NOMINAÇÃO E PALAVRA: ENTRE ESCUTA E DIAGNÓSTICO

Autores

  • Markus Felipe de Oliveira Salles Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.55028/p778dk15

Resumo

Este artigo analisa de forma crítica o fenômeno da nominação diagnóstica e da crescente medicalização da infância e da adolescência no contexto escolar contemporâneo. O objetivo principal é problematizar como a proliferação de laudos e diagnósticos psiquiátricos muitas vezes substitui a escuta atenta do sofrimento juvenil, enquadrando os sujeitos em categorias patológicas e limitantes. A metodologia adotada constitui-se de uma revisão bibliográfica de cunho qualitativo, fundamentada primariamente na perspectiva teórica de Michel Foucault sobre as relações de saber-poder, estabelecendo também diálogos com a ontologia histórica de Ian Hacking e reflexões do campo psicanalítico. Os principais resultados indicam que os discursos médico-pedagógicos operam de maneira descentralizada e capilarizada, produzindo intensos efeitos de subjetivação, normatização e regulação dos corpos no ambiente educativo, os quais frequentemente atendem a uma racionalidade neoliberal e aos interesses mercadológicos da indústria farmacêutica. As considerações finais apontam para a necessidade premente de resgatar o sentido originário da scholé grega (tempo livre) e de criar espaços efetivos de acolhimento na escola. Tais espaços devem garantir o direito à palavra própria, ao equívoco e à singularidade, resistindo à lógica puramente gerencial que silencia a complexidade intrínseca da juventude sob a imposição de métricas de eficiência e intervenções medicamentosas.

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Publicado

2026-09-10