BIOGEOGRAFIAS ARTÍSTICAS COMO EXTERIORIDADE DOS FAZERES – corpos latinos fronteiriços

Marcos Antônio Bessa-Oliveira

Resumo


Fronteira é lugar de exterioridades: de arte, de culturas e de conhecimentos desconsiderados pelo Projeto Moderno Europeu. Portanto, viver em (CORPOS) fronteira é ser e ter acontecimentos que impedem a circulação de biogeografias de exterioridades em interioridade dos pensamentos hegemônicos (europeu e estadunidense). O “corpo” que habitamos não está apenas circunscrito aos espaços formais onde, colonizados, vestiu-se índios, colocaram correntes nos negros e encapuzaram com chapéus de palha o latino do campo como um jacu. Considerando o glamour com que são apresentadas essas e outras perspectivas de mundos (CORPOS) vistas nas narrativas dos Contos de Fadas clássicos, por exemplo, as personagens Branca de Neve, Cinderela, Rapunzel, e a Alice do “Alice no País das Maravilhas”, entre muitas outras, jamais poderiam ser corpos neg(r)ados em estado de fronteira. Assim, a discussão descolonial aqui se edifica em refletir as “fronteiras” (im)postas, aos corpos latinos biogeográficos fronteiriços, pelos discursos que impedem àqueles serem re-conhecidos! A exemplo do corpo-política, o corpo como dono dos seus discursos e de suas fronteiras, o corpo aqui é corpo-fronteira (somente si toca e é tocado por aquilo que si permite e é um corpo de diferentes lugares enunciativos que são, por conseguinte, corpos biogeográficos múltiplos: corpos estranh@s, aos discursos consolidados, que si-movem-se. Assim, talvez uma imagem deslumbrada em Campo Grande-MS que me incomodou seja justificada: uma família de indígenas, no centro da capital de MS, estando todos vestidos como cristãos brancos, me pareceram estar “ainda-nus”! Daí me recorreu o pensamentocomoimagem: se não tivéssemos/fossemos colonizados (desde os séculos XIV e XV) aqueles sujeitos estariam todos “vestido-nus”? Já que eles e nós hoje (século XXI) habitamos corpos que não são seus/nossos verdadeiros corpos!

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