SUCESSÃO RURAL E JUSTIÇA ORGANIZACIONAL
um olhar sobre herdeiros sucessores e não sucessores
Abstract
A sucessão em propriedades rurais constitui um processo estratégico e complexo, permeado por desafios de natureza gerencial, patrimonial e, sobretudo, relacional. Apesar da relevância do tema, estudos no contexto brasileiro ainda privilegiam abordagens econômicas e jurídicas, havendo uma lacuna na compreensão dos aspectos subjetivos que influenciam a dinâmica familiar durante e após a transição geracional. Nesse sentido, este artigo tem como objetivo analisar a percepção de justiça de herdeiros em processos de sucessão rural já concluídos. Para tanto, adota-se como lente teórica o conceito de justiça organizacional, ampliando abordagens anteriores ao integrar as dimensões distributiva, processual, interpessoal e informacional da justiça percebida. Com base na literatura, propõe-se um modelo analítico para compreensão das percepções de herdeiros sucessores e não sucessores. Metodologicamente, o estudo apresenta uma proposta qualitativa, por meio de estudo de casos múltiplos em propriedades rurais que vivenciaram a sucessão, utilizando entrevistas semiestruturadas como técnica de coleta de dados. A seleção dos participantes será intencional, contemplando famílias a partir da segunda geração, e os dados serão analisados por meio da análise de conteúdo. Espera-se que os resultados contribuam para a identificação de fatores que favorecem a coesão familiar e a legitimidade do processo sucessório, oferecendo subsídios para o planejamento e a gestão da sucessão no agronegócio. Este artigo integra uma pesquisa em desenvolvimento e apresenta o referencial teórico e a proposta metodológica que fundamentarão a investigação empírica sobre a percepção de justiça na sucessão rural
