus, no auge do spencerismo, e a Primeira  
República de manter a maioria analfabeta. Schwarz, por outro lado, positiva Mario de Andrade  
de Macunaíma e o Candido do “sentimento da dialética” (na expressão de Paulo Arantes),  
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enquanto recusa como politicamente inconvenientes o “grotesco” e o “catastrófico”, ora  
ideados positivamente como sintomas do anacronismo dependente, em Kafka. A mobilização  
dos juízos nos convida a procurar a que se deve conferir relevo na operação dialética de valorizar  
“o que importa, a saber, a dimensão organizada e cumulativa do processo, a força potenciadora  
da tradição, mesmo ruim, as relações de poder em jogo, internacionais inclusive” (SCHWARZ,  
1987, p. 48).  
Em conferência no I Congresso da Associação Brasileira de Literatura Comparada  
(Abralic), em 1988, Antonio Candido saúda a organização por ela significar uma “certidão  
de maioridade da disciplina no Brasil” ao atribuir aos seus membros uma “consciência  
profissional específica, que se fortalece pelos intercâmbios, os periódicos especializados e  
a vida associativa”, como conclusão de seu mapeamento de exemplos pelos quais, há mais de  
quarenta anos antes daquela fala, ele mesmo nota já haver dito que “estudar literatura brasileira  
é estudar literatura comparada”:  
O primeiro sinal disso se se encontra na mania de referência por parte dos críticos.  
Eles pareciam sentir melhor a natureza e a qualidade dos textos locais quando podiam  
referi-los a textos estrangeiros, como se a capacidade do brasileiro ficasse justificada  
pela afinidade tranquilizadora com os autores europeus participantes de literaturas  
antigas e ilustres, que, além de influírem na nossa, vinham deste modo dar-lhe um  
sentimento confortante de parentesco. (CANDIDO, 1996, p. 211-5)  
Trata-se de uma sutil e histórico-criticamente fundamentada advertência à recém-  
fundada associação, cujo comparatismo não poderia a partir dali provir de uma “mania de  
referências”, ou pressupor que a afinidade, se houver, é geradora de “tranquilidade”; tampouco  
o sentimento de parentesco deveria ser “confortante”. No esquema desta, por assim dizer,  
psicologia social observada por Candido, o crítico nacionalista, cônscio de sua subalternidade,  
eleva, porém, a dignidade da literatura nacional para defendê-la (justificativa, participação  
no modelo ilustre, sentimento confortante etc.). Entretanto, ao contrário dos esquemas de  
Romero, o conjunto ao qual o indivíduo (crítico proto-comparatista nacionalista, que Candido  
aí descreve negativamente) se referia para absorver como espelho não é problemático, mas  
entra em harmonia interna (o poeta imitador dos bons, o escritor que cita os bons etc.) e externa  
(na acomodação à posição subalterna na hierarquia do mundo literário). Analítica e crítica,  
justificando as asserções de “há quarenta anos”, a compreensão converge com a conhecida  
passagem da do “Prefácio” da 1ª edição da Formação da literatura brasileira:  
Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, e não outra, que  
nos exprime. Se não for amada, não revelará a sua mensagem; e se não a amarmos,  
ninguém o fará por nós. Se não lermos as obras que a compõem, ninguém as tomará  
do esquecimento, descaso ou incompreensão. Ninguém além de nós poderá dar vida a  
essas tentativas muitas vezes débeis, outras vezes fortes, sempre tocantes, em que os  
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homens do passado, no fundo de uma terra inculta, em meio a uma aclimação penosa  
da cultura europeia, procuravam estilizar para nós, seus descendentes, os sentimentos  
que experimentavam, as observações que faziam – dos quais se formaram os nossos.  
(CANDIDO, 2000a [1957], p. 10, grifo nosso)  
Seu olhar profundamente dialético encontra-se no impasse de, demonstrando o  
provincianismo fundador do “desejo dos brasileiros de terem uma literatura”, reconhecer os  
seusequívocos” e não incorrer no outro provincianismo, o servile, porassimdizer, deslumbrado  
com as referências estrangeiras, como advertiria, décadas depois, na Abralic.  
É, talvez, a desleitura da literatura, da história e da filosofia das metrópoles em suas  
entrelinhas, ou a não leitura dos autores mestres em ler entrelinhas (os irônicos, os cômicos,  
os absurdos, como nossa própria literatura sedia um Machado ou um Oswald, parentes de  
Sterne ou de Nietzsche) que nos cega para os dualismos do lá e do cá, em visões restritas do  
específico nacional cujos termos de comparação são geralmente os espectros que a posição  
subalterna do texto projeta, deslizando em falso no trilho de dicotomias: alto/ baixo, puro/  
impuro, branco/ nativo/ negro/ mestiço, sério/ jocoso, original/ imitado, autêntico/ impostor,  
natural/ inventado etc. Se lermos o que já escrevera Nietzsche em 1886, podemos refletir a  
respeito da mimese e do humor em um contexto mais abrangente e histórico das relações  
entre etnias e classes, em um processo que a todo momento faz paródia do provincianismo  
que orienta as impossibilidades ditadas pela crítica:  
O mestiço europeu – um plebeu razoavelmente feio, afinal de contas – precisa  
absolutamente de um traje de fantasia: ele tem necessidade da história como um  
depósito de fantasias. Sem dúvida percebe que nenhuma delas lhe cai muito bem –  
está sempre mudando-as. Considere-se, no século XIX, as súbitas predileções e  
mudanças das mascaradas de estilo; e também os momentos de desespero porque  
“nada assenta”. – Inútil apresentar-se como romântico, ou clássico, cristão, florentino,  
barroco ou “nacional”, in moribus et artibus [nos costumes e nas artes]: “não cai!” Mas  
o “espírito”, em especial o “espírito histórico”, divisa também uma vantagem nesse  
desespero: repetidamente, um novo pedaço do passado e do exterior é experimentado,  
vestido, retirado, guardado, sobretudo estudado – somos a primeira época estudiosa in  
puncto [em matéria de] “fantasias”, quero dizer morais, artigos de fé, gostos artísticos  
e religiões, preparada, como nenhuma época anterior, para o Carnaval de grande estilo,  
para a mais espiritual gargalhada e exuberância momesca, para a altura transcendental  
da suprema folia e derrisão aristofânica do mundo. (NIETZSCHE, 1996 [1886], p. 128)  
Com Nietzsche podemos, portanto, desfazer a impressão de que a impostura, o caráter  
postiço, inautêntico, imitado, os efeitos culturais da mestiçagem e do hibridismo, a sucessão  
de máscaras das identidades coletivas e, em última análise, as reapropriações das ruínas  
após a ruptura com a tradição sejam a propriedade e a negatividade exclusiva dos países  
periféricos. Eis uma plataforma dialética compreensiva de uma república mundial do Carnaval  
nas Letras, que recoloca a periferia no atraso do centro, pois em todo o mundo dito ou ideado  
moderno – e que jamais o foi plenamente, na conhecida formulação do antropólogo Bruno  
Latour (2004) –, conflituoso e contraditório, que não é o melhor dos possíveis, muita coisa é  
“precisamente como não deverá ser” e – também por isso – o humor tem seu lugar, ao contrário  
do que predicara Mendes Fradique.  
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A modernidade, aquela a que o Brasil estaria “condenado”, na conhecida expressão de  
Mário Pedrosa, seria um tempo histórico caracterizado, segundo Reinhart Koseleck, como  
aquele em que começa a haver um distanciamento cada vez maior entre a experiência, como  
cabedal de conhecimento sobre o mundo, e a expectativa, que não pode mais ser norteada pelo  
passado e se joga no desconhecido, pois desenraizado e destradicionalizado. A novidade vem  
afetar a ideia que seja válida formular acerca do próprio tempo, com o conceito de progresso,  
derivado da vivência do desenvolvimento das técnicas em ritmos desiguais sobre um globo  
visto em uma totalidade em perspectiva: “um grupo, um país, uma classe social tinham  
consciência de estar à frente dos outros, ou então procuravam alcançar outros ou ultrapassá-  
los” (KOSELECK, 2006, p. 317). O tempo histórico, assim, passa a ser visto como uma sucessão  
de etapas, e cada etapa temporal é o nome recebido por uma forma de domínio da técnica,  
considerada isoladamente, um hábito produtivo acompanhado de um estilo de experienciá-  
lo. A ênfase no progresso, ideia kantiana, faz de cada momento histórico uma experiência  
irrepetível que tende a um futuro obscurecido, mas necessariamente melhor, e a “história” é  
escrita como a narrativa desse progresso a partir de sua vanguarda. A copresença de hábitos  
descontínuos é linearizada retrospectivamente, e o olho que constrói o ponto de fuga é dado  
pelo hábito que reivindica a posição de “último” na categorização temporal dos territórios e  
técnicas. Aqui, porém, seria preciso acrescentar a participação discursiva dos que também  
passam por isso a se autodenominar atrasados, segundo o calendário da técnica, ignorando  
as ambivalências produzidas pela positividade do discurso do progresso no contraste com a  
própria experiência plural, impura de origem que ele interrompe em seus centros e periferias  
(problemas constitutivos de que o humor, a ironia e procedimentos de distanciamento, em  
suas configurações modernas, desde os românticos, foram capazes de fornecer pistas).  
ParavoltaraoparadoxodeMendesFradique, podemosfazerumexperimentoesubstituir  
a ideia de comicidade por outras formas e técnicas da cultura ou das artes, mantendo o  
procedimento de aplicá-las à vivência concreta. Diríamos: “No Brasil não pode haver tragédia,  
pois nossa vida cotidiana já é trágica”, e não soaria falso. “No Brasil não pode haver melodrama,  
pois o povo já é muito melodramático”. “No Brasil não pode haver ópera, pois nossa vida já é  
uma ópera”. “No Brasil não pode haver patafísica, pois essa já é a terra de todas as exceções”  
etc. Todas resultam em frases de efeito interessantes pelo seu humor e bastante “autênticas”.  
Ocorre que, para além da mera autodepreciação, o que produz esse efeito humorístico não é  
apenas a inferiorização do país, mas o uso de gêneros, estilos e escolas literárias e artísticas  
comoframesparadescreveraspectosdavidasocialbrasileira. Nessecaso, taisgênerosnãosão  
impossibilidades, mas códigos plenamente reconhecidos e funcionais, chaves interpretativas  
que ajudam a fazer a leitura mediada da experiência comum cotidiana, em uma teatralização  
permanente da identidade popular.  
É preciso analisar, então, por que a fórmula humorística segundo a qual “no Brasil não  
pode haver humor” pode ser levada a sério. O que está por trás desse paradoxo, que parece um  
raciocínio correto, mas não corresponde à experiência prática?  
Em primeiro lugar, há uma leitura equivocada da própria fórmula da comicidade satírica,  
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o ridendo castigat mores. Ela não significa que a plateia que ri de uma cena cômica pelo seu  
caráter excepcional ou desviante mantenha, em sua vida cotidiana, um comportamento  
maquinal de estrita observância a regras. Não rimos do palhaço porque jamais escorregamos  
em cascas de banana, mas justamente porque essa possibilidade nos acompanha e  
eventualmente ocorre, mesmo que sem a lente de aumento do picadeiro, da indumentária e  
da coreografia clownesca. Em segundo lugar, há uma leitura equivocada da própria chamada  
“experiência de ser brasileiro” e de sua representação na literatura e nas artes. O paradoxo que  
analisamos corresponde certa posição crítica corrente em ambientes mais “sérios”, e bastante  
vulgarizada no senso comum, que busca sempre constituir intelectualmente a ideia de uma  
impossibilidade no Brasil. Separa artefato literário e representação da experiência concreta  
do social para, exigindo a equivalência, elogiar afinal o peso insubstituível da realidade ou, no  
caso em que o termo de comparação é a comédia, um gênero baixo, celebrar a deformidade, a  
irracionalidade e o azar de pertencer a uma sociedade que se detesta e da qual certo indivíduo  
sesenteintelectualmenteapartado. Ocomediógrafoqueacusasuasociedadecomoumtodode  
ser incapaz de compreendê-lo se sente fora do lugar, pertencente a um outro mundo, superior,  
a partir do qual ataca as figuras que põe em cena. A impostura do objeto se transfere a uma  
impostura da vida. Nelson Rodrigues (1993) consagrou a expressão “complexo de vira-latas”  
para descrever o hábito mental brasileiro da autodepreciação constante. Muitos intelectuais  
brasileiros teriam algo do mal que acomete Mme. Bovary: sentem que há um lugar distante, um  
além, melhor do que o lugar onde se sentem deslocados e em permanente mal-estar e desejo  
irrealizável. Não é o caso, porém, de negar os problemas sociais e políticos que acometem o  
país, mas de não transformá-los em pretexto para a defesa elitista de uma indignidade cultural  
que deriva para a existencial.  
Alguns críticos leram as obras de Mendes Fradique também em chave paradoxal:  
ele teria sido revolucionário (até “modernista”) na forma cômica, mas conservador em suas  
ideias pessoais. Como analisou Isabel Lustosa, Fradique seria “algo assim como Dr. Jekyll e  
Mr. Hyde”: “pensava reacionário” e “sentia modernista” (1993, p. 15). Para Tarcísio Gurgel, “o  
humor de Mendes Fradique produz um rompimento muito mais radical que o de Oswald ou o de  
Murilo Mendes” (apud FRADIQUE, 2004 [1922], p. 11). Essa abordagem também pode ser revista:  
não é por fazer comédia que um autor é mais moderno ou progressista, pois há exemplos de  
comicidade em todas as épocas literárias e posições ideológicas. Também é preciso verificar  
a diferença entre o tipo de rebaixamento da ideia de nacionalidade proposto nas piadas de  
Fradique e nas obras de autores modernistas, os que Fradique odiava. No primeiro, há uma  
espécie de rebaixamento total, absoluto, que se volta à própria existência de um país – há uma  
fustigação, pelo cômico, da ideia do país, como se ele fizesse uma simples inversão dos sinais  
positivos do ufanismo. Nos modernistas, há uma espécie de tentativa de compreensão da  
ambivalência da experiência da colonização e seus efeitos, numa relativização dos discursos  
da autoridade, para fazer emergir aquilo que ficou reprimido, que seria espontâneo, popular e  
gracioso. Trata-se de, como diz o ditado, não “jogar fora o bebê junto com a água do banho”.  
Para o humorismo modernista, o bebê deve sair do banho rindo e pronto para brincar, como  
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na lapidar expressão de Antonio Candido, segundo a qual uma das chaves de interpretação do  
modernismo brasileiro é a promoção do “desrecalque localista” (CANDIDO, 2000b [1965], p. 111).  
Para as invectivas de Fradique, o pediatra humorista, o próprio bebê é abominável e não deve  
ter lugar.  
Hayden White (2014 [1978]) analisou a correspondência entre modos literários,  
estilos argumentativos, implicações ideológicas e figuras de linguagem para propor uma  
tipologia textual dos textos historiográficos exemplares do século XIX, pressupondo que os  
historiadores, embora lidando com materiais factuais e documentos, organizam seus relatos  
segundo modelos anteriores inscritos na linguagem: “[e]ste ato prefigurativo é poético, visto  
que é pré-cognitivo e pré-crítico na economia da própria consciência do historiador” (p. 45).  
Fazer o caminho inverso de White nos permite compreender certa visão da história contida em  
certos modos de narrar e suas implicações ideológicas.  
Seria preciso, portanto, investigar melhor o suposto “sentir modernista” de Fradique,  
que apareceria em oposição, por exemplo, a sua posterior adesão ao integralismo, modalidade  
brasileira do fascismo. Em obras suas como a História do Brasil pelo método confuso, publicada  
no centenário da Independência (mesmo ano da Semana de Arte Moderna), ele propõe uma  
espécie de desfile de figuras do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX que  
aparecem, sob uma pena demolidora, em texto e caricaturas, em eventos históricos da  
história desde o chamado “Descobrimento”, e vice-versa, personagens antigos desfilando  
no Rio moderno, em uma espécie de colagem de anacronismos duplamente ridicularizados,  
compondo uma espécie de pesadelo histórico. Como um dos muitos exemplos, temos:  
O desembarque de Pedr’Álvares e sua comitiva foi banal como o de qualquer embaixador  
latino. A galinha-d’angola foi recebida em separado por uma comissão composta dos  
srs. Pinto da Rocha, Pinto Lima, Rocha Pombo, Bulhão Pato e sportman Gallo. (p. 67)  
Ou, quando do pedido de Dom João VI para que Pedro I, ainda príncipe (mas aqui casado  
com Inês de Castro, em uma comutação de Pedros), regressasse a Portugal:  
A contrariedade foi geral.  
Oshumoristasanteviamafalênciadesuaindústriaporfaltadeassunto;asrãschoravam  
de antemão a ausência do rei; Inês de Castro munia-se prudentemente de um vidro de  
Lysol, e o sr. Xico Sales chouriçava a supressão dos almoços governamentais com o  
delfim.  
[...]  
Uma comissão composta de Epitácio Pessoa, Calógeras e Inês de Castro foi ao Catete  
implorar de Sua Alteza o sacrifício de continuar a esbanjar os cobres nacionais. (p. 129)  
O caráter “modernista” poderia ser localizado na caricatura dos heróis da pátria e figuras  
oficiais, algo que teve (e ainda tem) função de crítica do processo colonizador e seus efeitos  
continuados.Entretanto,acomicizaçãodessasfigurasnãocomeçanoséculoXX,jáaparecendo  
em chave de sátira conservadora num Gregório de Matos (em seu mote antifrástico: “milagres  
do Brasil são”, ou seja, absurdos típicos do local, amplificável a todo o conjunto satírico da  
obra) ou, entre os românticos, como Manuel Antonio de Almeida ou Bernardo Guimarães,  
liberal. Entre os modernistas, Mario de Andrade, por exemplo, também utilizará o expediente  
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do anacronismo – por exemplo, em Macunaíma, em que do pleno universo mítico e selvagem  
saltam figuras contemporâneas, integrando-se à festiva, ainda que violenta, liberação de  
elementos da cultura popular. Ou, ainda, no selvagem tecnizado de Keyserling reinterpretado  
em chave assimiladora no “Manifesto Pau-Brasil” de Oswald. A sátira de Fradique, entretanto,  
não faz oposição às teorias etnocêntricas e conservadoras que os principais modernistas,  
aqueles de fundo e forma, atacavam. Quando escreve que a Guerra de Palmares, “sem tréguas,  
entre os pretos e os portugueses, durou longos anos, terminando com o aparecimento da  
mulata” (FRADIQUE, 2004 [1922], p. 116), não está, obviamente, comemorando a miscigenação,  
nem sugerindo violência sexual do colonizador, antes propondo o caráter duvidoso do próprio  
enfrentamento, de onde extrai o efeito cômico, em que a figura da mestiça aparece como  
punch cômico. Se modernista fosse, Fradique o seria apenas na forma, pois há ao menos  
duas diferenças entre o procedimento da “colagem anacrônica” das figuras históricas entre o  
método histórico confuso e a rapsódia modernista.  
Em primeiro lugar, Fradique se distancia afetivamente da matéria e não se inclui como  
objeto da derrisão (mesmo que nos prefácios se represente como autor-personagem, elogiado,  
por exemplo, num texto ficcional atribuído a Rui Barbosa, ele não se inclui como parte do  
problema satirizado). Por outro lado, na obra de Mario de Andrade temos, como bem analisou  
Alfredo Bosi em “Situação de Macunaíma” (1988), certo “otimismo”, ligado ao projeto construtivo  
do autor e expresso no tom afetivo sobre uma matéria problemática, cujos impasses inspiram  
um paralelo “pessimismo”: “nem a cidade representa uma saída para a selva, nem a selva para a  
cidade. O sentido é de impasse; e dor pelo impasse” (p. 139, grifo no original). O afeto, portanto,  
é o que propõe o laço de identidade entre narrador e figuras, e permite a comiseração do autor,  
o que absolutamente não ocorre em Fradique.  
Em segundo lugar, o plano avaliativo da enunciação, que é negativo a priori com relação a  
toda matéria caracterizada como “brasileira”, numa espécie de inversão do nativismo romântico  
e da teoria da “obnubilação dos trópicos”, em chave juvenalesca e demolidora. Em Madeira de  
Freitas, a história é ruína – mas não ruína de um projeto ou experiência de civilização, no modo  
trágico e crítico: sua visão da história é uma alegoria do desprezo pela sociedade brasileira. Já  
em Macunaíma, o tempo mítico transforma o tempo histórico do presente em potência: sexo e  
violência, já inscritos em mitos, lendas, causos, contos, piadas e ditos populares compilados,  
estão na origem de um fundamento do nacional que choca, mas são trazidos à literatura como  
atos de negação da violência do nacional falsificado pela república “embonecada”6, constituem  
o projeto de uma identidade que fosse mais espontânea, genuína e inaugural, inclusive porque  
sua ambivalência, típica do humor, é um antídoto antiufanista.  
Assim, não podemos considerar (como tanto já se fez com relação a obras do século  
XIX na literatura brasileira) o riso como índice de necessária modernização de ideias. Madeira  
de Freitas “pensava” e “sentia” precisamente aquilo que redundaria em seu papel de membro  
do Centro Dom Vital e líder na Ação Integralista Brasileira. Rumar para a direita nada tem a ver  
6 Cito a expressão do conhecido poema “O poeta come amendoim” (1924), de Mario de Andrade em  
Clã do jabuti (in 1987, p. 161-2).  
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com um processo pessoal de insatisfação e frustração pelo pouco reconhecimento no meio  
literário, se a mentalidade básica da opção já se colocava na matéria, na armação e no sentido  
das piadas. Sua sátira tem algo do “drama de disjunção”, que White situa, com o apoio de Frye,  
Mannheim e Pepper, na historiografia ao modo satírico conservador, mas com uma perspectiva  
anterior à própria elaboração intelectual da esfera política. Não porque se tratasse de um  
comediante, mas porque tivesse por base pré-racional e autoritária “a negação de qualquer  
valor ao presente ou ao futuro” (WHITE, 2014 [1978], p. 38).  
Ainda que sua leitura hoje seja obstaculizada por uma enxurrada de personagens e  
instituiçõesqueotempoeamemóriapúblicaapagaram(tornando-ahumorparahistoriadores”,  
como brinca Lustosa), a familiaridade ideológica que Madeira de Freitas ainda desperta faz  
pensar no modo como a imagem de um Brasil satirizado como impossibilidade em si mesmo  
permanece como prefiguração na montagem de textos críticos e de interpretação da cultura  
brasileira e produz, ela mesma, seus próprios impasses. Faz pensar também na febre de  
“histórias politicamente incorretas” – do Brasil, da música, da literatura – que na década de  
2010 vinham assombrando o mercado editorial brasileiro, repletas de informações falsas, em  
que a incapacidade de disputar a interpretação dos documentos históricos leva à denegação  
deles. Ou, ainda, na moda de um tipo de comédia baseada em ódio a minorias, veiculada na  
TV e na internet, que ajudou a pavimentar, no Brasil, o que há pouco tempo seria considerado  
ficcional e ridículo, como figuras negacionistas, anti-intelectualistas, anti-institucionais e  
retrógradas, em sua recente ascensão ao poder.  
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