QUEM CONTA A HISTÓRIA DA BRUXA? WICKED, COLONIALIDADE NARRATIVA E A PRODUÇÃO DO OUTRO NAS EPISTEMOLOGIAS DO SUL
DOI:
https://doi.org/10.55028/80b5s440Resumo
O presente artigo analisa a obra Wicked (2024), dirigida por Jon M. Chu, a partir das contribuições das Epistemologias do Sul e dos estudos decoloniais, articulando também a teoria feminista crítica. Parte-se do problema de pesquisa: de que modo a narrativa do filme tensiona os processos de construção social dos heróis e vilões e evidencia disputas em torno da legitimidade das narrativas e da produção do conhecimento. O objetivo geral consiste em compreender como a trajetória da personagem Elphaba problematiza a produção da diferença, os mecanismos de silenciamento e as relações de poder que definem quem pode narrar e ser reconhecido como sujeito de saber. A metodologia adotada é qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica e análise documental da obra cinematográfica. O referencial teórico fundamenta-se em Aníbal Quijano (2005), Walter Mignolo (2017), Boaventura de Sousa Santos (2009; 2010; 2019), Gayatri Chakravorty Spivak (2010), Stuart Hall (2016) e María Lugones (2020), cujas contribuições permitem discutir colonialidade, representação, subalternidade e produção de ausências e emergências no campo epistemológico. Os resultados indicam que Wicked opera como uma contra-narrativa ao deslocar a perspectiva tradicional da Bruxa Má do Oeste, evidenciando que as categorias de herói e vilão são construções históricas, discursivas e atravessadas por relações de poder. Observa-se que a legitimidade das narrativas depende de estruturas institucionais e simbólicas que regulam a circulação dos discursos e definem quais vozes são reconhecidas como verdadeiras. Conclui-se que a obra evidencia a inseparabilidade entre narrativa, memória e poder, reforçando que disputas por representação são também disputas epistemológicas. Nesse sentido, contribui para os debates contemporâneos sobre justiça cognitiva e pluralidade de saberes nas Epistemologias do Sul.
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