A CONSTRUÇÃO DE RELAÇÕES DE CONFIANÇA ENTRE PROFESSOR E ALUNO NO ENSINO DE MATEMÁTICA

Bianca Mourão Osório, Renata Viviane Raffa Rodrigues

Resumo


Ao reviver algumas de nossas experiências na promoção de oficinas em uma escola participante do Subprojeto de Matemática do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), decidimos tentar descrever alguns dos pensamentos e sentimentos mais marcantes sobre os quais queremos tratar neste texto. Neste relato pretendemos explicitar a importância da construção de relações de confiança entre professor e aluno no ensino de Matemática. Para tanto, apresentamos uma situação vivida pela primeira autora no contexto escolar e o modo que passamos a olhar para ela a partir de algumas reflexões sobre as relações interpessoais que ali se desenvolveram (PLACCO, 2004).

Além dos estudos e orientações realizados na universidade, no PIBID, com a supervisão de uma professora que leciona na escola parceira do projeto, temos realizado oficinas com alunos do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental. No contraturno das aulas de Matemática, cada bolsista é responsável pelo apoio pedagógico a um grupo de quatro a cinco alunos.

Segundo Blumenthal (2002, p. 31) “confiança em aprender matemática é a variável afetiva que está relacionada com o quão segura a pessoa se sente para realizar bem tarefas matemáticas propostas [...]”. Nesse sentido, consideramos que essa confiança pode ser construída a favor do aprendizado do aluno, já que afetivamente ele se sentirá mais seguro para fazer questionamentos e expor suas dúvidas. Todavia, é preciso criar um ambiente em que professor não está ali para fazer julgamentos, oferecendo condições para o aluno sair do “estado de bloqueio” (CHACÓN, 2003, p. 25). Desse modo, a seguir, descrevemos uma experiência em que se destacam alguns desses aspectos.

Desde o primeiro dia em que fomos à escola ter o contato com os alunos, sentimos que um deles, estudante do 6° ano, estava muito distante. Embora houvesse vontade de nos aproximarmos e saber o que estava acontecendo, evitamos por haver muitos alunos presentes. Nas primeiras oficinas ele não se enturmava, não fazia as tarefas propostas e mesmo quando tentávamos nos aproximar, perguntando se tinha alguma dúvida ou buscando fazê-lo interagir, ele resistia. Foi então que na terceira oficina, chegando mais cedo que o habitual, buscamos saber os problemas que inibiam o seu envolvimento, já que mesmo não sendo tão participativo era visível a sua capacidade de aprendizagem. Mesmo sem questionamentos diretos de nossa parte, ele começou a falar sobre sua vida pessoal, os problemas que estava enfrentando, principalmente ligados a conflitos familiares, que acabavam refletindo no seu engajamento com as tarefas escolares. Após essa conversa, conseguimos estabelecer uma relação em que o aluno passou a demonstrar mais segurança para expor dúvidas que surgiam tanto nas atividades propostas nas oficinas quanto às que trazia sobre os conteúdos abordados em sala de aula.

Com essa experiência do PIBID percebemos como um ambiente agradável, com respeito ao tempo do aluno e espaço para ouvi-lo pode contribuir à construção de relações de confiança com os alunos. Além disso, entendemos que aprender a ensinar Matemática não é algo que se desenvolve isoladamente, dado que requer o contato com os alunos, muita paciência e a compreensão das relações interpessoais mais favoráveis à aprendizagem. Essas reflexões sobre a iniciação à docência ajudam-nos a perceber aspectos novos, não só em relação ao conteúdo matemático, mas referentes às questões sociais e afetivas que atravessam o cotidiano dos alunos.

Palavras-chave


PIBID; Relações de Confiança; Ensino de Matemática

Texto completo:

366-367

Referências


BLUMENTHAL, G. Educação Matemática, Inteligência e Afetividade. Educação Matemática em Revista, São Paulo,ano 9, n. 12, p.30-34, jun.2002.

CHACÓN, I. M. G. Matemática emocional: os afetos na aprendizagem matemática. Porto Alegre: Artmed, 2003.

PLACCO, V. M. N. S. Relações interpessoais em sala de aula e desenvolvimento pessoal do aluno e professor. In: ALMEIDA, L. R.; PLACCO, V. M. N. S. (Orgs.). As relações interpessoais na formação de professores. 2. Ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 7-19.


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