QUEM CONSEGUE TRABALHAR?
Seletividade educacional e participação feminina na força de trabalho das metrópoles nordestinas no e pré e pós-pandemia
Resumo
A participação feminina no mercado de trabalho brasileiro tem avançado nas últimas décadas, embora ainda marcada por desigualdades estruturais de natureza socioeconômica e territorial. Este estudo analisa os determinantes da participação feminina nas regiões metropolitanas de Fortaleza, Recife e Salvador, comparando os anos de 2014 e 2024, a partir de microdados da PNAD Contínua. Emprega-se modelo Probit, complementado por técnica de decomposição para variáveis binárias, com o objetivo de identificar não apenas os fatores associados à inserção feminina, mas também mudanças na forma como esses fatores são valorizados ao longo do tempo. Os resultados indicam que a participação feminina permanece fortemente condicionada ao capital humano, ao ciclo de vida e à estrutura domiciliar. Destaca-se, contudo, o aumento expressivo dos efeitos associados à escolaridade, especialmente ao ensino superior, evidenciando maior seletividade educacional nos mercados de trabalho metropolitanos no período pós-pandemia. Esse resultado sugere que, em contextos de reestruturação produtiva e maior instabilidade econômica, a inserção feminina torna-se mais dependente da qualificação formal, ampliando barreiras para mulheres com menor nível de instrução. Ao evidenciar mudanças na intensidade dos determinantes da participação feminina, o estudo contribui para o debate sobre as transformações recentes do mercado de trabalho brasileiro, destacando a dimensão regional e os efeitos de choques recentes sobre a dinâmica de inserção laboral das mulheres.
