ABORDAGENS ACERCA DO CORPO FEMININO GORDO NOS CURSOS DE FORMAÇÃO DOCENTE DA UFMS/CPNV

  • Mayra Prachedes Queiroz Universidade Federal de Mato Grosso do sul Graduanda do Curso de Ciências Sociais (CPNV/UFMS)
  • Marco Antonio Costa da Silva Universidade Federal de Mato Grosso do sul Coordenador do Curso de Administração do Campus de Naviraí - CPNV/UFMS

Resumo

Muitas contribuições de estudos relacionados a gênero permeiam o campo científico trazendo reflexões a respeito da diversidade e do corpo feminino (LIMA; DINIS, 2007; PELÚCIO, 2004; GOELLNER, 2010; ANDRADE, 2010). Entretanto, historicamente nota-se uma compreensão sobre o corpo feminino de maneira variada, onde atualmente o corpo feminino, do ponto de vista estético, na sociedade atual é visto como bonito, quando atende a um padrão magro.

São diversas as possibilidades de discussão sobre mulheres gordas com espaços diversos, entretanto abordamos aqui os espaços de formação docente. Assim, este trabalho busca compreender de que maneira os cursos de formação de professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) do Campus de Naviraí – MS (CPNV), discutem e refletem sobre questões relacionadas a construção da concepção que se tem do corpo feminino gordo na atualidade e como lidam com a presença desses corpos no espaço acadêmico.

A pesquisa é de natureza qualitativa, devido ao método buscar entender sobre as relações sociais de maneira que as mesmas não possam ser quantificadas. Assim considerou-se três pontos referenciais teóricos: gênero, corpo feminino gordo e formação de professores. Os dados foram coletados a partir de dois instrumentos: entrevistas semiestruturada e documentos. As entrevistas foram gravadas e transcritas com a autorização dos entrevistados e como segunda fonte de dados, utilizamos documentos como os Projetos Pedagógicos dos cursos (PPC) de Ciências Sociais e Pedagogia da UFMS/CPNV, sendo estes analisados a partir da análise de conteúdo. Os sujeitos entrevistados foram duas acadêmicas da UFMS/CPNV sendo uma do curso de ciências sociais, a segunda do curso de Pedagogia e um professor especialista em gênero.

A história das mulheres sempre fora definida por uma perspectiva masculina e consequentemente ideias machistas, limitando assim sua participação na construção da própria história. Contudo as mulheres se fazem ouvidas cotidianamente de forma que a compreensão que se tem da mesma, sofre alteração em diversos pontos, dentre eles o aspecto físico.

Há, ainda hoje, uma cultura machista que objetifica e hipersexualiza o corpo feminino, desvalorizando seus atos. A mídia em muito contribui para a construção da concepção das mulheres, principalmente no que tange sua imagem física, que enaltece mulheres magras cotidianamente.

Por meio da ausência do corpo feminino gordo nas diversas mídias, as mulheres gordas encontram-se marginalizadas ou evidenciadas negativamente. Entretanto, esta representação de sucesso feminino, associado a um tipo de corpo é resultante sempre de uma conjuntura de seu tempo, pois “quando fazer três refeições básicas diariamente era um luxo e morrer de fome era um destino comum para as pessoas, a gordura alcançava status de privilégio” (BELLINI, 2017, p. 1).

A Universidade é mais um espaço que encontra imerso a sociedade e por isso também traz consigo práticas preconceituosas socializados pela mídia, por isso o corpo feminino gordo recebe também no espaço de formação docente, qualificação muito próxima aos demais espaços sociais. Entretanto é de extrema importância que questões relacionadas a corpo e gênero, sejam abordados em cursos de formação de professores, numa perspectiva que parte do macro para o micro.

Os dados levantados evidenciaram que não existem referências relacionados a temáticas de gênero e corpo, contemplado em PPC de ambos os cursos. Os sujeitos dessa pesquisa confirmam a percepção obtida através dos documentos, de que a UFMS/CPNV não se preocupa em construir junto aos acadêmicos uma formação que obstrua o ciclo de reprodução de preconceitos. Apesar de projetos de extensão serem recorrentes no local, questiona-se se de fato, cursos de extensão são suficientes para abordar de maneira ampla e bem estruturada, as reflexões acerca do corpo feminino gordo e a compreensão que se tenha do mesmo na sociedade de maneira geral.

É importante ressaltar que a universidade deve estar na vanguarda dessas discussões, não apenas do ponto de vista teórico, mas possibilitando que seu espaço seja efetivamente fomentador de uma postura livre de preconceitos. Seria importante que novos estudos fossem realizados com intenção de aprofundar aspectos que foram tangenciados nessa pesquisa, sobretudo relacionados ao papel da IES na condução da discussão sobre formação docente e ea temática do corpo feminino gordo.

Biografia do Autor

Marco Antonio Costa da Silva, Universidade Federal de Mato Grosso do sul Coordenador do Curso de Administração do Campus de Naviraí - CPNV/UFMS
Universidade Federal de Mato Grosso do sul
Coordenador do Curso de Administração do Campus de Naviraí - CPNV/UFMS
Publicado
2017-11-20