Síndrome de Wernicke-Korsakoff: um relato de caso

  • Ana Carolina Marchewicz Rocha 1 Bióloga residente em Análises Clínicas no Programa de Residência Multiprofissional Integrada em Saúde UNIDERP/FUNSAU/Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Campo Grande-MS. 2 Nutricionista residente no Programa de Residência Multiprofissional Integrada em Saúde UNIDERP/FUNSAU/Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Campo Grande- MS. 3 Farmacêutica residente no Programa de Residência Multiprofissional Integrada em Saúde UNIDERP/FUNSAU/Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Campo Grande-MS. 4 Assistente social residente no Programa de Residência Multiprofissional Integrada em Saúde UNIDERP/FUNSAU/Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Campo Grande- MS. 5 Enfermeira residente no Programa de Residência Multiprofissional Integrada em Saúde UNIDERP/FUNSAU/Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Campo Grande-MS. 6 Fisioterapeuta Mestre em Saúde e Desenvolvimento do Centro-Oeste (UFMS). Coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional Integrada em Saúde UNIDERP/FUNSAU/Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Campo Grande-MS.
  • Cassia Maria Machado
  • Bruna Lisiê Costa de Oliveira
  • Danizele do Espírito Santo da Silva
  • Francielle de Mello Pereira
  • Viviane Teixeira dos Santos

Resumo

Introdução: A deficiência de tiamina secundária ao abuso de álcool provoca distúrbios na síntese da ATP e desencadeia a Síndrome de Wernicke-Korsakov (SWK), clinicamente caracterizada por um estado confusional, oftalmoparesia e ataxia na fase aguda, e por amnésia anterógrada e confabulação na fase crônica, que se não tratada pode levar à morte. Descrição do caso/Experiência: V.J.O., 50 anos, sexo masculino, admitido no pronto atendimento com rebaixamento do nível de consciência e desidratação. Após entrevista social com a família foi evidenciado que o paciente consumia álcool desde os 14 anos, tendo sido internado para desintoxicação, porém sem adesão aos tratamentos. Laboratorialmente possuia alterações hepáticas e renais, com necessidade de terapia renal substitutiva, além de anemia e leucopenia; e a tomografia de crânio sinalizava uma atrofia cerebral, manifestada por um quadro de hipotermia sustentada. Apresentava magreza grau III e rigidez muscular importante, para a qual eram feitas adequações posturais com o uso de coxins de conforto. Mesmo após o desmame ventilatório, suspensão da sedoanalgesia e reposição de tiamina o paciente não contactuava com a equipe. Embora com suplementação de O2, evoluiu com PCR por hipóxia, sendo reanimado após 4 ciclos. De volta à ventilação mecânica, hemodinamicamente estável às custas de droga vasoativa, houve piora pulmonar sendo necessária a realização de toracocentese de alívio. Aos 21 dias de internação em função da piora clínica e mau prognóstico foram instituídos os cuidados paliativos, e o paciente evoluiu a óbito cinco dias depois. Discussão: Por se tratar de um conjunto de sinais e sintomas compatíveis com intoxicação alcoólica e pelo fato de apenas 16% dos pacientes portadores de SWK apresentarem os sintomas da fase aguda, essa síndrome tem sido subnotificada, e as taxas de mortalidade alcançam 17%. 

Palavras-chave: Síndrome de Wernicke; tiamina; multiprofissional.