Entre lo Sagrado y lo Prohibido:
La Persecución Cristiana de los Saberes Mágicos Femeninos en la Antigüedad Tardía
DOI:
https://doi.org/10.55028/e1ewmp24Palabras clave:
Magia; Feiticeiras; Ortodoxia cristã.Resumen
Este artigo investiga a construção teológica e política da perseguição aos saberes mágicos femininos na Antiguidade Tardia, analisando como os Pais da Igreja reinterpretaram práticas ancestrais e rituais não cristãos como atos demoníacos e idolátricos. Partindo de um preconceito já presente na sociedade romana contra a magia, o discurso cristão apropriou-se dessa desconfiança e a potencializou, transformando-a em ferramenta para legitimar a fé cristã como a única mediação legítima com o divino. A consolidação do cristianismo como religião oficial do Império Romano intensificou esse processo: o que antes era retórica simbólica passou a constituir um aparato legal e coercitivo, com leis, éditos e punições severas, incluindo execuções. A análise aborda o papel da misoginia na formulação dessa perseguição, evidenciando como a figura feminina foi associada ao pecado original e à desordem moral, resultando em sua sistemática subordinação. O estudo também destaca a demonização de antigas divindades femininas e a desqualificação de funções sociais exercidas por mulheres, como parteiras e curandeiras, que passaram a ser vistas como ameaças espirituais. Por meio de fontes patrísticas, legislação imperial e estudos modernos, evidencia-se que a repressão ao saber feminino foi, simultaneamente, uma estratégia teológica e política de eliminação do “outro” – figura simbólica do inimigo – e de afirmação do poder cristão. Apesar da repressão, os saberes ancestrais resistiram, preservados de forma oculta por mulheres que mantiveram vivas práticas de cura, adivinhação e rituais, reafirmando a impossibilidade de extinguir a potência feminina.
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