UM INTRÉPIDO MODERNISTA
Resumo
As ideias modernistas acabam chegando ao Brasil no primeiro decênio do século XX, tendo como ápice a semana de Arte Moderna – essa semana de 22 foi o movimento consolidador dessa mentalidade que visava à quebra da hegemonia europeia no país -, forma de pensar o Brasil e suas representações. Como produto cultural, não iremos perceber o país envolto de pronto no debate, pelo fato de causar estranhamentos em algumas regiões e alguns intelectuais não aderirem ao debulhar de uma iminente cultura eminentemente brasileira, como exemplo, Monteiro Lobato. Enquanto no Sul havia essa discussão de uma arte típica brasileira, uma arte tropical e avançada, pois, como afirma (SALIBA, 2012), as ideias modernistas já estavam em prática ou sendo implantadas em países avançados, tidos civilizados, modernos bem antes da Grande Guerra; no “nordeste”, a ideia do país agrário e preservacionista da cultura açucareira era um discurso constante representado por Gilberto Freyre, José Lins do Rego, Austro Costa, dentre outros que se destacavam. Seria como uma praga, quebrar esse movimento que valorizava um Brasil que dava certo, saudoso do áureo tempo colonial. Casa Grande e Senzala (1933) faz um panorama das ideias da época e constrói também identidade e reforça visões pragmáticas de antes da Guerra que se acentuam nas produções de Portinari, Sérgio Buarque, Paulo Prado, os quais pincelaram um projeto de nação invólucro em colonialidades. Nesse meio patriarcal, que se tende a manter as ideias de um país ligado ao atraso colonial, um jovem pernambucano se entusiasma com as notícias que chegavam nessas paragens e decide lutar para que o modernismo fosse uma doutrina nacional e não apenas regional, porque, se era para pensar o Brasil, que se pensasse da forma geográfica. Então Joaquim Inojosa levanta a bandeira do modernismo, no “Nordeste”, tendo atritos com Gilberto Freyre. Este artigo pretende discutir as articulações políticas e culturais que colocam Joaquim Inojosa como o principal personagem a se engajar na propaganda o modernismo na parte nordeste do país. Destacando a importância de uma missiva produzida por ele em Pernambuco, a Revista Mauricéia refletia as ideias vindas de São Paulo. Procura, também, este artigo, entender o porquê do esquecimento da academia ao nobre modernista que acaba dimensionando o movimento paulistano. Ao passo que também busca refletir as relações de poderes vigente.