CRÍTICA LITERÁRIA e valor estético
Resumo
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A partir de algumas discussões que se produziram no primeiro dia de um encontro de crítica literária na Universidade Nacional de Bogotá, Colômbia, em outubro de 2007, decidi descartar o ensaio que havia preparado sobre a música brasileira popular e, numa noite, esboçar outra comunicação, dessa vez acerca dos problemas do juízo estético e do valor literário. Ao final da apresentação, recebi forte crítica do Prof. Victor Viviescas, com a qual não pude senão concordar. A minha apresentação sobre-enfatizava o papeldesmistificador do agnosticismo, do ceticismo valorativo que passou a ser associado aos Estudos Culturais. Para simplificar um argumento que era con- sideravelmente mais complexo, digamos que Viviescas me sugeria que o modelo apresentado sofria de visível teleologia, ao colocar os Estudos Culturais como ponto de chegada de uma evolução, que apesar de meus melhores esforços, não fazia senão reeditar a mitologia do progresso. O fato de que eu eludira a estética hegeliana, dando um salto do desinteresse kantiano diretamente aos moralismos estéticos anglo-saxões de Leavis e Arnold, reeditava o mesmo hegelianismo com o qual eu me recusara a discutir. O que segue não é, por- tanto, o texto escrito da apresentação de outubro – este se encontra já perdido no mar dos rascunhos que jamais chegaram à condição de texto—, mas uma reflexão que combina alguns dos pontos desenvolvidos em Bogotá com uma revisão do argumento original à luz do debate que ocorreu lá. Sobre a mesa, para começar, uma pergunta muito mais complexa do que parece: o que é o valor literário?
Referências
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