MARGINAIS, PROSTITUTAS E CAPETAS URBANOS: UM OLHAR PÓS-COLONIAL SOBRE A QUIMBANDA E OUTRAS IDENTIDADES AFRO-RELIGIOSAS

  • Rodrigo Marques Leistner Doutor em Ciências Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Rio Grande do Sul. Atualmente desenvolve estudos de pós-doutoramento na mesma instituição. É pesquisador do Laboratório de Políticas Culturais e Ambientais do Brasil – LAPCAB.

Resumo

O artigo versa sobre a relação entre as práticas afro-brasileiras menos ortodoxas, como a Quimbanda, e o discurso promovido como base do projeto de legitimação social das religiões de matriz africana na atualidade, baseado na ideia de reafricanização. Tomando como aporte teórico a crítica pós-colonial, o texto relativiza a idéia de eficácia de um discurso voltado às matrizes africanas, observando o caráter desestabilizador de algumas práticas religiosas mais sincréticas, as quais têm sido desconsideradas pela academia e menosprezadas pelos atores africanistas que negociam políticas na esfera pública. 

Biografia do Autor

Rodrigo Marques Leistner, Doutor em Ciências Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Rio Grande do Sul. Atualmente desenvolve estudos de pós-doutoramento na mesma instituição. É pesquisador do Laboratório de Políticas Culturais e Ambientais do Brasil – LAPCAB.
Doutor em Ciências Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Rio Grande do Sul. Atualmente desenvolve estudos de pós-doutoramento na mesma instituição. É pesquisador do Laboratório de Políticas Culturais e Ambientais do Brasil – LAPCAB. Av. Unisinos, 950 Bairro Cristo Rei CEP: 93.022-750 Fone: (51) 35911122.

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Publicado
2016-10-21
Seção
Artigos