A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO COAUTORA NA NARRATIVA CONTEMPORÂNEA EM LÍNGUA PORTUGUESA: AUTORIA, ÉTICA E MATERIALIDADE DISCURSIVA NO CONTEXTO BRASILEIRO
Resumo
Este artigo investiga o papel da inteligência artificial como coautora na produção de narrativas ficcionais em língua portuguesa, com ênfase no contexto brasileiro, problematizando as noções de autoria, criatividade e materialidade discursiva no âmbito da cultura digital. A pesquisa justifica-se pela emergência de ferramentas generativas, como o ChatGPT, e sua crescente inserção no campo literário, demandando reflexões críticas sobre ética, originalidade e o estatuto do texto artístico em realidades linguístico-culturais periféricas. Objetiva-se analisar como a IA participa do processo criativo em português do Brasil, tensionando as fronteiras entre paráfrase e polissemia, repetição e singularidade, em narrativas que dialogam com imaginários locais. Metodologicamente, adota-se a análise discursiva de base materialista, com corpus composto por oito contos gerados por IA, todos em português, que abordam temas como música, esporte, aventura e cultura urbana brasileira. O arcabouço teórico articula contribuições de Orlandi (1994, 2007), Pêcheux (1983) e Paveau (2021) sobre autoria, tecnodiscurso e função-autor. Os resultados indicam que a IA opera por simulacros de autoria, produzindo textualidade coerente, mas falha em inscrever marcas de subjetividade e historicidade tipicamente brasileiras, limitando-se a paráfrases controladas por algoritmos e à reprodução de estereótipos culturais. Conclui-se que, no contexto brasileiro, a coautoria humano-algorítmica ainda não supera a potencialidade criativa do sujeito discursivo situado, embora inaugure novas possibilidades — e limites — para a produção literária mediada por tecnologia.
Publicado
2025-12-27
Seção
ARTIGOS
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