MASCULINIDADES EM QUESTÃO: CRISES, NORMAS E RESISTÊNCIAS NO CAMPO DOS ESTUDOS DE GÊNERO

Autores/as

  • Douglas da Silva Araújo Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.55028/40t3xa69

Resumen

Este artigo tem como objetivo central problematizar o conceito de masculinidades a partir da teoria crítica feminista e da perspectiva interseccional, com ênfase nas articulações entre poder, corpo, violência, saúde e educação. Partindo da pergunta "de que modo as masculinidades hegemônicas são construídas, reproduzidas e podem ser desestabilizadas à luz da crítica feminista?", o trabalho mobiliza os referenciais teóricos de Connell e Messerschmidt (masculinidade hegemônica), Judith Butler (corpo e performatividade), Guacira Lopes Louro (pedagogias da sexualidade), bell hooks (educação crítica), Michael Kimmel (violência e masculinidade) e autoras do feminismo decolonial como Lélia Gonzalez e María Lugones. Metodologicamente, adota-se uma revisão crítica da bibliografia nacional e internacional, com ênfase na articulação entre poder, discurso, corporalidade, violência estrutural, saúde masculina e práticas educativas. As análises indicam que as masculinidades não constituem essências fixas, mas configurações relacionais de poder que podem ser transformadas por meio de intervenções pedagógicas e políticas comprometidas com a justiça de gênero. A análise interseccional revela que as experiências masculinas são profundamente atravessadas por marcadores de raça, classe, colonialidade, sexualidade e deficiência, inviabilizando generalizações homogêneas. Os resultados apontam ainda que a saúde masculina – incluindo os alarmantes índices de suicídio entre homens – e a violência estrutural são dimensões ainda subexploradas nos estudos críticos sobre masculinidades, mas fundamentais para uma agenda de transformação. Conclui-se que "colocar as masculinidades em questão" é condição fundamental para o desmantelamento do patriarcado e a construção de formas de existência masculina não hierárquicas, cuidadoras, não violentas e antipatriarcais.

Publicado

2026-09-10