POLÍTICAS DO CORPO E O IMPERIALISMO DO PRAZER: UMA HISTÓRIA DECOLONIAL DO CORPO FEMININO NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.55028/5rveb158Resumo
O presente trabalho analisa historicamente as formas pelas quais a colonialidade estruturou o controle sobre o corpo feminino e a sexualidade no Brasil, compreendendo tais processos como expressões de um imperialismo do prazer que transformou os corpos em objetos de dominação política, econômica e simbólica. Parte-se do seguinte problema de pesquisa: de que maneira as heranças coloniais moldaram as políticas do corpo feminino e quais mecanismos de resistência podem ser identificados diante dessas estruturas de poder? O objetivo é investigar a construção histórica dos dispositivos de controle da sexualidade feminina desde o período colonial até a contemporaneidade, articulando questões de gênero, raça, classe e sexualidade a partir de uma perspectiva decolonial. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza histórico-bibliográfica, fundamentada na análise crítica de fontes históricas, legislação, obras literárias e estudos produzidos nos campos da História, dos Estudos Decoloniais e da teoria feminista. A investigação percorre temas como a moralidade religiosa, a escravidão, a prostituição regulamentada, o tráfico internacional de mulheres e a objetificação dos corpos femininos, evidenciando a permanência de dispositivos coloniais de poder nas relações sociais brasileiras. Os resultados demonstram que a administração da sexualidade constituiu um elemento central da colonialidade, produzindo hierarquias de gênero e raça que ainda repercutem nas formas contemporâneas de violência, exploração e controle dos corpos. Conclui-se que uma leitura decolonial da história da sexualidade brasileira possibilita problematizar narrativas tradicionais, conferir centralidade às experiências das mulheres historicamente subalternizadas e contribuir para a construção de perspectivas historiográficas comprometidas com a justiça social e a democratização dos direitos sexuais e reprodutivos.
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