ARTIGOS
diversas linguagens, como as audiovisuais, músicas, jornais, revistas e as novas tecnologias
em geral, como os games, por exemplo, para refletir e debater sobre nossas estruturas sociais.
Já Douglas Kellner (2001) analisou a cultura da mídia, organizada com base no modelo
de produção de massa, que se estrutura nas representações de identidade, dominação e
resistência, e enfatizou que é uma manifestação política e ideológica que devemos aprender a
ler. Desse modo, os produtos culturais não são “inocentes” pois estão em um campo de batalha
de discursos, mesmo colocados como lazer e diversão devem ser analisados com criticidade
para não perpetuar linguagens de opressões, derivados de um processo de industrialização,
pois são transformados em mercadorias produzidas pelo sistema voltado para as massas
(indústria cultural). Kellner defendeu uma pedagogia cultural para ensinar como se comportar
diante dessas produções de entretenimento, colocando em debate o que devemos pensar
e sentir, acreditar e temer, o que desejar e o que não desejar. Afinal, a cultura de mídia e a
cultura de consumo andam de mãos dadas: “O entretenimento oferecido é agradável com
instrumentos visuais e auditivos, que seduzem o público e o leva a identificar com opiniões,
atitudes, sentimentos e disposições” (Kellner, 2001, p.11).
Kellner defendeu que a chave dos Estudos Culturais é a crítica contra a dominação e
a subordinação, contra as estruturas de desigualdade e opressão, partindo de um contexto
sócio-histórico. No que pese a complexidade e a variedade das mídias, para Kellner é possível
criar resistências diante das linguagens de dominação ideológica desses artefatos culturais:
Portanto, ler politicamente a cultura da mídia significa situá-la em sua conjuntura
histórica e analisar o modo como seus códigos genéricos, a posição dos observadores,
suas imagens dominantes, seus discursos e seus elementos estéticos-formais
incorporam certas posições políticas e ideológicas e produzem efeitos políticos
(Kellner, 2001, p.76).
Jesús Martín-Barbero (1997) elencou a mediação como um processo que permeia as
relações sociais ligadas à comunicação e à cultura, também com um olhar latino-americano
no qual a Cultura, com “c” maiuscula, é densa, plural e dinâmica. O cinema aqui não é apenas
um produto artístico industrial, ele se torna uma expressão cultural de reconhecimento, de
representação de seus costumes e cotidiano, sem deixar de lado as suas identidades de
resistências.
Observando esses autores, podemos relacionar essa “ponte” entre mídia e receptor/
consumidor, que não possui um olhar único, e sim, muitas interpretações, significações e
ressignificações. Essa “ponte” é de mão dupla, pois esse receptor/consumidor não é passivo e
sim participante, são sujeitos que expressam a ação impacatada pela mídia. Em diálogo com
a discussão apresentada linhas acima, entre estruturas e relações, arte e resistências são
linguagens predominantes em obras latino-americanas.
Outrossim, será analisada a linguagem e as relações de memória, trauma e resistência
do massacre de Tlatelolco, em 02 de outubro de 1968, na Cidade do México. Iremos dialogar com
a cultura de mídia, de Douglas Kellner (2001), mediações culturais, de Jesús Martín-Barbero
(1997), e linguagens, em sua pluralidade audiovisual, de Marcos Napolitano (2011). O artigo
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Albuquerque: revista de Estudos Culturais, vol. 17, n. 34, jul. - dez. de 2025 I e-issn: 2526-7280