ALÉM DA PÓS-COLONIALIDADE: a sociologia periférica e a crítica ao eurocentrismo

João Marcelo Ehlert Maia

Resumo


bem conhecida a entrevista do filósofo alemão Jürgen Habermas concedida à prestigiosa revista inglesa “New Left Review”, na qual, perguntando por Perry Anderson e Peter Dews sobre o que sua teoria tinha a acrescentar aos povos que lutavam pela libertação no Terceiro Mundo, respondeu que preferia “passar” a questão (Habermas; Dews, 1986). A despeito desta sincera e até corajosa resposta, isso não impediu Habermas de continuar sendo lido, estudado, pesquisado e tomado como referência obrigatória por sociólogos no Brasil, na Argentina, na África do Sul, no México e em outros quadrantes do antigo Terceiro Mundo, hoje usualmente classificado como “Sul Global”. Este pequeno caso ilustra perfeitamente um dos grandes entraves à construção de uma sociologia realmente global no mundo contemporâneo: trata-se do bom e velho eurocentrismo, que a despeito de ser apontado e criticado, continua a dar as cartas nas construções teóricas, nas formulações de conceitos e nos indicadores simbólicos de prestígio intelectual nas ciências humanas em geral.

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