Desafios para uma abordagem efetivamente multimodal dos gêneros discursivos em livros didáticos de Língua Portuguesa
DOI:
https://doi.org/10.46401/ardh.2021.v13.14477Palavras-chave:
livro didático, multimodalidade, ensino, língua portuguesa, gêneros textuaisResumo
As transformações dos livros didáticos de Língua Portuguesa ao longo do século XX podem ser percebidas na abundância em termos de número e qualidade de informação visual que passaram a apresentar. Diferentemente das antigas cartilhas, que contavam praticamente só com ilustrações – quando muito, hoje, a modernização das técnicas de impressão e seu barateamento possibilitam aos autores e leitores ter lições não apenas ilustradas, mas utilizando várias outras formas de comunicação: visual, musical e digital. Entretanto, no que tange à exploração sistemática e aprofundada de diferentes semioses – especificamente a visual –, notamos que os livros didáticos de Língua Portuguesa ainda se ressentem de um tratamento insuficiente ou mesmo equivocado do aspecto visual dos gêneros ali trabalhados. Esse artigo é resultado de uma pesquisa bibliográfica que tentou entender como duas coleções didáticas de Língua Portuguesa, utilizadas na cidade mineira de Uberlândia em 2018, exploraram o material visual na abordagem dos gêneros multimodais. Contamos em nossas reflexões com as noções de linguagem e sintaxe visual de Dondis (2013), do conceito de visual em Kress (2006), de análise linguística de Mendonça (2013), de multimodalidade em Rodrigues (2005), Moura e Rojo (2013), entre outros, e de história do ensino de Português em Bunzen (2011) e Soares (2004). Nesse trabalho tentamos entender quais foram os gêneros multimodais mais usados nas coleções analisadas, e como os autores relacionaram a semiose do visual com o verbal. Enfatizamos nas análises a importância da ilustração nas obras, ainda que não ocupe, em nossa opinião, um lugar nobre. Também analisamos tirinhas e anúncios publicitários que, junto com as ilustrações, compõem os principais elementos visuais das obras examinadas. Nossas observações nos levaram a uma conclusão preocupante: pelo menos nessas coleções, há um trabalho importante a ser feito para o efetivo tratamento da multimodalidade nos livros didáticos de Língua Portuguesa. A multimodalidade dos gêneros, em muitas atividades dos livros, é tratada como algo acessório à construção do sentido e, em alguns casos, sequer é mencionada.
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