CIDADES DO SERTÃO
ocupação, projeto e forma urbana em Angélica/MS e Pérola/PR
Resumo
O trabalho tem como objetivo analisar a formação e a morfologia urbana de Angélica (MS) e Pérola (PR), fundadas nas décadas de 1950, no contexto da interiorização do território brasileiro e do avanço da fronteira agrícola. Investiga como agentes públicos e privados, guiados por paradigmas modernistas e culturalistas, moldaram essas cidades novas. Baseia-se na teoria da “boa forma” de Lynch (2018), aplicada às dimensões de vitalidade, sentido, adequação, acesso e controle. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, articulando análise morfológica e leitura perceptiva do espaço urbano. Os resultados indicam que Angélica/MS, de traçado racional e setorizado, apresenta perda progressiva de vitalidade, redução da vegetação urbana e diminuição da coerência morfológica, adaptando-se à lógica produtiva do agronegócio. Pérola/PR, com traçado orgânico e eixos radiais, apresenta maior integração paisagística e vida urbana mais ativa, embora enfrente desafios impostos pela topografia e pela especulação fundiária. Em ambas, o agronegócio e o controle territorial reconfiguram os ideais originais de planejamento. O estudo contribui para compreender as relações entre forma urbana, interiorização do território brasileiro, desenvolvimento regional e processos de colonização dirigida.
