BENJAMINIANO, pobre e pós-moderno

  • Raul Antelo UFSC

Resumo

Silviano Santiago tem sistemáticamente elaborado, ao longo de seus textos, uma escritura que se define pela ausência. Ausência de enunciação, em “O envelope azul”. Ausência de recepção, em “Conversei ontem à tardinha com nosso querido Carlos”. Ausência de intencionalidade, em “Caíram as fichas”. São ausências, essas das suas Histórias mal contadas[1], que se dispersam no próprio ato da escritura e o resultado são textos transformados em um ambivalente modo de desaparecimento de si, por meio do esquecimento da norma, ao passo que esse mesmo gesto garante ao escritor a paradoxal apropriação de si, através da contínua desapropriação do outro.


[1] SANTIAGO, Silviano - Histórias mal contadas. Rio de Janeiro, Rocco, 2005.

Biografia do Autor

Raul Antelo, UFSC

Graduado em Letras Modernas pela Universidad de Buenos Aires (1974) e em Língua Portuguesa pelo Instituto Superior del Profesorado en Lenguas Vivas (1972), mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (1978) e doutorado em Literatura Brasileira pela mesma Universidade (1981). Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, atuando principalmente nos seguintes temas: modernismo e modernidade, poesia e crítica cultural contemporânea.

Publicado
2017-05-05