A MEMÓRIA EM DERRIDA: uma questão de arquivo e de sobre-vida

  • Maria José R. F. Coracini UNICAMP

Resumo

O primeiro sentido que nos vem à memória, tão logo falamos de “memó- ria”, a nós, professores de línguas, herdeiros que somos de teorias da aquisi- ção/aprendizagem da segunda metade do século XX, é o de competência cognitiva, capacidade maior ou menor, segundo o grau de inteligência de cada um (medido pelo QI ou por outros testes psicológicos), de retenção dos dados que chegam até os nossos sentidos para serem arquivados, estudos que fazía- mos ou que fazemos com o objetivo de buscar instrumentos que auxili(ass)em o aluno em seu processo de aprendizagem, na crença, cientificamente ingê- nua, de que é possível manipular ou controlar esse “aparelho” mental. Mas, não é da memória cognitiva, ou, pelo menos, não em primeira instância, de que vamos nos ocupar neste texto, mas de outro tipo de memória, da memória que nos remete ao passado, talvez à origem, à origem de nós mesmos que é sempre e necessariamente feita de outros, por outros e, desta vez, num primei- ro momento, esse outro ou esses outros – porque cada um é muitos outros na sua constituição heterogênea e, portanto, fragmentária – é o próprio Derrida.

Biografia do Autor

Maria José R. F. Coracini, UNICAMP

Sou graduada em Letras: Francês-Português pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1972), mestre em Letras (Língua Francesa) pela Universidade de São Paulo (1981), doutora em Ciência: Lingüística Aplicada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1988), Livre Docente (2000) e professora titular (2007) em Lingüística Aplicada na Área de Ensino/Aprendizagem de Língua Estrangeira pela Unicamp (2000). Tenho pós-doutorado junto ao Centre Inter-universitaire en Analyse du Discours et Sociocritique des Textes (Ciadest) e ao grupo de pesquisa Marges (Marginalisation et Marginalité dans les discours), em Montréal, Canadá (1992-3). Mais recentemente, fiz um estágio pós-doutoral junto à Université de Paris 3 (Sorbonne Nouvelle), Sylled (abril-junho 2006), e junto à Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências da Psicologia e Educação), também em 2006, por três meses. Atualmente, sou professor titular MS-6 na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com experiência em Lingüística Aplicada, atuo principalmente, nos seguintes tópicos: ensino-aprendizagem (LM e LE), discurso de/sobre novas tecnologias,discurso de/sobre a pobreza, discurso científico, discurso pedagógico, tradução, identidade, leitura, escrita, subjetividade. Do ponto de vista teórico, trabalho no espaço movediço e escorregadio das fronteiras opacas e difusas entre discurso, psicanálise e desconstrução, na tentativa de compreender sempre mais as subjetividades em travessia: entre línguas-culturas, entre si e o outro - o outro de si...

Referências

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Publicado
2017-08-26