MODERNIZAÇÃO ECOLÓGICA, POLÍTICAS TERRITORIAIS E AJUSTES NA PRODUÇÃO: UMA DISCUSSÃO SOBRE A FRONTEIRA AGRÍCOLA FRENTE ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Andrei Cornetta

Resumo


A partir de uma perspectiva crítica, este artigo busca discutir o avanço da fronteira agrícola no Centro-Norte do País, particularmente sobre os processos de territorialização do capital que vem tomando forma nas últimas duas décadas nesta porção do Brasil. Em detalhe, discute-se sobre os processos de adensamento de capital no território, que abrange não apenas a incorporação de grandes estruturas de armazenagem e escoamento da produção de commodities agrícolas, mas também a incorporação de inovações direcionadas pela perspectiva da modernização ecológica. Dentro disso, destaca-se o uso de tecnologias de compensação de gases de efeito estufa (GEE) no interior deste modelo agrícola/agrário como um capital fixo distinto, cujos processos recentes de inovações impulsionaram reorganizações produtivas no setor agroexportador. Trata-se de uma análise sobre o avanço da fronteira agrícola naquela região, mais especificamente sobre os ajustes espaciais internos a essa fronteira no que diz respeito à criação de novos canais de acumulação, que surgem na interface entre as mudanças climáticas e os imperativos das commodities agrícolas.  


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