DESENTERRANDO MEMÓRIAS: A DITADURA PARAGUAIA EM “MATAR A UN MUERTO”

UNEARTHING MEMORIES: THE PARAGUAYAN DICTATORSHIP IN “MATAR A UN MUERTO”

  • Tereza Maria Spyder Dulci Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
  • Manuella Sampaio da Silva Universidade Federald a Integração latino-Americana (UNILA)
Palavras-chave: cinema; ditadura; Paraguai.

Resumo

Este artigo estuda a ditadura paraguaia a partir da análise do filme “Matar a un Muerto” (2019), de Hugo Giménez. Nos interessa pensar a representação audiovisual da ditadura vivida pelo Paraguai (1954-1989). Na trama, ambientada em 1978, durante as últimas partidas da Copa do Mundo na Argentina, dois homens são encarregados de enterrar clandestinamente os cadáveres torturados e mutilados pelas forças de repressão. Assim, o objetivo deste artigo é pensar nas produções audiovisuais como um lugar privilegiado de construção de memórias. Para tal, em um primeiro momento, trataremos da representação da ditadura no cinema paraguaio contemporâneo. Já em um segundo momento, indicaremos alguns marcos do stronismo. Por fim, analisaremos certos elementos da narrativa audiovisual proposta por “Matar a un Muerto”.

Biografia do Autor

Tereza Maria Spyder Dulci, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)

[1] Professora Associada da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Possui Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em História Social e Bacharel/Licenciada em História pela mesma instituição. Pós-doutorado desenvolvido no Centro de Investigaciones sobre América Latina y el Caribe (CIALC), da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). Especialização em Epistemologias do Sul e em Estudos Afro-Latino-Americanos e Caribenhos pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO). Na UNILA atua no Ciclo Comum de Estudos (área de Fundamentos da América Latina), no curso de Relações Internacionais e Integração (área de História das Relações Internacionais), na Especialização em Ensino de História e América Latina (área de História e Cinema na América Latina) e no Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina (linha de pesquisa Cultura, Colonialidade/Decolonialidade e Movimentos Sociais). Vice Coordenadora da Especialização em Ensino de História e América Latina. É vice-líder dos Grupos de Pesquisa: ¡DALE! - Decolonizar a América Latina e seus Espaços e Descolonizando as Relações Internacionais. Faz parte da Diretoria da Associação Nacional de Pesquisadores e Professores de História das Américas (ANPHLAC), gestão 2020-2022. E-mail: terezaspyer@gmail.com 

Manuella Sampaio da Silva, Universidade Federald a Integração latino-Americana (UNILA)

Mestre pelo Programa de Mestrado em Integração Contemporânea da América Latina (PPG_ICAL), da Universidade Federald a Integração latino-Americana (UNILA). Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pampa (2014). Técnica em Informática pelo Instituto Federal Farroupilha Campus Alegrete-RS (2009). Representante da Subsede Regional no Uruguai do Centro Latinoamericano de Estudos em Cultura. Agente comunicadora na Asociación Idas y Vueltas. Tem interesse e desenvolve pesquisas nas seguintes áreas: História Contemporânea da América Latina, Memória social, História oral e Ditaduras militares do século XX no Cone Sul.

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Publicado
2021-12-21