CHE RETÃ interculturalidade na fronteira Brasil-Paraguai

Paulo Sérgio Nolasco dos Santos

Resumo


“Che retã” é título de um dos relatos que compõem a coletânea de contos do escritor sul-mato-grossense Brígido Ibanhes, nascido em Bela Vista, caudalosa cidade às margens do Rio Apa, fronteiriça com o Paraguai, cuja história e cultura brotam em um chão fertilizado, transmutado em contos e memórias da fronteira, presentificados no próprio título da coletânea2. Trata-se de livro recém-publicado, portanto o último dentre os vários de conteúdo e gêneros bem diversificados, que ilustram a densa e significativa produção de Brígido Ibanhes, de reconhecida fortuna crítica na atualidade. No entanto, interessa- nos no relato “Che retã” seu aspecto de texto atravessado por uma certa mediação da “passagem”, da “fronteira” e do lugar intervalar enquanto discursivização e alusão à corlocal: “Che retã”, em guarani, pode ser traduzido como “minha terra, minha aldeia”. Assim situada a narrativa, bem como o universo do discurso que serve de ancoragem à perspectiva do narrador protagonista, que não só aborda tema de um locus de enunciação particular, da ordem do sujeito que relata experiências e lembranças voltadas para um lugar em particular, mas também e por isso mesmo mostra-se como sujeito de discurso marcado por uma região cultural de fronteira, de passagem, constatação substantiva para a nossa reflexão, que visa à análise de produções culturais e simbólicas reveladoras do eixo cultura local como limiar dentre diferentes, compartilhados, e como fronteira na qual uma face abre-se para sua contraface e vice versa.


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