A POLÍTICA DA DESGRAÇA: como o gerenciamento de desastres natuarais, problemas sociais e crises humanitárias no Brasil vêm consolidando a política da desgraça como método de governança. Autores Roscivaldo Borges Bentes Resumo Este artigo analisa as crises crônicas brasileiras, como as enchentes no Rio Grande do Sul (2024), a emergência sanitária Yanomami e o uso recorrente de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio de Janeiro. Argumenta-se que, embora aparentemente desconectados, estes eventos são sintomas e produtos de um mesmo método histórico de governo: a "Política da Desgraça". O trabalho define este conceito como uma adaptação nacional do paradigma da "Indústria da Seca", um modelo de poder que prioriza a gestão reativa e espetacular da catástrofe em detrimento da prevenção estrutural. Isso ocorre porque a resposta emergencial – acionada por decretos de calamidade ou intervenção – gera maior capital político imediato e facilita a alocação de recursos via dispensa de licitação. Através da análise histórica comparativa do eixo socioambiental (enchentes, queimadas, garimpo) e do eixo da segurança pública (GLOs), o artigo conclui que a falha preventiva no Brasil não é omissão ou incompetência, mas a condição de possibilidade para um método de governo que se beneficia da emergência permanente. Publicado 2025-09-11 Edição v. 12 n. 14 (2025): História Política e Cultura: ideias, poder, identidades, arqueologia e patrimônio. TOMO II Seção Artigos