SABERES AFETIVOS NA INICIAÇÃO À DOCÊNCIA E SABERES CURRICULARES OFERECIDOS NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA

  • Guilherme Menezes Gomes Universidade Federal da Grande Dourados
  • Antônio Vitor Lopez de Paula Universidade Federal da Grande Dourados
  • Renata Viviane Raffa Rodrigues Universidade Federal da Grande Dourados
Palavras-chave: Saberes docentes, Formação inicial de professores de Matemática, Relações interpessoais, PIBID

Resumo

Neste texto pretendemos apresentar algumas percepções desenvolvidas com as experiências do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) sobre demandas multidimensionais do exercício profissional do professor de Matemática. Com base nessas percepções, procuramos também apresentar algumas reflexões sobre a formação acadêmica que nos tem sido oferecida dentro do curso de Licenciatura em Matemática.

Assumir o papel de professor de Matemática no desenvolvimento de oficinas, despertou-nos um olhar mais atento aos alunos das escolas participantes do programa, propiciando-nos reconhecer como suas dificuldades e saberes torna-os únicos, cada um com uma forma de pensar e de aprender. Deparamo-nos com possíveis eventos que podem acontecer dentro da sala de aula, de modo a buscar desenvolver práticas pedagógicas para lidar com eles. Do mesmo modo, sentimos a necessidade de estar mais atento às questões emocionais de nossos alunos frente à Matemática, haja vista que esse é um fator que não se pode separar do processo de aprendizagem (PLACCO, 2004). Essa questão também nos despertou a atenção para os saberes afetivos do professor. Tardif  e Raymond (2000) apresenta que os saberes afetivos que decorrem dentro da sala de aula na relação professor-aluno, não são oriundos somente na formação universitária, curricular ou  até mesmo adquirido em prática de sala de aula, esse tipo de saber é ao mesmo tempo, pragmático, pois está relacionado tanto ao trabalho quanto ao trabalhador, de tal modo que o docente não se prende totalmente à dimensão intelectual, mas também se orienta pelo afetivo, emocional, pessoal e interpessoal.

Nesse sentido, o próprio processo de aprendizagem desses saberes vem de relações interpessoais, que se servem basicamente do aprender junto, com o apoio do outro – “e dessa aprendizagem ninguém sai igual” (PLACCO, 2004, p. 11). Por isso os saberes a respeito dos relacionamentos interpessoais entre professores-alunos e alunos-alunos também merecem atenção no contexto da formação de professores de Matemática.

As percepções das dimensões dos saberes que envolvem ser um professor de Matemática, desenvolvidas nas experiências nas escolas, também implicaram em reflexões curriculares sobre a formação acadêmica oferecida no curso.

Para adentrar nessa temática, buscamos em Tardif compreender do que se tratam os saberes curriculares. Segundo esse autor, saberes dessa natureza são “conhecimentos relacionados à forma como as instituições educacionais fazem a gestão dos conhecimentos socialmente produzidos e que devem ser transmitidos aos estudantes” (TARDIF, 2002). Com as experiências do PIBID, conhecendo melhor a realidade escolar, começamos a perceber que na universidade os professores buscam transmitir muito do conhecimento matemático teórico ou aplicado de modo desvinculado de seu caráter pedagógico. Além disso, não há a consideração de que a dimensão afetiva na prática docente pode ser uma perspectiva assumida pelo professor de Matemática que leva em conta cuidados especiais em sua forma de promover um tipo de ensino em que o aluno seja afetado emocionalmente pela sensação de participar interativamente do processo de aprendizagem e não pela sensação de exclusão desse processo.

Dessa forma, concluímos que a prática vivenciada no contexto escolar, deparou-nos com situações que envolvem relacionamentos interpessoais que demandam também por saberes afetivos que ultrapassam os saberes curriculares que nos têm sido oferecidos no curso.

Referências

PLACCO, V. M. N. S. Relações interpessoais em sala de aula e desenvolvimento pessoal do aluno e professor. In: ALMEIDA, L. R.; PLACCO, V. M. N. S. (Orgs.). As relações interpessoais na formação de professores. 2. Ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 7-19.

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.

TARDIF, M.; RAYMOND, D. Saberes, tempo e aprendizagem do trabalho no magistério. Revista Educação & Sociedade, ano XXI, n. 73, p. 209-244, dez. 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v21n73/4214.pdf. Acesso em: 29 jan 2019.

Publicado
2019-09-15