AMIZADE: o vale quanto pesa da literatura

Autores

  • Myriam Correa de Araujo Avila UFMG

Resumo

Em “Ora (direis) puxar conversa!”[1], Silviano Santiago faz uma poderosa exposição do tema do diálogo e da amizade em Mário de Andrade, recortando-o contra o contexto da vida literária do poeta, marcada pelo investimento na correspondência. Ainda nesse contexto, lembra o papel do salão na composição do momento modernista no Brasil. O próprio Silviano, entretanto, forma-se como escritor em outros tempos, nos quais já não vigora o salão e a correspondência tem um caráter diferente, emprestado pelo uso quase universal da datilografia, menos ao pé do ouvido e, talvez, menos conversador. Na antologia de cartas de escritores brasileiros A república das letras. De Gonçalves Dias a Ana Cristina César, Santiago nos dá um panorama de dois séculos em que a conversa parece se encadear de uma geração à outra, passando de ocasiões de maior formalidade para um tom cada vez mais familiar nas primeiras décadas do século XX, chegando à falta de cerimônia do alto modernismo, voltando a certa sobriedade e economia e por fim, desembocando, no fim do século, em um registro intimista em que não se pretende mais distinguir vida de literatura. A conclusão que nos ocorre é que a correspondência sustentou, durante os dois séculos representados na antologia, uma conversa essencial para o desenrolar da literatura brasileira, com variações devidas aos contextos específicos desse e daquele período.


[1] Refiro-me ao capítulo que faz parte da coletânea de mesmo título.

Biografia do Autor

  • Myriam Correa de Araujo Avila, UFMG
    Pesquisadora 1D do CNPq. Possui graduação em Belas Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais (1977), mestrado em Inglês - Literatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (1986) e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (1994). Estudou na Universidade de Kassel, Alemanha (1987-1989). Pós-doutorado na USP (2004-2005). Pós-doutorado na Fundação Casa de Rui Barbosa (RJ) em 2013. Atualmente ocupa o cargo de Professor Titular na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, atuando principalmente nos seguintes temas: correspondência, diários, viajantes, nonsense e estranhamento. É pesquisadora do CNPq desde 1999. Autora de Rima e solução: a poesia nonsense de Lewis Carroll e Edward Lear (Annablume), Retrato na rua: memórias e modernidade na cidade planejada (Ed.UFMG), Douglas Diegues por Myriam Ávila (Eduerj) e Diários de Escritores (ABRE). Lider do grupo de pesquisa Poéticas do Estranhamento (CNPq-UFMG). Coordenadora de verbete no projeto Léxico Brasil/Europa (Universidade de Bolonha/UFMG).

Referências

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BOMENY, Helena e Oliveira, Lúcia Lippi. Entrevista com Silviano Santiago concedida em 2 de maio de 2002. In: Estudos históricos. 2002 - 30 . p.149-173.

CORRESPONDÊNCIA AFFONSO ÁVILA – Haroldo de Campos. Inédita.

HANDKE, Peter. A tarde de um escritor. Trad. Reinaldo Guarany. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

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SANTIAGO, Silviano. Nas malhas da letra. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

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_____. Ora (direis) puxar conversa!. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

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Publicado

2017-05-05