ONTOLOGIA DO CORPO HERÉTICO
ONTOLOGY OF THE HERETICAL BODY
DOI:
https://doi.org/10.55028/f87rqb16Palabras clave:
Corpo Feminino, Prostituição, Brasil ImperialResumen
Este artigo analisa a construção histórica do corpo feminino e a emergência da prostituta como “corpo herético” no Brasil do século XIX, especialmente em Fortaleza após a Grande Seca de 1877. Partindo de uma perspectiva que articula tradição cristã, ideais patriarcais e pressões socioeconômicas, argumenta-se que a prostituta, ao ocupar o espaço público e vender seu corpo para a sobrevivência, desafia as normas de feminilidade e moralidade vigentes, tornando-se alvo de estigmatização, patologização e controle social. Inspirando-se em Foucault e Chalhoub, o estudo demonstra que, embora marginalizada, a prostituta representa também um espaço de resistência, evidenciando tensões entre disciplina e desvio, moralidade e necessidade, e configurando-se como um corpo que questiona os limites do poder sobre o feminino no século XIX.
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