LIMITES E CONTRADIÇÕES DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL: O VALE DA CELULOSE EM MATO GROSSO DO SUL

Autores

  • Isabela Barbosa Rodrigues UFMS/Graduação

Resumo

O presente artigo analisa o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, instituído pela Lei nº 6.404/2025, como território produtivo e espaço de expressões das contradições do desenvolvimento regional contemporâneo. O estudo evidencia a rápida expansão da indústria de celulose, liderada por grandes corporações como Suzano e Eldorado. Apesar de contribuir para o crescimento do PIB estadual e para a geração de empregos, o modelo de desenvolvimento baseado na especialização em celulose revela limites econômicos, sociais e ambientais. No plano econômico, a dependência de uma commodity primária e voltada à exportação evidencia vulnerabilidades estruturais, baixa agregação de valor e persistência de padrões históricos de subdesenvolvimento. No âmbito social, observa-se a precarização da força de trabalho, sobrecarga dos serviços urbanos, aumento da especulação imobiliária e desafios para a segurança pública. No plano ambiental, a expansão das monoculturas de eucalipto impõe pressões significativas sobre os recursos hídricos, solos e biodiversidade, configurando impactos negativos no equilíbrio ecológico regional. O estudo, de caráter qualitativo e descritivo-analítico, fundamenta-se em revisão bibliográfica e análise documental, articulando conceitos da Geografia Econômica, Economia Política e Ecologia Política. Conclui-se que, embora o Vale da Celulose represente um polo estratégico de crescimento econômico, sua consolidação reafirma a posição periférica do estado no contexto das dinâmicas globais do capital, reproduzindo desigualdades históricas e reforçando vulnerabilidades socioeconômicas e ambientais. 

Publicado

2025-09-11