A ascese islâmica ou o desapego (az-zuhd) na vida dos sufis andaluzes segundo os relatos de Ibn ‘Arabi de Múrcia. Séc. XII E.C.

Matheus Melo Barcelos

Resumo


RESUMO: A prática do desapego ou renúncia (az-zuhd) tem sido tradicional como parte da vivência ética do islã. Entre os pilares da fé islâmica (arkam al-islam), constituído por atos devocionais (‘ibadat), encontra-se az-zakat (esmola) e o jejum. Exemplificada nas tradições atribuídas ao Profeta islâmico Muhammad, há a prática do desapego (az-zuhd), a busca pela vida moderada e mesmo por uma certa indiferença para com o mundo, visto como transitório, mesmo que este seja criação divina. O desapego é tradicionalmente cultivado entre os grupos místicos e de pensamento esotérico no Islã. Um dos pontos básico desse desapego é a pobreza (faqr). Entre os sufis, grupos esotérico-místicos de aproximação sunita, o desapego e a pobreza tornam-se sinais da benção e proteção (walayah) divinos. Neste texto, procura-se traçar uma explicação do desapego islâmico no sufismo ocidental por meio dos relatos hagiográficos dos mestres sufis andaluzes, escritos por Ibn ʿArabi de Murcia.


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Referências


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