DO CORPO À PALAVRA
a analética das conversas clariceanas
Resumo
Este ensaio propõe uma leitura das crônicas de Clarice Lispector a partir da filosofia analética de Enrique Dussel e de autoras descoloniais como Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí. Em vez de interpretar Clarice como uma autora introspectiva e individualista, o texto mostra como sua escrita balbuciante, hesitante e fragmentada convoca uma escuta ética e epistêmica ao outro. Clarice escreve a partir do silêncio e do indizível, em sintonia com uma crítica à linguagem ocidental como ferramenta de dominação e classificação. A conversa teórica articula a crítica ao colonialismo perceptivo de Rafael Bautista, a denúncia da invenção ocidental do corpo por Oyěwùmí e a valorização da tradição não como passado fixo, mas como epistemologia viva. O ensaio se constrói como travessia: não quer concluir, mas escutar. Pensar, aqui, é reaprender a nascer.
Clarice Lispector; analética; descolonialidade; corpo; epistemologia.
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