“JUDICIÁRIO ADAPTATIVO”
cocriação e valor público no tribunal de justiça de Mato Grosso do Sul
Resumo
A evolução da administração pública brasileira, da Nova Gestão Pública (NGP/gestão) para a Nova Governança Pública (NPG/governança), impõe ao Poder Judiciário o desafio de inovar para além de suas funções tradicionais. Em um país com uma das maiores taxas de judicialização do mundo, a cocriação de políticas emerge como eixo central para a geração de valor público e o fortalecimento da legitimidade institucional. Embora a literatura sobre modernização do Judiciário tenha avançado na análise de eficiência, digitalização e gestão processual, ainda são incipientes os estudos sobre a capacidade adaptativa das instituições judiciais diante de problemas públicos complexos, especialmente quanto à atuação de tribunais na gestão de ações de cidadania e arranjos de governança colaborativa. Este artigo analisa como o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) se consolida como um “Judiciário Adaptativo”, ao articular instrumentos de eficiência gerencial com práticas de governança colaborativa e cocriação. A pesquisa toma como base empírica iniciativas como unidades itinerantes de justiça, programas de regularização fundiária, ações em comunidades tradicionais e campanhas intersetoriais, analisadas enquanto mecanismos de inclusão social e desjudicialização ativa. Os resultados indicam um movimento institucional orientado à ampliação da inclusão, da participação e da eficiência organizacional, ainda condicionado à capacidade estatal e à sustentabilidade das parcerias. Conclui-se que o tribunal opera sob uma síntese híbrida de gestão, com potencial de transferibilidade analítica para outros contextos judiciais.
