O NEOFASCISMO COMO ESVAZIAMENTO DA TRADIÇÃO FILOSÓFICO-POLÍTICA DA DEMOCRACIA LIBERAL

Palavras-chave: Neofascismo. Liberalismo Político. Democracia.

Resumo

O artigo aborda o atual desafio do neofascismo à tradição do liberalismo político. Os governos constitucionais, inspirados na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), criaram uma forma de identidade pós-nacional coletiva: o patriotismo constitucional, de acordo com a apropriação habermasiana desse conceito. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 e as instituições fortalecidas por ela valorizam a democracia liberal e incentivam a representação de formas de vida politicamente minoritárias. No entanto, o golpe de 2016 enfraqueceu as instituições democráticas, que ainda resistem, e criou um esvaziamento da cultura política comum estabelecida com o patriotismo constitucional. Essa exaustão deu origem a um movimento político conservador promovido por uma maioria moral com características neofascistas e ultranacionalistas lideradas por Jair Bolsonaro. O governo Bolsonaro tensiona a democracia liberal em vista de uma exclusividade na concepção de boa vida da maioria moral em oposição belicosa à participação de minorias políticas nas esferas de poder.

Biografia do Autor

Marcelo Martins Barreira, Universidade Federal do Espírito Santo

O pesquisador possui Bacharelado (1989) e Licenciatura (1997) em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Mestrado em Filosofia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (1997) e Doutorado, também em Filosofia, pela Universidade Estadual de Campinas (2004). Ao longo de todo o ano de 2010 realizou seu pós-doutorado em Berkeley, Califórnia/EUA e, de março de 2017 a fevereiro de 2018, efetuou seu segundo pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRJ. Desde 2005 é professor do Departamento de Filosofia e do PPGFil da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com ênfase em Ética e Filosofia Política. Atualmente coordena o núcleo da Ufes do Mestrado Profissional em Filosofia (PROF-FILO/Rede Nacional) e o Grupo de Pesquisa "Seminário Permanente em Ética e Filosofia Política". A partir do estudo da contemplação mística na renascença espanhola - tecendo articulações com a herança medieval -, ampliou-se seu campo de pesquisa para tratar de outras questões, como a subjetividade e as políticas de reconhecimento no Estado Democrático de Direito, com implicações no ensino da Filosofia; para tais pesquisas, apropria-se de um eixo-conceitual que se apropria e desdobra a confluência da hermenêutica contemporânea com o neopragmatismo. No tocante ao PROF-FILO, sua pesquisa versa sobre a Filosofia do ensino de Filosofia.

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Publicado
2020-05-22
Seção
Artigos