Resumo: <br>Colecionismo: um relato de caso. PECIBES, supl.1, 13, 2015.

  • Danusa Céspede Guizzo Ayache Serviço de Psiquiatria, Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
  • Luciana Cristina Gulelmo Staut Bruno Serviço de Psiquiatria, Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
  • Carolina Bernal de Lucena Serviço de Psiquiatria, Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
  • Milena Marchini Rodrigues Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS, Brasil.
  • Wolner Fernandes Lima Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS, Brasil.
  • Maicon Felipe Gheller Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS, Brasil.

Resumo

Relato de caso: A.C.P.A., 55 anos, masculino, internado na UTI do HU-UFMS com insuficiência respiratória por fibrose pulmonar e DM II descompensada. Após a melhora do quadro agudo, foi para a Enfermaria de Clínica Médica, sendo solicitado parecer da Psiquiatria, devido à informação dos familiares de que sua casa estava com acúmulo de objetos e lixo. O paciente tinha ensino superior completo, apresentava fala bem articulada e bom asseio pessoal. Porém os familiares relataram indiferença afetiva desde a infância, isolamento social, atitudes bizarras e ausência de relacionamentos profundos, a não ser com a mãe. Apresentava um pensamento prolixo e tangencial, associado a delírios persecutórios (dizia que um helicóptero ouvia suas conversas, bem como seus telefones eram grampeados). Quando jovem, tinha o costume de colecionar todo tipo de objeto, como restos de comida e relógios. Apesar de afirmar que sua casa era organizada, verificamos através de vídeos e fotos dos familiares um excesso de objetos, restos de comida, muitos animais e cômodos inacessíveis. Acredita-se que, por viver em tal ambiente, tenha se contaminado com algum fungo que se proliferou no local, causando sua pneumopatia. Sugerimos avaliação neurológica que descartou quadro demencial. Com a HD de Esquizofrenia, iniciamos risperidona 2 mg/dia durante a internação. Porém o paciente, por apresentar ausência de crítica sobre seu estado mórbido, não aceitava a medicação e recusou nossa indicação de internação psiquiátrica após receber alta da Pneumologia. Foi então prescrito pipotiazina 25 mg VIM a cada 15 dias e retorno ambulatorial semanal com a Psiquiatria. Porém por dificuldades psicossociais não prosseguiu o tratamento ambulatorial com a Psiquiatria e Pneumologia, vindo a falecer em casa devido à sua pneumopatia. Discussão: O colecionismo patológico é definido como a aquisição e incapacidade de descartar posses de pouca utilidade ou valor para os outros. O tratamento nestes casos é dificultado, pois os pacientes são relutantes em aceitar qualquer tipo de ajuda. O tratamento medicamentoso é direcionado à doença de base; existem alguns relatos de caso com descrição de sucesso com o uso da risperidona. O acompanhamento pela Vigilância Sanitária é importante para que o paciente busque manter sua casa limpa, evitando a disseminação de doenças. Conclusão: Os pacientes psiquiátricos podem ter como porta de entrada no sistema de saúde outras especialidades. Devemos estar atentos aos seus sintomas para que, caso necessário, possamos intervir de forma assertiva.

Publicado
2017-08-15