Trauma e pós-memória em Hanói, de Adriana Lisboa
DOI:
https://doi.org/10.55028/e7dcmk38Palavras-chave:
Pós-memória; Exílio; TraumaResumo
O presente artigo objetiva analisar as questões do exílio, pós-memória e trauma no romance Hanói, de Adriana Lisboa (2013). Focando nas personagens Alex, Huong, Linh e Trung, buscamos investigar como o trauma sofrido por gerações anteriores foram transmitidos para Alex. Vez que o trauma das personagens é decorrente da guerra e subsequente exílio, utilizamos a concepção de exílio de Edward Said, desenvolvida no seu ensaio intitulado “Reflexões sobre o exílio” (2003). Sobre as questões de memória, utilizamos os estudos de memória de Suzan Sontag (2003) e Jan Assmann (1995), que discorrem sobre memória coletiva, memória afetiva e a diferença entre elas, servindo como base comparativa para as teorias da pós-memória. Com relação à pós-memória, foco principal desta análise, foram utilizados textos de Marianne Hirsch (1992, 1996, 1997 e 2008) e Beatriz Sarlo (2007). A pós-memória é um conceito cunhado por Hirsch, tratando de toda memória traumática transmitida entre gerações. Nosso estudo conclui que Alex experiencia o fenômeno da pós-memória, derivada das experiências traumáticas sofridas por sua mãe Huong e avó Linh, bem como o amigo da família Trung. Essas personagens sofreram traumas decorrentes de conflitos no seu país natal, o Vietnã, ocasionando seu exílio. Alex é a única que nasceu nos Estados Unidos, falando pouco da língua de seus antepassados, além de nunca ter visto o Vietnã. Não obstante, mesmo com esforço para que as memórias da guerra não fossem passadas à Alex, a personagem por vezes ou pondera voluntariamente sobre essas questões, ou age influenciada involuntariamente pelas memórias traumáticas familiares.
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