CHOQUES EXTERNOS E TRANSMISSÃO MONETÁRIA NO CRÉDITO RURAL COOPERATIVO
assimetria de repasse (ativo–passivo), risco (CoR/PDD) e criação de valor (EVA) em Sicoob e Sicredi (2016–2024)
Abstract
Este estudo investiga como choques externos (câmbio e preços internacionais de alimentos, via FPI — Food Price Index, índice de preços de alimentos) e choques macroeconômicos (Selic, IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IBC-Br - Índice de Atividade Econômica do Banco Central e inadimplência média do Sistema Financeiro Nacional) se associam a mudanças no balanço de cooperativas de crédito por meio do repasse (pass-through, repasse) ativo–passivo, da estrutura de captação vinculada ao agronegócio (LCAShare), do risco (CoR - custo do risco; PDD - provisão para devedores duvidosos) e da criação de valor (EVA — valor econômico agregado), comparando Sicoob e Sicredi entre 2016–2024. A estratégia empírica utiliza painel sistema–ano (amostra curta), combinando variáveis contábeis de demonstrações combinadas com controles macro e o FPI anual agregado. Os resultados indicam que o ciclo de juros é o principal organizador da intermediação, com assimetria ativo–passivo que torna a margem dependente do ritmo relativo de reprecificação e, no aperto, associa-se a maior instabilidade do custo de captação. Além disso, a sensibilidade do risco ao choque cambial é maior quando a LCAShare é mais elevada e, no valor, a LCAShare condiciona sinais opostos entre choques de FPI e de câmbio, caracterizando uma troca entre efeitos no EVA. As evidências são associativas e devem ser lidas como heterogeneidades condicionais do balanço, com implicações para ALM (gestão de ativos e passivos) e governança de risco.
