MORFOLOGIA URBANA E FRONTEIRAS
análise da ocupação e urbanização na fronteira sudoeste do Brasil
Resumo
A pesquisa “Morfologia Urbana e Fronteiras” investigou a ocupação e a urbanização na fronteira sudoeste do Brasil (Mato Grosso do Sul e Paraná) em interface com o Paraguai e a Argentina. Foram analisadas dezoito cidades‑gêmeas, adotando‑se abordagens tipo‑morfológica, funcional, histórico‑geográfica e perceptiva, com uso de imagens de satélite, trabalho de campo e cartografia. Os resultados evidenciam sete padrões recorrentes: deterioração do patrimônio arquitetônico; evolução urbana atrelada a ciclos econômicos (erva‑mate, madeira, pecuária, agronegócio); baixo controle fronteiriço; expansão fragmentada da mancha urbana; escassez e subutilização de espaços públicos; carências infraestruturais; e segregação socioespacial com expulsão de comunidades tradicionais (indígenas, ribeirinhos). A sobreposição de mapas de uso do solo revela que as áreas periféricas e ambientalmente frágeis são ocupadas por populações vulneráveis, enquanto setores valorizados concentram condomínios fechados e agricultura intensiva. Conclui‑se que, não obstante as diferentes políticas urbanas e ambientais dos três países, a segregação e a marginalização são padrões comuns, associados a um modelo de desenvolvimento que produz “ruínas” sociais e territoriais, demandando planejamento voltado à reparação e à integração sustentável.
