Análise da acessibilidade para pessoas em cadeiras de roda e com mobilidade reduzida no Parque Estadual do Ibitipoca, Minas Gerais
DOI:
https://doi.org/10.55028/0fw2ze35Palavras-chave:
Ecoturismo, Unidades de conservação, PCRs e PMRs, Barreiras de acessibilidade, AcessibilidadeResumo
Este artigo analisa a acessibilidade para pessoas em cadeiras de rodas (PCRs) e pessoas com mobilidade reduzida (PMRs) no Parque Estadual do Ibitipoca (PEIb), em Minas Gerais. O parque é uma área protegida localizada na Serra do Ibitipoca, parte da Serra da Mantiqueira, com 1.488 hectares distribuídos entre os municípios de Santa Rita do Ibitipoca e Lima Duarte. A visitação organiza-se em três circuitos principais de trilhas e, para este estudo, foram analisados o Circuito das Águas e o Circuito do Pião, que apresentam diferentes níveis de dificuldade e condições de acesso. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, combinando revisão de literatura, pesquisa documental e levantamento de campo, com coleta de informações no website oficial do parque e observação da infraestrutura disponível para PCRs e PMRs. Os resultados indicam iniciativas positivas voltadas à inclusão, como a disponibilização da cadeira Julietti, que facilita o deslocamento em trilhas de difícil acesso. Contudo, foram identificadas barreiras de acessibilidade, incluindo ausência de informações específicas no website, sinalização insuficiente e inadequações estruturais em trilhas e grutas. Conclui-se que, apesar dos avanços, são necessárias melhorias na divulgação de informações, capacitação profissional e adequação às normas técnicas, bem como a adoção dos princípios do desenho universal e a superação das barreiras indicadas por Sassaki (2009), a fim de promover um turismo mais inclusivo.
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