MONOGAMIA, COLONIALIDADE E VIOLÊNCIA DE GÊNERO : UMA ANÁLISE HISTÓRICO CRÍTICA

Autores

  • Cristhiany Alves Nogueira Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.55028/dn9ste98

Resumo

Este artigo analisa a relação entre monogamia, colonialidade e violência de gênero, compreendendo a monogamia como uma construção histórica e social vinculada ao patriarcado, à propriedade privada e às transformações promovidas pela colonização e pelo capitalismo. O problema da pesquisa consiste em investigar como esse modelo de organização familiar contribui para a manutenção das desigualdades entre homens e mulheres e para a naturalização da violência de gênero. O estudo tem como objetivo analisar a origem histórica da monogamia, compreender o papel da colonialidade e do capitalismo na consolidação desse modelo e discutir sua influência na persistência da violência contra as mulheres na sociedade brasileira. A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, qualitativa e histórico-crítica, fundamentada em autores como Silvia Federici, Maria Lugones, Sérgio Lessa, Geni Núñez, Heleieth Saffioti e Flávia Biroli, além da análise de dados estatísticos, documentos oficiais e legislação brasileira. Os resultados demonstram que a monogamia foi historicamente instituída como mecanismo de controle dos corpos femininos, da sexualidade, da reprodução e da transmissão da propriedade, sendo fortalecida pela colonialidade e pelo sistema capitalista. As estatísticas analisadas evidenciam que a maior parte das violências contra as mulheres ocorre no âmbito das relações íntimas e familiares, revelando a permanência de estruturas patriarcais que reforçam a desigualdade de gênero. Conclui-se que a monogamia não constitui uma condição natural, mas um modelo histórico passível de transformação, sendo necessário questionar sua naturalização e promover relações mais igualitárias, bem como mudanças estruturais capazes de enfrentar as causas da violência de gênero.

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Publicado

2026-09-10