A PERSPECTIVA INTERSECCIONAL NA TEORIA FEMINISTA: DESLOCAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS E IMPACTOS NA PESQUISA

Autores/as

  • Giovanna Bastos de Almeida Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • Janete Rosa da Fonseca Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.55028/pqc4qg82

Resumen

No início do século XX, destacou-se a produção literária de Virginia Woolf que se tornou uma pensadora destaque no movimento feminista por ter exposto suas ideias quanto à situação da mulher na sociedade de seu tempo. Mais tarde, nos Estados Unidos, pensadoras negras como bell hooks, Jane Jordan, Audre Lord, Patricia Hill Collins e Angela Davis, se reuniram em torno da necessidade de renovação do movimento feminista que demandava a ampliação da forma de pensar a teoria. Assim, a interseccionalidade passou a ser discutida dentro desses discursos, que posteriormente foram interseccionando mais pautas e trazendo maior complexidade ao bojo da teoria crítica feminista. Embora produzidos em contextos históricos e geográficos distintos, esses pensamentos compartilham uma mesma preocupação: demonstrar que categorias aparentemente universais podem ocultar experiências específicas e reproduzir formas de exclusão quando não são questionadas ou tensionadas. Assim, os questionamentos levantados pelas feministas negras, indígenas, latino-americanas e decoloniais não reivindicaram apenas o direito de participar de uma teoria já consolidada, mas oferecem a ela a ferramenta de incessante indagação aos fundamentos sobre os quais essa teoria foi construída. Desse modo, a perspectiva interseccional atravessa e transforma profundamente a pesquisa, assim como transformou a própria teoria feminista. Essa incessante interrogação que a interseccionalidade oferece enriquece o potencial analítico da pesquisa sem necessariamente deslocar o objeto pesquisado, mas ampliando o olhar para mais categorias e serem analisadas em relação a ele.

Publicado

2026-09-10