Contrastes na saúde: vivências na ilha de Bubaque, Guiné-Bissau- África

  • Joyce Borges Ceballos
  • Patrícia Lima Ávalos
  • Caroliny Oviedo Fernandes
  • Sandra Luzinete Félix de Freitas

Resumo

Introdução: A universalidade é um dos princípios que atuam em favor do ser humano, favorecendo-o sem qualquer discriminação ao acesso de leis de amparo, serviços de saúde, estudo, trabalho e lazer. Porém realizando um comparativo entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos nota-se que a realidade dos direitos humanos básicos são amplamente infringidos, sendo a desigualdade um dos principais fatores de degradação de países pobres. Dessa forma, este trabalho tem como objetivo relatar as percepções de acadêmicos voluntários no atendimento de uma comunidade na Ilha de Bubaque. Descrição do Caso/Experiência: Atendendo às populações vulneráveis, um grupo de estudantes da área da saúde de uma universidade federal, no período de janeiro de 2018, prestou atendimento de saúde na ilha de Bubaque, no arquipélago dos Bijagós, que faz parte do país de Guiné-Bissau, África. Foram atendidas aproximadamente 1500 pessoas, que receberam orientações sobre saúde física e mental, tratamento de água para consumo humano, e palestras sobre sexualidade, violência contra a mulher e nutrição. Discussão: Notou-se que a ilha proporciona pouca oferta de emprego, resultando em trabalhos informais e sem remuneração fixa, sendo o sustento da população oriundo da pesca, do plantio de arroz e amendoim e do artesanato. A saúde pública apresenta problemas, como a elevada taxa da mortalidade infantil e materna por causas evitáveis, sendo elas derivadas da ausência de saneamento básico, doenças infecciosas como a tuberculose, a malária e o HIV e a falta de políticas voltadas para a saúde da mulher, como a realização do exame Papanicolau e ações voltadas para a prevenção e diagnóstico do câncer de mama. O aspecto cultural impacta na saúde à medida que a poligamia, o casamento precoce, o analfabetismo e o sexismo contribuem para a disseminação de doenças e carência de medidas de prevenção. Além disso, a violência contra a mulher foi extensivamente relatada durante as consultas. Ameaças, agressões físicas e verbais são vistas como práticas comuns e aceitas na comunidade. Diante do exposto, fica evidente que os direitos humanos são negligenciados, contudo, a população foi receptiva às ações dos estudantes e em um curto período de tempo foi possível notar mudanças em práticas prejudiciais à saúde.

 

Palavras-chave: Vulnerabilidade, África, Nível de Saúde