DOSSIÊ  
DESENHAR O FINAL DO IMPÉRIO COLONIAL: O TRAÇO  
DO CARTOONISTA AUGUSTO CID (1966-1974)  
DRAWING THE END OF THE COLONIAL EMPIRE: THE  
WORK OF CARTOONIST AUGUSTO CID (1966-1974)  
1
Sónia Pereira Henrique  
2
Maria Cristina Neves  
Recebido em: 27 de maio de 2025.  
Revisão final: 20 de agosto de 2025.  
Aprovado em: 16 de janeiro 2026.  
1 Doutora em História, com especialidade em Arquivos Históricos (23/01/2020) e Mestre em Ciên-  
cias da Informação e Documentação, na variante de Arquivística desde 30/11/2010. Ambos os graus  
académicos foram certificados pela Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e  
Humanas, em Lisboa, Portugal. Investigadora Integrada do DINÂMIACET-Iscte - Centro de Estudos  
Socioeconómicos e Territoriais (ECSH) grupo Cidades e Territórios, Lisboa, Portugal. E-mail: sonia.  
2 Mestranda em Ciências da Documentação e Informação na Universidade de Lisboa e o Mestrado  
em Museologia e Museografia na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. É pós-gradu-  
ada em Património, Gestão e Participação, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universi-  
dade Nova de Lisboa (2023-2024) e a Especializada em Ciências Documentais, variante de Bibliote-  
cas e Centros de Documentação e variante Arquivo pela Universidade Lusófona de Humanidades e  
Tecnologias (2007-2010). E-mail: cristinasoaresneves@gmail.com  
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Resumo: O desenho da espacialidade colonial através do cartoon e a sua leitura em contex-  
to, conforme outras tipologias documentais nos arquivos, permitem equacionar um espaço  
público, um território hermenêutico no qual crítica social, função moral, expressão artística  
e impacto cultural operam enquanto fronteiras, possibilitando reavaliar valores, mesmo em  
momentos-chave, conforme a guerra colonial, em África. Assim, a representou Cid, partici-  
pante ativo durante a guerra, com o seu desenho e depois desta, enfrentando a censura ao seu  
trabalho.  
Palavras-chave: guerra, humor, opinião pública, imprensa.  
Abstract: The utilisation of cartoons as a medium to depict colonial spatiality and its contex-  
tual reading alongside other documentary typologies in the archives enables us to equate pub-  
lic space, a hermeneutic territory in which social criticism, moral function, artistic expression  
and cultural impact act as frontiers. This enables a re-evaluation of social values, even during  
pivotal moments such as the colonial war in Africa. Cid’s approach conveys his artistic repre-  
sentation of the conflict, both as an active part of it and as a result of censorship.  
Keywords: humour, press, public opinion, war.  
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Introdução  
O presente artigo ao revisitar a expressão artística de Augusto Cid (1966-  
1974), na sua qualidade de cartoonista, intersecta o impacto do seu processo  
humorístico ao nível da opinião pública na formação do Portugal contemporâneo3.  
A cronologia definida compreende a montante o ano de 1966, o qual marca o início  
da publicação deste seu trabalho, em Angola – aquando da sua participação na  
guerra colonial – e a jusante o ano de 1974, considerando que a publicação da  
obra “Que se passa na frente?!!”, na qual foi republicado algum deste trabalho, foi  
editada em dezembro de 1973 tendo sido efetivamente distribuída em fevereiro  
de 1974.  
Asquestõesdegovernaçãoeadministraçãoaludindoaosplanosdefomento  
e aos avanços e recuos de um território que se distanciava da metrópole – foram  
mapeados através deste compromisso entre a Arte e a informação, que o trabalho  
de Augusto Cid representou, sem perder de vista a inscrição nos arquivos. O  
acesso ao seu arquivo pessoal, atualmente em depósito no Arquivo Histórico  
de Cascais4, e o cruzamento com documentos localizados em outras unidades  
culturais, permitiram estudar a leitura que o olhar acutilante do autor trouxe de  
tópicos políticos complexos como o foram a guerra colonial. Um exercício que se  
pode empreender, conforme pretende o texto explorar, a dois níveis – observando  
a qualidade de participante externo, e ou observando a qualidade de participante  
ativo, na última fase do colonialismo português tardio.  
De um ponto de vista metodológico o texto explora o estudo do humor, bem  
comoasuaintersecçãocomaimprensaeosestudoshistóricosdepolíticacolonial,  
recorrendo ao cartoon enquanto fonte primária. Esta opção metodológica, na  
qual se optou por analisar a produção do autor, outrora miliciano nas fileiras  
em Angola – papel que lhe permitiu protagonizar o episódio “Linha da Frente”  
– é justificada considerando o facto de que estes ensaios visuais constituem  
3 Neste artigo as autoras seguem a norma do português europeu. Adicionalmente, optaram pela utili-  
zação dos termos cartoonista e cartoon, consagrados pelo uso em Portugal, em detrimento dos termos  
cartunista, cartum ou charge.  
4 Os documentos de arquivo podem ser consultados no Arquivo Histórico Municipal de Cascais.  
Código de referência: PT/CMCSC-AHMCSC/APSS/AJMSC. A história administrativa e custodial  
do fundo encontra-se acessível em: Cid, Augusto José de Matos Sobral. Arquivo Digital Cascais.  
Disponível em: https://arquivodigital.cascais.pt/xarqweb/Result.aspx?id=400773&type=PCD. Aces-  
so em: 15 ago. 2025.  
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um campo de investigação determinante para a análise do tempo histórico  
conjugando mensagens, horizonte de expectativa e conotação de imagem. A boa  
receção deste trabalho gráfico em Angola, aquando da sua produção, contrasta  
com a censura recebida, mais tarde em Portugal, quando regressado o autor  
procura republicar aquele trabalho. Nesse sentido e enquanto argumento, a  
escolha dos desenhos não poderia recair sobre outra amostra documental.  
No que respeitou a guerra colonial, na qual Portugal e Angola foram parte  
ativa, edaqualseconsidera,nesteestudo,comoseusatoresprincipaisoshomens  
que estiveram no teatro de operações – a chamada linha da frente – justifica-se a  
escolha do tema não porque não tenha sido alvo de diversos estudos ao longo do  
tempo, mas porque no que se refere à retórica da imagem, este ainda configura  
um tópico científico com diversas facetas por explorar. Não obstante, o trabalho  
que agora se apresenta visa contribuir para o aprofundamento da compreensão  
sobre o cartoon produzido em contexto de guerra. Ter recorrido ao trabalho, em  
nosso ver, singular, de um autor e artista gráfico português como o foi Augusto  
Cid, deve-se à sua qualidade e ao facto de este ter sido participante na linha da  
frente – o que para estudiosos de temas pretéritos possibilita problematizar a  
temática complexa dos conflitos de libertação, homenageando, em simultâneo,  
o fenómeno comunicacional gráfico.  
O humor na imprensa impressa portuguesa - origens e desenvolvimento  
A história da imprensa portuguesa desde a sua origem até 1865 abordou a  
importância do humor na comunicação impressa em momentos de particular  
dificuldade, como foram a transição do Antigo Regime para o Estado Liberal  
(TENGARRINHA, 2013). Este fenómeno, de conseguir abordar temas de extrema  
conflitualidade e fragilidade, inevitavelmente, impactou a formação de opinião  
pública (ALVES, 2015). Este hiato, considerado desde a Antiguidade um espaço  
intermédio entre a ignorância e a ciência (PLATÃO, 2001, p. 263-264). Em Portugal,  
e ao nível de política editorial, o Almocreve de Petas (1797-1800) considera-se o  
primeiro periódico a recorrer ao humor (FERREIRA, 2018). Apesar da publicação  
não conter imagética, conforme se pode verificar na compilação publicada por  
J.F.M. de Campos em 1819, a qual se encontra disponível na biblioteca digital  
Internet Archive (2009), os seus conteúdos trouxeram apontamentos que  
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marcaram a transição da nação ao nível, sobretudo, da sua opinião pública para  
um Estado liberal (FERREIRA, 2020). Ainda demorou até que se assistisse no  
país, à introdução de imagem na imprensa, a qual acontece com o suplemento ao  
jornal diário O Patriota (1843-1853), O Burlesco em 1847.  
Figura 1- Imagem gráfica do suplemento ao jornal O Patriota O Burlesco até 1847-08-26.  
Fonte: Hemeroteca Municipal de Lisboa (HML).  
Figura 2 - Imagem gráfica adotada suplemento ao jornal O Patriota O Burlesco.  
Fonte: Série II, nº 1079 (1848-01-10). Hemeroteca Municipal de Lisboa (HML).  
Este suplemento compreendia uma folha político-satírica ilustrada,  
propriedade de Manuel de Jesus Coelho, que apresentava inicialmente uma  
imagem austera vindo a modificar o seu branding ainda durante a sua 1ª série.  
Este refrescamento ao nível da imagem aconteceu após a publicação do seu nº 5  
a 26 de agosto de 1847, e foi assim que o periódico testemunhou o processo que  
conduziu ao golpe regenerador de 1851 – viabilizado por cartistas e setembristas  
moderados, e à primeira reforma da Carta Constitucional, através do Acto  
Adicional de 1852 (HEMEROTECA, 2016).  
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Figura 3 - Ilustração alusiva às Obras Públicas do Reino  
Fonte: O Burlesco, I, nº 5 (1847-08-26). Suplemento ao nº966 do jornal O Patriota, p.19. Hemeroteca Mu-  
nicipal de Lisboa (HML).  
A sátira, enquanto forma de crítica social, tanto pode ser divertida quanto  
incisiva, utilizando elementos humorísticos para provocar reflexão, o que inclui  
o recurso a dialética de subalternos (DETERALA, 2020). Aguiar e Silva (2002)  
explorou a sátira em diferentes contextos históricos e culturais, destacando a sua  
importância na literatura e na comunicação social ao expor as falhas verificadas  
na sociedade, em particular na crítica das figuras e instituições políticas, visando  
temas como a corrupção política, a inoperabilidade e a incompetência. O que nos  
leva a questionar o funcionamento do discurso icónico, em contexto de conflito,  
em particular nos tópicos associados à política colonial. E no qual parece haver  
razoabilidade no facto de que o colonialismo não civilizou, desumanizando tanto  
o colonizado quanto o colonizador (CÉSAIRE, 2024)5.  
Historicamente, e do que se encontra publicado, o discurso icónico tem  
desempenhado um papel significativo na formação da opinião pública e das  
narrativas políticas durante os conflitos coloniais. Na segunda metade de XIX,  
os lançamentos de periódicos de humor de Raphael Augusto Prostes Bordallo  
Pinheiro (1846-1905) trouxeram outro fôlego à imprensa de humor portuguesa.  
Começando por lançar o Binóculo (1870), jornal de crítica teatral, lançando pouco  
depois A Berlinda (1871), de que saíram sete números Bordalo teve uma passagem  
5 A 1ª edição deste manifesto contra o colonialismo e o racismo institucionalizado surge em 1950  
com o título Discours sur le colonialisme. Trata-se de uma referência central para os estudos pós-co-  
loniais, influenciando a título de exemplo Frantz Fanon, Edward Said e Ngũgĩ wa Thiong’o.  
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entre 1873 e 1874 pelo Ilustrated London News, como correspondente em Madrid,  
na qual impôs o seu nome artístico, Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) fundando,  
em 1875, A Lanterna Mágica (MATOS, 2013). Sendo neste último, um mês após o  
seu lançamento, que Bordalo publicou o seu cartoon mais icónico o “Zé Povinho”,  
conforme se pode verificar na figura 4.  
Figura 4 - A “S. Pedro … Paio” Litografia de R. Bordallo Pinheiro  
Fonte: A Lanterna Mágica, 26-06-1875, p. 52-53. Hemeroteca Municipal de Lisboa (HML).  
Este arquétipo desenhado por Bordalo, compreendia uma figura grotesca a  
qual representava um camponês analfabeto, que apesar de soberano do tudo e do  
nada (OLÍMPIO, 2013, p. 16), foi adotada como personificação nacional portuguesa  
(FRANÇA, 2004), ainda hoje se mantendo como um ícone.  
Figura 5 - Capa do 1º número do periódico A Paródia (1900).  
Fonte: Hemeroteca Municipal de Lisboa (HML).  
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Mais tarde, A Paródia (1900-1907) – o terceiro projeto editorial de Bordalo –  
procurou colocar a ilustração ao serviço de uma crítica dirigida à coisa pública,  
a qual o próprio nomeia por “a anedota pública”. Ainda assim, não se pense que  
Bordalo apenas criticava a política nacional. Aquando deste último projeto  
podemos compreender que e, no âmbito da sua atividade profissional, o artista  
operou, inclusive, ao nível diplomático (DIOGO, URZE, SIMÕES, 2023). Não se  
tratava de criticar para ridicularizar ou para suscitar riso, mas de criticar para  
infundir algum tipo de melhoria, e isso foi evidente com a sua participação pública  
no âmbito das pressões a que Portugal esteve sujeito, no seguimento do ultimato  
inglês.  
Uma cultura visual colonial ou um arquivo visual colonial?  
Compreende-se que o humor encontrado na imprensa, conforme explorado e  
conforme se verifica no trabalho de Augusto Cid, não tem o objetivo primordial de  
levar o público a rir, mas a pensar nos acontecimentos (FERNANDES, 2016, p. 216).  
No caso, não se trata diretamente do humor ou do riso como categoria filosófica  
ou psicológica, mas de oferecer uma crítica que pode estar e ser relacionada  
ao tema da identidade, representação e alienação (FANON, 2008), e mesmo de  
como o outro fora forçado a viver sob uma identidade imposta, construída por  
olhares externos (SAID, 2004). A denúncia desta violência simbólica associada ao  
colonialismo decorreu em várias frentes, sendo encontrada em diversos teóricos.  
Fanon, a título de exemplo, fê-lo através da psicologia e da linguagem; Said  
através da crítica literária e cultural. Pese embora, Said não analise diretamente  
o humor, a sua crítica ao discurso orientalista permite pensar o humor nonsense  
como forma de resistência.  
As imagens políticas criadas em tempo de conflito ou disputa são disso bons  
exemplos, nos quais percebemos no desenho a estigmatização do adversário  
(RAVI, BENHAÏM, 2022). E se durante o período monárquico o protagonismo desta  
representação era parcelado entre o inimigo, Napoleão, e os seus opositores,  
encarnadosatravésdeperfis:opatriota(Espanha),ocamponês(Rússia),osimples  
soldado (Alemanha) ou o homem comum (Inglaterra, França, Holanda, Alemanha)  
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(RÉGNIER, 1996, p. 83) e Portugal. Durante a Primeira República (1910-1926), a  
cultura visual que incidia no colonialismo português mediava uma dialética na  
qual a infantilização e a feminização das colónias, embora empregues, não eram  
exclusivos do caso português, verificando-se contexto idêntico nas imprensas  
francesa e britânica (SCHIBELINSKI, 2016, p. 79).  
O desenrolar da guerra colonial no ultramar português (1961-1974) possibilitou  
que se assistisse a um momento estruturante para a imprensa, principalmente  
para o serviço de noticiários. Mantendo lógicas propagandistas, como foi o caso  
da revista Antena (01-03-1965 a 15-10-1968), ao serviço da estação de rádio sua  
proprietária, a qual foi utilizada como montra promocional da primeira, ao invés  
de um canal para debate alargado (HENRIQUES, 2016). Este exemplo, ilustra o  
facto de que não são apenas os padrões, conforme o veículo através do qual era  
transmitidaamensagem,quetêmasuaimportâncianoprocessocomunicacional.  
E neste âmbito, a imprensa ilustrada desempenhara um importante papel tanto  
na divulgação quanto na “criação” do império colonial português (MARTINS, 2012).  
Poroutrolado,acaricatura,conformerevisitadonaspublicaçõesdeXIX,tende  
a aumentar e a destacar um aspeto narrativo na imprensa ilustrada, permitindo  
ao artista gráfico colocar em agenda determinado tópico, não raro implicando  
um ataque (OLIMPÍO, 2013, p. 125), através de uma imagem estereotipada (ROCHA,  
2022, p. 31). Por sua vez, o cartoon representa uma proposta de eliminação dos  
sinais de identificação do referente, mantendo-o, todavia, dentro do contexto  
cultural conhecido acompanhada de uma declaração crítica (FERNANDES, 2016,  
p. 217) e de um manifesto de intervenção (OLIMPÍO, 2013, p. 125). Contudo, e  
concordando com Ana Rocha (2022) não parece ser possível tecer considerações  
sobre o humor, na qualidade de discurso social, sem entender a relação entre  
criador-imagem-recetor, bem como a sua dimensão social e política.  
Adicionalmente, sabendo que todo o discurso social é proliferante, já que  
se expande de um modo contínuo, sobretudo quando se menciona a união entre  
discurso social e imprensa periódica, ao abordar o contexto da guerra colonial  
importa ter presente que não é tão importante quem pode falar como quem vai  
ouvir (SPIVAK, 2012). A questão da compreensão do signo, conforme a explorou  
Peirce(1978),oqueéaimagem,oquediz,ecomoodiznecessitadeprotocolospara  
a leitura. A teoria semiótica de Peirce auxilia na medida que a iconografia de um  
tema ou de assunto deve ser acompanhada de um estudo de significado da obra.  
E neste ponto a obra de Cid, aqui abordada, parece-nos paradigmática. Porque  
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este trabalho hermenêutico, inevitavelmente, implica compreender significados  
primários, significados secundários e significados intrínsecos (JOLY, 2008).  
Em 2020, Jair Rattner6 publicou um artigo no qual estudou os jornais  
publicados por soldados portugueses da guerra colonial, que, como refere, é um  
tema pouco explorado nos estudos da história do jornalismo em Portugal. Nesse  
estudo há uma proposta de classificação do uso do satírico na imprensa mediante  
categorias: o dia-a-dia; os militares e os civis; a situação militar ineficiências; o  
inimigo e as hierarquias militares. Para a proposta, o autor utilizou como objetos  
de estudo e fontes cerca de 240 jornais de unidades existentes na Biblioteca do  
Exército, que foram escritos e publicados em Angola, Moçambique, Cabo Verde,  
Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe (RATTNER, 2020). Inevitavelmente, todas as  
classificações propostas foram encontradas no trabalho de Augusto Cid.  
Rosseau, conforme os clássicos, preferia uma sociedade na qual a moral  
fosse cultivada pela educação e pela razão, não considerando o riso um regulador  
social legítimo, mas um reflexo de insensibilidade e mesmo de desigualdade  
(ROSSEAU, 2015). Ao reler a teoria de Hobbes (2020), o qual considera o riso  
perigoso por alimentar o orgulho e a desigualdade, é reconhecido que o riso pode  
funcionar como um instrumento de regulação social, corrigindo comportamentos  
desviantes ou ridículos. Ainda que tal pareça uma forma negativa de correção,  
baseada na humilhação pública, e não na educação ou na empatia.  
O trabalho de Cid e a sua expressão no colonialismo tardio português  
Augusto José Matos de Sobral Cid (1941-2019), natural da cidade da Horta,  
na ilha do Faial, Açores exerceu durante grande parte da sua vida a atividade  
de desenhador de cartoons de cariz satírico e político, publicando ao longo de  
cerca de quatro décadas em revistas e jornais, alguns dos quais ideologicamente  
comprometidos, como o Jornal Povo Livre do Partido Social Democrata, o Diabo  
dirigido por Vera Lagoa, o Independente e nos últimos anos de atividade, o  
semanário SOL.  
Em 1962, um ano após o início do conflito armado entre as forças militares  
portuguesas e os movimentos nacionalistas emergentes nas colónias africanas  
6 Doutor em Ciências da Comunicação, mestre em Língua e Cultura Portuguesas e graduado em  
Jornalismo. É jornalista desde 1983, sendo atualmente investigador do ICNova (PT).  
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administradas e governadas por Portugal, o então jovem de 21 anos Augusto  
Cid inscrevia-se nas provas de aptidão na Escola Superior de Belas-Artes de  
Lisboa (ESBAL)7, tendo sido admitido. Vencidas duas matrículas, uma em 1962  
e outra em 1964, mas insatisfeito com o sistema de ensino, desistiu do curso  
de Escultura8. Esta sequência de eventos, determinou o ingresso no serviço  
militar e a mobilização na qualidade de furriel miliciano atirador, integrado na  
Companhia de Cavalaria do Batalhão de Cavalaria (CCav/BCav), com destino a  
Angola9. Havendo sido destacado para Caripande, Cid descreverá mais tarde o  
local como um…  
minúsculo posto de fronteira com a Zâmbia no leste de Angola onde o Governo  
Português persistia em manter meia dúzia de funcionários da Guarda Fiscal e um  
pelotão de cavalaria com a missão de zelar por esse posto de fronteira se bem que a  
escassa população da zona tivesse há muito desaparecido e com ela o comércio com o  
outro lado da fronteira (CID, 1997, p.[1]).  
Cerca de um ano depois da sua chegada, a qual aconteceu no final do ano de  
1965, Cid começa a colaborar, no Jornal da R.M.A. (Região Militar de Angola)10. O  
jornal tinha redação e administração no Quartel-General da Região Militar Angola  
(QG, R.M.A.) e era composto e impresso na NEOGRÁFICA, em Luanda. Tratava-se  
de um periódico mensal, saindo para as bancas a cada dia 15, tendo sido impresso  
pela primeira vez em agosto de 1966. Em dezembro, quando se encontrava a  
compilar o seu 5.º número, Cid iniciou a sua colaboração, que foi continua até  
outubro de 1967.  
Apesar do estudo que agora se apresenta, incidir nesta produção do artista,  
Cid não foi o único a retratar a guerra colonial. E, em todas as ex-províncias do  
império português, foram verificados contributos semelhantes em outros jornais  
(TORRES, 2012). Em Angola, e antes de Cid, a título de exemplo, a revista Notícia  
7 Atual Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.  
8 Conforme livro de registos da Universidade de Lisboa, estava inscrito nas seguintes Cadeiras do 1.º  
ano: Desenho de estátua, Iniciação de pintura, Iniciação de escultura, Geometria aplicada, 1.ª parte;  
História Geral da Arte, 1ª parte; Tecnologia da Pintura (noções gerais); Tecnologia da Escultura (no-  
ções gerais).  
9 Vigorava então a Lei do Recrutamento e Serviço Militar de 1 de setembro de 1937 (Lei nº. 1:961)  
que determinava que todos os indivíduos do sexo masculino que completassem vinte anos entre ja-  
neiro e dezembro fossem recenseados no mês de janeiro. Em 1968, a Lei do Serviço Militar, nº. 2135,  
de 11 de julho, vem alterar a idade de recenseamento para os 18 anos de idade.  
10 Acoleção de jornais da R.M.A. foi consultada na Biblioteca do Exército, em Lisboa. Cota: 1.845/A.  
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publicava cartoons criados por Fernando Gonçalves, sendo o mais destacado o  
arquétipo “Zé da Fisga”, na qual era apresentado o soldado português destacado  
para Angola, durante a Guerra Colonial. Este cartoon que ocupava uma das  
páginas centrais do semanário – impressa a cores – manifestava um traço no qual  
não se evidencia maior observação crítica retratando-se um soldado português  
infantilizado – um bom rapaz, quase ingénuo, no contexto de guerra.  
Figura 6 – “Zé da Fisga” na revista ilustrada A Notícia.  
Fonte: TORRES, 2012: anexos xvi.  
O trabalho gráfico apresentado pelo Jornal onde publicava Cid, tinha outra  
complexidade comparativamente ao da revista Notícia, podendo ler-se nos  
trabalhos várias camadas compositivas. No Jornal da R.M.A., os cartoons eram  
publicados na secção humorística denominada “Calhambeque”, normalmente na  
página 17, na qual, a par de Augusto Cid, publicavam autores como Tony Bastos,  
Fernando Higino Abreu, Rui Manuel, entre outros.  
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Figura 7 - Página humorística Calhambeque do Jornal da R.M.A, n.º 10, (15-05-1967).  
Fonte: Fotografia de Neves, C. (2023).  
Na edição de março de 1967, do Jornal da R.M.A., é impressa na ficha técnica  
uma miniatura do desenho da capa com a seguinte legenda «É tempo de Páscoa,  
Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade. (Desenho  
do furriel miliciano, José Augusto Cid [sic], SPM11 9816)». Nesse mesmo número,  
na página 6, Cid é anunciado como vencedor do primeiro prémio para a rubrica  
de “Desenho de capa”, o qual lhe valeu 250 escudos12, e da rubrica de “Anedota  
ilustrada” – este um pouco mais expressivo no valor de 300 escudos13 – e ainda da  
categoria “Correspondência” granjeando as seguintes palavras da redação: «Não  
há dúvida que continuou e bem. Todas as anedotas que enviou foram apreciadas,  
algumas das quais vão já publicadas. As outras poderão vir a ser publicadas nos  
próximos números. Os meus parabéns!.  
11 Serviço Postal Militar.  
12 Moeda em vigor em Portugal, e nas ex-colónias administradas e governadas por Portugal, à época.  
Esta quantia, atualmente, corresponde a cerca de 103€ considerando a inflação. O acesso a estes cál-  
culos pode ser realizado através do simulador de inflação da Pordata, o portal estatístico da Fundação  
Francisco Manuel dos Santos lançado em 2010. Referenciado na bibliografia.  
13 Cerca de 124€, conforme indicado no simulador de inflação da Pordata.  
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Figura 8 - Desenho da autoria de Cid para a capa do Jornal da R.M.A, n.º 8, de 15 de março de 1967  
Fonte: Fotografia de Neves, C. (2023).  
O facto de as ilustrações de Cid terem sido objeto de capa apontam o modo  
como eram recebidos os seus trabalhos. A este respeito, ficamos a saber através  
do próprio, que os cartoons eram bem aceites, como comentou, anos mais tarde  
numa entrevista14: «Esses pequenos cartoons eram depois enviados a uma  
revista militar em Luanda, que começou a habituar-se a esses meus desenhos e  
que reclamava sempre que não recebia pontualmente essa minha colaboração»  
(UM DIA COM…, 1973).  
No entanto, o motivo que levou Cid a Angola foi o mesmo que anunciou o final  
da sua colaboração com o Jornal da R.M.A.. Assim, ao terminar a 12 de dezembro  
de 1967 a sua comissão, Cid regressava a Portugal continental. Teria ainda uma  
participação no Jornal da R.M.A., a 15 de junho de 1968, com a publicação de uma  
ilustração para o texto intitulado “O garoto de Massangano” de autoria de João  
Silva Maia. Um texto de pendor humanista que narrava a deslocação do militar  
14 Para o programa da RTP, Um dia com…”, realizado em 1973.  
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à povoação histórica15. Na publicação, a determinado ponto pode ler-se «Hoje,  
que conheço Massangano, sinto que o passado tem muito pouca importância  
se não formos dignos dele». Valorizando a educação, concretiza “precisamos de  
todos, urgentemente de todos […] de «todos os garotos de Massangano», que  
existem por esta Angola fora”, nos bancos das escolas. Porque receava o militar  
no porvir «e algum dia eu souber que ninguém agarrou naquele garoto e o trouxe  
para a cidade». Um emblemático desenho de Augusto Cid, utilizado para criticar  
o poder e os costumes portugueses.  
Figura 9 - Desenho da autoria de Cid para o Jornal da R.M.A, n.º 23, (15-06-1968)  
Fonte: Fotografia de Neves, C. (2023).  
Ao longo de um ano e meio, Cid contribuiu com cerca de 33 desenhos, alguns  
dos quais redesenhados e posteriormente publicados no livro “Que se passa  
na frente?!!”. Como elucida na segunda capa o coeditor Carlos Jorge Peres:  
«Augusto Cid começara a reunir material para um futuro livro, ao qual juntou  
outros desenhos». O resultado da coleta foi publicado num álbum de 126 páginas,  
15 Sobre esta povoação histórica destacam-se as obras do Arquitecto Fernando Batalha, “Em Defesa  
da Vila do Dondo” (1963) e “Em Defesa do Património Histórico e Tradicional de Angola (1963).  
Batalha dedicou mais de 50 anos à preservação, defesa e inventário do património de Angola (1935-  
1991), colaborando com o Instituto de Investigação Científica do Ultramar, o Gabinete de Urba-  
nização do Ultramar e a Comissão Provincial dos Monumentos Nacionais de Angola. A defesa do  
património de Massangano torna a merecer destaque na obra Povoações Históricas de Angola (BA-  
TALHA, 2008, p.49-65). O seu espólio encontra-se à guarda da Academia Nacional de Belas Artes,  
em Lisboa desde 2012.  
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não numeradas, impresso em dezembro de 1973, na Litografia de Portugal, na  
Rua da Rosa, Lisboa, num total de 5.000 exemplares. O álbum teria um custo de  
100 escudos para Portugal Continental e Ilhas, e 125 escudos para as Províncias  
Ultramarinas.  
Tabela 1 - N.º de ilustrações publicadas  
Jornal da R.M.A.  
Ano n.º  
Data  
N.º de ilustrações  
1
1
1
1
1
1
1
1
2
2
2
2
5
6
15/dez/66  
15/jan/67  
15/fev/67  
15/mar/67  
15/abr/67  
15/mai/67  
15/jun/67  
15/jul/67  
15/ago/67  
15/set/67  
15/out/67  
15/jun/68  
3
3
2
8
1
2
2
3
1
4
3
1
7
8
9
10  
11  
12  
13  
14  
15  
23  
Fonte: Neves, C. (2023).  
Mais de duas décadas depois, em 1997, entrevistado pela jornalista Clara  
FerreiraAlvesparaprogramaFalatóriodaRTP2,comotema“OCartoonPolítico”,Cid  
descrevia os acontecimentos que envolveram a publicação desse álbum. Durante  
vários anos, o autor se deparou com a dificuldade de encontrar um editor, tendo  
sido por diversas vezes recusado na sua intenção de republicar aquele trabalho. O  
que levava os editores a recusar o trabalho de Cid, parece ter sido, por um lado, a  
polémica do tema, uma vez que o artista representava graficamente os militares  
e alguns dos seus comportamentos no palco de guerra, recorrendo a caricaturas.  
Por outro lado, a conotação associada às suas mensagens era bastante crítica. E  
isso fez com que o modo como o trabalho foi recebido em Angola, durante a sua  
produção e publicação inicial, fosse contrastante com a receção do trabalho em  
Portugal. Sujeito à censura militar em Portugal, o seu trabalho foi reduzido para  
metade.  
Naaltura, eapesardarejeição, mantendoaintençãodepublicarosdesenhos,  
apesar dos constrangimentos a que foi sujeito, Cid contra-argumentou a censura  
que o seu trabalho sofreu alegando a prévia publicação no Jornal da R.M.A.,  
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ao que obteve como resposta: «uma coisa é a frente do ataque, outra coisa é  
a retaguarda, na retaguarda não se pode brincar com a guerra» (O CARTOON  
político, 1997). Perante esses fatos, o autor resolveu produzir uma edição própria,  
correndo o risco consciente e enfrentando a possibilidade de ser preso. O que na  
sua opinião sequer faria sentido, considerando que este trabalho compreendia a  
republicação de cartoons previamente publicados em Angola. Adicionalmente, ao  
publicar o álbum, Cid partilhava, sobretudo, a sua experiência na guerra colonial  
através dos cartoons, desde o momento de embarque até ao regresso a Portugal  
continental. Um depoimento no qual se percebe o seu olhar observador, crítico e  
irónico, mas também humorístico.  
A viagem, ali, inicia-se em um cais de embarque de um porto, com um ato  
de despedida do soldado que abraça uma jovem desconhecida que enverga  
uma minissaia. Em seguida, as más condições do alojamento no paquete e a  
lotação das cabines foram alvo de registo, desenhando beliches sobrepostos  
até ao limite da página. Caricaturou a inexperiência dos jovens recrutas atirados  
para o cenário de guerra, as emboscadas no mato, as dificuldades encontradas  
no ambiente natural e os encontros indesejados com animais selvagens, e as  
conversas sem sentido atrás das barricadas: a preocupação inusitada sobre  
o ingrediente principal da próxima refeição, as trocas de mantimentos, ou  
o resultado de um jogo de futebol relatado no rádio. Retrata as dificuldades e  
morosidade das comunicações, contornadas com subtileza por um soldado que  
pretendia enviar notícias para a sua família de forma mais célere, e onde se lê na  
legenda: «Descobri que quando escrevo “A bem da Nação” no aerograma ele chega  
lá mais depressa»16. Relata ainda a precariedade das instalações no terreno por  
analogia à fragilidade da situação política, representadas por uma torre de vigia  
que um pica-pau ameaça derrubar, ou mesmo por uma ponte que se desmorona,  
no momento da inauguração.  
16 Saudação comumente utilizada para terminar um texto oficial, durante o Estado Novo.  
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Figura 10 - Desenho Publicado no Jornal R.M.A. a 15-12-1966 (esquerda), e redesenho publicado na 1.ª e  
2.ª edições do livro “Que se passa na frente?!!.  
Fonte: Fotografias de Neves, C. (2023 e 2025).  
A proposta de classificação de Rattner (2020) relativa ao uso do satírico na  
imprensa por categorias além do quotidiano dos militares referia, de igual modo,  
as ineficiências associadas à situação militar, o que inevitavelmente incluía  
a menção ao inimigo, mas também as hierarquias militares. E neste ponto, é  
interessante ler como o traço de Cid inverte o sentido da guerra, colocando o  
soldado português à frente da arma da criança angolana, denunciando a aparente  
falta de critério na seleção de soldados – recrutados, independentemente,  
de especialidade – ou mesmo do despreparo dos recrutas, demonstrado pelo  
soldado que em lugar da arma carrega uma tuba pelo mato.  
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Figura 11 - Desenho publicado no Jornal R.M.A. a 15-06-1967 (esquerda), e redesenho publicado na 1.ª e  
2.ª edições do livro “Que se passa na frente?!!.  
.
Fonte: Fotografias de Neves, C. (2023 e 2025).  
Ironiza o gozo da licença, com o mergulho de um soldado nas águas de um  
rio que delimita a guerrilha. Mas, também observa as relações dos soldados  
com a comunidade nativa, sobretudo com as mulheres, que representa com  
contornos curvilíneos. O livro termina com a viagem de retorno, aludindo ao cais  
de desembarque, explorando o choque entre um Portugal fechado – representado  
pelas mães e esposas que aguardam os soldados num momento muito desejado  
– mas, ainda assim, bastante diferente do esperado.  
Figura 12 - Imagem das capas dos álbuns “Que se passa na frente?!!” da autoria de Cid. Da esquerda para  
a direita, 1.ª e 2.ª edição  
Fonte: Fotografia de Neves, C. (2025).  
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O álbum foi distribuído em fevereiro de 1974, nas vésperas do golpe militar  
em 25 de abril, que terminaria com 41 anos de um regime político ditatorial, o  
Estado Novo – fundado por Oliveira Salazar e continuado por Marcelo Caetano  
entre 1968 e 1974. O fim de um regime desgastado também pelas consequências  
dos conflitos com Angola, Guiné e Moçambique, e a pressão da comunidade  
internacional contra o colonialismo.  
Mais tarde, no mesmo ano em que foi entrevistado por Clara Ferreira Alves,  
em 1997, deu-se a publicação da 2.ª edição do livro “Que se passa na frente?!!”,  
dado que 1.ª edição se encontra esgotada desde 198617. Com o editor no Porto,  
ContemporâneaEditora, Lda., anovaediçãoérevistaeaumentada, contandocom  
132 páginas não numeradas. Acresce uma introdução a esta edição onde o autor  
descreve textualmente o aquartelamento onde estava instalada a Companhia  
dois tristes torrões, uma velha casa de chefe de posto que servia de abrigo aos  
graduados, uma caserna e duas outras casas onde viviam os guardas fiscais, …contava  
ainda com um novo edifício da P.I.D.E.18 por estrear e uma velha loja que a ausência de  
comércio havia transformado numa ruína. (CID, 1997, p. [1])  
E acrescenta que nesse local inacessível, desolador e de abandono, onde  
o reabastecimento era realizado via aérea ou fluvial, estavam 40 homens, entre  
a guerrilha do M.P.L.A.19 e uma força destacada para a fronteira pela Zâmbia,  
entregues à “patriótica missão de soberania”.  
Em 2016, entrevistado por José Cabrita Saraiva para o semanário SOL, Cid,  
então com 75 anos, partilha a memória do embarque no Vera Cruz, o paquete que  
levava cerca de 3.000 homens, o equivalente a 3 batalhões. Recorda a saída do  
barco do cais, em cenas difíceis de imaginar, «porque as pessoas despediam-se  
como se os filhos não voltassem», menciona as más condições no porão, onde  
iam os soldados, acondicionados em seis beliches uns em cima dos outros e  
relata vários episódios de guerra em circunstâncias difíceis. Nesse contexto,  
continuou a desenhar, fazia a “sua guerra”, e quando chegava ao destacamento,  
utilizava os lápis de cores e as aguarelas criando um cartoon sobre o que estava  
a vivenciar.  
17 Informação retirada do verso da folha de rosto do (CID, 1987).  
18 P.I.D.E. - Polícia Internacional e de Defesa do Estado.  
19 M.P.L.A. - Movimento Popular de Libertação de Angola.  
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Nos bolsos laterais da farda levava sempre um pocket book, «coisas inglesas  
ou americanas», referindo-os como as suas munições literárias. Quando se  
apercebeu que existiam páginas para publicar cartoons em uma revista militar,  
decidiu colaborar. Embora, fosse pago por cada cartoon no valor de 150 escudos,  
afirmava que auferia maior valor pecuniário com os desenhos do que no exercício  
do posto de furriel.  
Anos mais tarde, o mesmo semanário, SOL, publicava a 14 de março de  
2019 a notícia do falecimento de Cid. Num apontamento biográfico referia o seu  
trabalho em vários jornais, O Diabo, Vida Mundial e o semanário SOL, e a publicação  
de vários livros ao longo da sua carreira, a título de exemplo “Que se passa na  
frente?!!”, “Porreiro, pá!” e “Soares é fish”. (SOL, 2019). No entanto, note-se a  
relevância deste seu primeiro álbum “Que se passa na frente?!!” na sua carreira, o  
qual mesmo depois de mais de 30 títulos publicados, continua a ser mencionado.  
Considerações finais  
Em Angola, enquanto furriel miliciano atirador, para enfrentar a “difícil e  
inexplicável lógica da guerra” e a sua expressão nonsense, Cid utilizou o cartoon  
como um refúgio e fonte de força interior, como terá referido no prefácio à edição  
de 1997. Ao publicar a primeira edição do álbum “Que se passa na frente?!!”, em  
Portugal continental no ano de 1974, num ato de coragem e inconformismo,  
manifestou liberdade de expressão e vontade de mudança, num momento em  
que ainda vigorava um regime autoritário, embora caduco e desgastado.  
Crítico, irreverente, mas – e – assertivo, Cid retratou com humor o ambiente  
que viveu em Angola, denunciando as condições em que os militares operavam,  
num registo antagónico ao que a propaganda do Governo na metrópole tentava  
veicular. Cid manteve essa atitude ao longo da sua carreira enquanto cartoonista.  
Repetindo-a em outras publicações, em jornais e álbuns, sobretudo, entre 1974  
e 1976, no período apelidado de Processo Revolucionário em Curso (PREC), o que  
levou à apreensão de exemplares com direito a julgamento na barra do tribunal  
durante os primeiros anos de Democracia. Mas também pela qual foi reconhecido  
e homenageado, ao se ter destacado e prestado serviços na expansão da  
cultura portuguesa, da sua história e valores, tendo recebido pela mão do então  
Presidente da Républica Portuguesa, Mário Soares, o grau da ordem honorífica  
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portuguesa de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, em 1994. Dez anos  
depois, em 2004, granjeou o epíteto de “Cavaleiro do Cartoon”, justificado por ter  
utilizado o lápis ao serviço das suas ideias, e por exercer o jornalismo em defesa  
da liberdade, numa exposição antológica da responsabilidade do Museu Nacional  
da Imprensa, que reuniu trabalhos realizados para a imprensa nacional, ao longo  
de 30 anos.  
Embora a totalidade da obra do cartoonista Augusto Cid esteja por estudar,  
os desenhos para o Jornal da R.M.A. e o livro “Que se passa na frente?!!” foram  
alvo de textos académicos produzidos na última década. Paolo La Valle analisou  
os desenhos incindindo sobre os estereótipos racistas e sexistas, procurando  
mudanças na representação das mulheres negras em Portugal durante os anos  
da guerra colonial (LA VALLE, 2017).  
Atualmente, esse conjunto de cartoons, contribui para um maior  
entendimento da questão colonial, sobretudo o papel da imprensa produtora e  
difusora de imagens sobre a África portuguesa, neste caso Angola, e a opinião  
militar e mesmo pública que se pretendia mobilizada na defesa dos interesses  
coloniais portugueses. Constituem igualmente, fonte para o entendimento da  
produção de elementos/construção de um imaginário acerca regiões africanas  
sobre a influência ou soberania nacional e para o estudo das relações coloniais  
construídas naquele período entre Portugal e Angola como território.  
Asinfluênciashistóricasrelativasàrepresentaçãodocolonialismonocartoon  
modelaram a utilização de estereótipos e desafiaram narrativas. A utilização do  
humor nas imagens visuais do cartoon de guerra permite criticar os estereótipos  
coloniais, enquanto reflete as complexidades da resistência colonial e pós-  
colonial, bem como os desafios éticos associados à produção cultural e mesmo à  
receção pelo público. Assim, e conforme se verifica, o tópico não se esgota neste  
estudo, e a disponibilização do arquivo pessoal de Augusto Cid, permitirá que em  
breve novas abordagens e resultados de investigação surjam.  
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