Perfil epidemiológico das gestantes com sífilis

  • Cássia de Paula Pires 1 Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. E-mail: cassia_ppires@hotmail.com 2 Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. 3 Professor adjunto do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
  • Carolyni Oviedo Fernandes
  • Sandra Luzinete Félix de Freitas
  • Luciana Virginia de Paula Silva e Santana
  • Laura Elis Aguero Reis Junqueira
  • Rodrigo Guimarães dos Santos Almeida

Resumo

Introdução: Nos últimos anos, a sífilis se tornou um grande problema de saúde pública, com cerca de 2 milhões de gestantes infectadas anualmente, 300 mil óbitos fetais e neonatais e mais de 215 mil crianças com morte prematura no mundo. No Brasil, os esforços para detecção precoce são realizados durante o pré-natal conforme as políticas públicas de ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento precoce da sífilis.Objetivo: Conhecer o perfil epidemiológico das gestantes diagnosticadas com sífilis atendidas na Rede Municipal de Saúde de Campo Grande/MS. Método: Estudo transversal, retrospectivo, quantitativo com dados de fichas de notificação do Sistema de Informação de Agravos e Notificação, em Campo Grande (MS), no período de 2011 a 2017. Após aprovação do CEP/UFMS, sob o parecer n° 2.166.457, os dados foram coletados e analisados no programa estatístico SPSS versão 24. Resultados: No período foram diagnosticados 2056 casos de sífilis gestacional, sendo 2017 com a maior frequência (515/25%), quatro vezes maior que 2011 (130/6,4%) e 1,3 vezes que 2016 (398/19,4%). Predominou mulheres de 20 a 29 anos (1034/50,3%), negras (1289/62,7%), com, quando indicada, até 12 anos de estudo (1543/96,4%) e um terço das gestantes residiam na região Anhanduizinho (699/34%). Do total, 1173 gestantes (57,1%) tiveram o diagnóstico de sífilis tardiamente, demonstrando dificuldades no diagnóstico precoce durante o pré-natal conforme preconizado pelas políticas públicas de saúde. Além disso, em apenas 51,4% dos casos o parceiro realizou o tratamento juntamente com a gestante. Conclusão: As gestantes com maior vulnerabilidade a infecção de sífilis são jovens, negras, com baixa escolaridade com diagnóstico tardio e risco de reinfecção. É possível concluir que apesar dos esforços para prevenção e controle da sífilis durante a gestação, esta teve um grande aumento no ano de 2017. A sífilis continua sendo um grande problema de saúde pública e seus números elevados demonstram uma possível falha no diagnóstico precoce durante o pré-natal em populações vulneráveis. Desse modo, faz-se necessário um reforço nas medidas preventivas e campanhas de conscientização acerca da importância do diagnóstico precoce da doença tanto para a população quanto para os profissionais de saúde.

Palavras-chave:filis, Gravidez; Epidemiologia.