O CÂNONE, o giz e muitas cabeças

  • Luiz Carlos Santos Simon UEL

Resumo

As discussões travadas no meio acadêmico sobre o cânone literário, através de publicação de artigos em periódicos especializados, de comunicações e conferências proferidas em eventos científicos nacionais e internacionais e de aulas e pesquisas conduzidas no âmbito da pós-graduação, parecem muitas vezes não ter a devida repercussão nos cursos de graduação em Letras. É preciso reconhecer que o debate sobre o cânone e as diversas investidas contra sua resistência são manifestações relativamente recentes, sobretudo se comparados ao peso da tradição e ao tempo em que ele se sustenta. Todavia, cabe constatar que o vigor desse debate não é nada desprezível, uma vez que circula com desenvoltura por eventos acadêmicos que contam com público numeroso há mais de duas décadas. De qualquer modo, a constituição das matrizes curriculares dos cursos de Letras, assim como diversas outras instâncias que regulam o contato de leitores em formação e pessoas mais ou menos leigas em relação à literatura, ainda revela um privilégio concedido a perspectivas historiográficas e a nomes de grandes escritores. Em outras palavras, Machado de Assis e William Shakespeare continuam a receber muita atenção como referências fundamentais para a literatura e para os estudos literários.

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Publicado
2016-09-21