Resumo: <br>Estabelecimento da cultura de células endoteliais progenitoras circulantes a partir do sangue periférico. PECIBES, supl.1, 44, 2015

  • Tatiana Mary Sakamato
  • Carolina Lanaro
  • Margareth Castro Ozelo
  • Nicola Conran
  • Fernando Ferreira Costa

Resumo

As células endoteliais exercem grande variedade de funções como manutenção do tônus vascular, hemostasia, participação na resposta inflamatória e na angiogênse. A ativação, lesão ou disfunção endotelial dessas células podem contribuir em diversos mecanismos fisiopatológicos de doenças como aterosclerose, diabetes e a anemia falciforme (AF). As células endoteliais progenitoras circulantes ou como serão denominadas neste estudo _ Blood Outgrowth Endothelial Cells (BOECs) _ são células endoteliais com características de células endoteliais maduras. As BOECs, assim como as Células Endoteliais Progenitoras precoces (CEPs), podem ser isoladas do sangue periférico por meio de cultura in vitro, e ambas células estão presentes em baixo número dentre as células mononucleares (0,1-0,01%). Diversos estudos indicam as BOECs como candidatas à regeneração vascular, biomaterial na terapia gênica e modelo no estudo fisiopatológico de doença vascular. Assim, o objetivo deste trabalho foi estabelecer a cultura de BOEC para servir como modelo de estudo in vitro do sistema endotelial de pacientes com AF. Participaram da pesquisa pacientes com diagnóstico de anemia falciforme (N=15) e indivíduos saudáveis (N=14) com padrão eletroforético e índices hematológicos normais. O estabelecimento da cultura de células BOECs foi baseado no protocolo de Lin et al. (2000). Apartir do sangue periférico foi isolada uma camada de células momonucleares e estas foram cultivadas em meio específico para células endoteliais. As culturas positivas para BOECs (N=13) apresentaram na primeira semana da cultura o surgimento de CEPs, com o formato de spindle-shaped que desapareceram ao longo da cultura; as primeiras colônias de BOECs surgiram em torno de 9 a 21 dias de cultura, com a morfologia característica de células endoteliais maduras, denominada de cobblestone. Após três passagens das células, obteve-se uma quantidade suficiente de células para fazer a caracterização destas por citometria de fluxo utilizando marcadores específicos (CD31, CD105, CD146, KDR, CD144). Esta pesquisa confirmou a possibilidade de se estabelecer a cultura de BOECs de pacientes com AF e de indivíduos saudáveis. O estabelecimento da cultura foi complexa, de longa duração e com 50% de sucesso de estabelecer culturas positivas para BOECs. No entanto, as BOECs possuem vantagens a serem utilizadas em estudos por possuírem alta capacidade proliferativa, fenótipo de célula endotelial madura estável por várias passagens durante o cultivo e a possibilidade de utilizar tratamentos com drogas. Diante do estabelecimento da cultura de BOECs de pacientes com AF e das características destas células, sugere-se que as BOECs podem ser utilizadas como modelo de estudo in vitro da anemia falciforme, isto é, na ausência de vaso-oclusão e inflamação crônica presentes na doença.
Publicado
2017-09-20