Resumo: <br> Exposição materna ao iridóide especiosídeo de Tabebuia aurea: avaliação tóxico-reprodutiva. PECIBES, supl.1, 48, 2015

  • Yasmin Lanny Ventura Said
  • Bruna Brandão de Souza
  • Andrea Luiza Cunha-Laura
  • Sarah Alves Auharek
  • Andreia Conceição Milan Brochado Antoniolli-Silva
  • Carlos Alexandre Carollo
  • Mônica da Cruz Silva
  • Rodrigo Juliano Oliveira

Resumo

A frequência e gravidade de acidentes ofídicos envolvendo serpentes do gênero Bothrops se caracterizam como um problema de saúde pública. Nesse contexto, a medicina popular torna-se cada vez mais importante e a espécie Tabebuia aurea (ipê amarelo) tem indicação etnofarmacológica como agente cicatrizante e anti-inflamatório em casos de acidentes botrópicos. A presente pesquisa avaliou os efeitos do extrato hidroetanólico de Tabebuia aurea (EHETa) rico no iridóide especiosídeo. Foram utilizados 40 fêmeas Swiss prenhes distribuídas em 4 grupos experimentais: Grupo Controle – animais tratados do 1º ao 18º dia gestacional (dg) com água destilada na proporção de 0,1ml/10g de peso corpóreo (p.c.) por via oral (v.o.); Grupo Pré-implantação – os animais foram tratados com EHETa, com uma quantidade proporcional a 50mk/kg (p.c., v.o.) do iridóide especiosídeo, no período pré-implantacional (1º ao 4º dg); Grupo Organogênese – os animais foram tratados com EHETa, nas mesmas condições experimentais, no período de organogênese (5º ao 15º dg); Grupo Gestacional – os animais foram tratados com EHETa, nas mesmas condições experimentais, durante todo o período gestacional (1º ao 18º dg). A análise estatística (ANOVA/Tukey; Kruskal-Wallis/Dunn; Qui-quadrado; p<0,05) dos resultados indicou que não houve variações biométricas (peso inicial, peso final, ganho de peso, peso do útero, ganho de peso líquido e peso absoluto e relativo do coração, pulmão, baço, rins e fígado) e dos parâmetros reprodutivos (implantes, fetos vivos, viabilidade fetal, taxa de perdas pós-implantação, reabsorções, taxa de reabsorções, peso placentário, peso fetal, índice placentário e razão sexual) significativas, exceto para a redução do peso absoluto dos rins do grupo gestacional em relação ao controle e do peso fetal dos grupos organogênese e gestacional em relação ao controle. A ocorrência de malformações externas não foi significativa. No entanto, o iridóide especiosídeo foi capaz de causar o aumento da frequência em 30,41, 26,01 e 21,87 pontos percentuais de hidrocefalia e em 64,14, 23,35 e 28,28 de pontos percentuais em hidronefrose nos grupos pré-implantação, organogênese e gestacional, respectivamente. Esses dados sugerem que o iridóide especiosídeo não é embrioletal e nem materno tóxico. No entanto, requer avaliação de risco x benefício se indicado para uso em gestantes que tenha sofrido acidente ofídico.
Publicado
2017-09-20