AGÊNCIA E EMPREENDEDORISMO DE MULHERES INDÍGENAS: UMA ANÁLISE INTERSECCIONAL NA ALDEIA PASSARINHO (MIRANDA-MS)

Autores/as

  • Kellen Patricia Santiago Batista Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • Janete Rosa da Fonseca Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.55028/wa9w9k62

Resumen

Este artigo analisa as experiências de mulheres indígenas da Aldeia Passarinho, localizada no município de Miranda, Mato Grosso do Sul, a partir de sua participação no Curso Reconquista, programa voltado à inclusão produtiva e ao empreendedorismo. A pesquisa parte do problema de compreender como gênero, etnia, território e condições socioeconômicas influenciam os processos de autonomia e protagonismo feminino indígena em contextos marcados por desigualdades históricas. O objetivo é analisar as potencialidades e os desafios enfrentados pelas participantes na construção de alternativas econômicas e sociais em sua comunidade. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada em observação participante e registros de campo produzidos durante a atuação da autora como facilitadora do Curso Reconquista. O referencial teórico apoia-se nas contribuições da interseccionalidade, da colonialidade de gênero, da subalternidade e do feminismo comunitário. Os resultados evidenciam que as participantes enfrentam desafios relacionados à exclusão territorial, ao racismo, à baixa escolarização, à sobrecarga de trabalho doméstico e às limitações de acesso a oportunidades econômicas. Em contrapartida, revelam formas significativas de agência e resistência expressas na preservação de saberes tradicionais, no fortalecimento das redes de solidariedade e na construção de iniciativas produtivas vinculadas à coletividade. Conclui-se que programas de empreendedorismo destinados às mulheres indígenas somente serão efetivos quando construídos a partir do respeito à cultura, ao território, à autodeterminação e às formas próprias de organização social das comunidades indígenas.

Publicado

2026-09-10