ESTUDO DE CASO DE UM ALUNO SURDO NA DISCIPLINA DE LÓGICA MATEMÁTICA

  • Jaqueline Ferreira Cordeiro

Resumo

RESUMO

 

Neste estudo, apresentaremos uma análise preliminar dos fatores sobre os desafios que o surdo[1] enfrenta ao ingressar na faculdade e como dar continuidade no meio acadêmico. As vertentes analisam a linha do ensino e aprendizagem e o processo de inclusão, no ensino superior na cidade de Campo Grande/MS. Segundo Perlin (1998, p. 54): “os surdos são surdos em relação à experiência visual e longe da experiência auditiva”.

Já na aprendizagem, o foco é o aluno e como ele se desenvolve em classe, pela visão do pesquisador, mediante a coleta de dados registradas no diário de campo e entrevista com professor e o intérprete do aluno surdo.

Além do aluno, o professor também se encontra em momento de aprendizagem. Este, após se deparar com o aluno surdo, antes reconhecido como invisível, busca modificar sua didática em aula ao compreender o uso da (LIBRAS)[2]. Por isso, analisaremos a formação acadêmica dos profissionais em questão.

Poucos são os dados e levantamentos de alunos surdos que ingressam nas universidades públicas e particulares, indicando carência de políticas que se preocupem com este indivíduo. A raiz da insatisfação e fracasso dos alunos, em muitos casos, se deve à ausência de professores ou profissionais bilíngues[3] que possam diminuir a distância do ensino a aprendizagem (BRUNO, 2011).

Umas das potencialidades que desenvolvemos nesta pesquisa, foram basear-se no caráter qualitativo. Araújo e Borba (2004) enfatizam que pesquisa qualitativa deve ter por trás uma visão de conhecimento que esteja em sintonia com procedimentos como: entrevistas, análises de dados, etc., utilizando-se de uma metodologia de cunho etnográfico, que é a lógica da investigação educacional, o ensino e a aprendizagem são associados a ações do docente. Trata-se da observação participante, registro descrito de coleta de dados que pode ser por meio de entrevistas semiestruturais e abertas, na compreensão da cultura[4] do surdo (SCHEFER, 2015).

Para construir a análise que aqui abordamos, utilizei-me das entrevistas, visto que são instrumentos largamente utilizados nas pesquisas em ciências humanas, segundo Viega-Neto et al.(2002).

Evitamos em estender um tempo longo no local para melhor captação de dados, por isso, os registros foram feitos em cada encontro no diário de campo. O Contato com o professor e o intérprete foi de março até junho de 2019. Por essa razão entrevistamos o professor da turma e o professor intérprete do aluno surdo. Fazendo se valer a utilização do legado deixado por Malinowski “observação participante”, redirecionando o papel do pesquisador (SCHEFER, 2015).

As entrevistas com o professor e o intérprete foram registradas em áudio, mas antes de se iniciarem, ambos tiveram o conhecimento de que a entrevista será transcrita[5], e ao final da transcrição da entrevista eles decidirão se usarão ou não, determinadas informações, deverão também preencher e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - (TCLE) [6].

Entretanto, espera-se que além de apontar possíveis avanços e retrocessos no processo de escolarização do aluno surdo na Universidade em questão, possa contribuir com as pesquisas relacionadas com a Educação Especial, na perspectiva da Educação Inclusiva no Estado de Mato Grosso do Sul.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

ARAÚJO, J. L.; BORBA, M. C. Construindo Pesquisas Coletivamente em Educação Matemática. In: BORBA, M. C.; ARAÚJO, J. L. (Org.) Pesquisa Qualitativa em Educação Matemática, Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

 

BRASIL. Decreto Nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Brasília, DF: Presidência da Republica, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos, 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm. Acesso em: 05 jun 2019

_______ . LEI Nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS e dá outras providências. Brasília, DF. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10436.htm. Acesso em 08 jun 2019

 

______. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=16690-politica-nacional-de-educacao-especial-na-perspectiva-da-educacao-inclusiva-05122014&Itemid=30192. Acessado em 14 de jun 2019.

 

BRUNO, M. M. G. Políticas afirmativas para a inclusão do surdo no ensino superior: algumas reflexões sobre o acesso, a permanência e a cultura universitária. Revista Brasileira. Estudos Pedagógicos. V92, n. 232, 542-556., 2011

HALL, S. 2003. Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais. Editora UFMG: Belo Horizonte, BH. 2003. 439p.

 

PERLIN, G. T. T. Identidades surdas. In SKLIAR, Carlos (Org.) - A Surdez: Um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre, RS: Editora Mediação, 1998. p. 51-74.

SCHEFER, M. C. KNIJNIK, G. Construindo uma pesquisa do “tipo etnográfico” na educação. Divulgação científica e tecnológica da IFPB. Nº28. Ed. especial. João Pessoa, PB. Revista Principia, 2015. p.104-110.  

VEIGA, A. et al. Caminhos investigativos  II. Outros modos de pensar e fazer pesquisa em educação. 2ª ed. Rio de Janeiro, RJ. 2002. cap. 6, p. 119-120.


[1] A definição do surdo é a pessoa que por perda auditiva, interage e compreende o mundo por meio de experiências visuais. (BRASIL, 2000).

[2] Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) foi reconhecida em 2002, como meio legal de comunicação e expressão conforme a Lei Nº 10.436, de 24 De Abril De 2002, diz que: “Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas Surdas do Brasil”. (BRASIL, 2002).

[3] Conforme a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva diz: “Para o ingresso dos estudantes surdos nas escolas comuns, à educação bilíngue – Língua Portuguesa/LIBRAS desenvolve o ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para estudantes surdos, os serviços de tradutor/intérprete de LIBRAS e Língua Portuguesa e o ensino da (LIBRAS) para os demais estudantes da escola”.

[4] Entende-se cultura surda como a identidade cultural de um grupo de surdos que se define enquanto grupo diferente de outros grupos. A análise de cultura é, portanto, “a tentativa de descobrir a natureza da organização que forma o complexo desses relacionamentos” (HALL, 2003 p.136).

[5] A transcrição será no período do recesso acadêmico.

[6] Trata-se de um documento em formato de convite que possibilita ao pesquisador utilizar os dados oriundos dos sujeitos de suas entrevistas, portanto é explicado o risco e benefícios que o entrevistado terá. Ao término, entrevistado autoriza o uso dos dados coletados para serem inseridos no projeto do pesquisador.

 

Publicado
2019-09-15